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23/12/2021 às 18h01min - Atualizada em 23/12/2021 às 18h01min

'Pensei que ia morrer', diz jovem negro agredido e apontado como ladrão do próprio carro

Gabriel da Silva, de 23 anos, afirmou que também foi vítima de racismo e pede por justiça

Dema de Oliveira
Gabriel Silva disse que pensou na morte - Foto: Divulgação/Redes Sociais
  
Gabriel da Silva, de 23 anos, ainda diz que está tentando se recuperar pelo que passou no último sábado (18), em Açailândia, a 72 km de Imperatriz, quando foi agredido por um homem e uma mulher que o acusaram de ser um ladrão.

O jovem, que trabalha como recepcionista, estava no próprio carro, em frente ao condomínio onde mora, e recebeu socos e chutes em plena luz do dia. Nas redes sociais, Gabriel disse que, além das agressões, houve crime de injúria racial.

"Eu quero que aconteça a justiça. É revoltante uma situação dessa, por achar que, por ser magro, negro, não poderia ter um carro. Quero que haja justiça porque isso não pode acontecer com as pessoas. Se fecharmos os olhos, isso pode acontecer até pior até com um familiar nosso. Isso é racismo. É crime", declarou Gabriel.

O boletim de ocorrência do caso foi registrado no dia 19 de dezembro, um dia depois das agressões, que foram filmadas por câmeras de segurança do condomínio. A Polícia Civil informou que está investigando o caso.

Nas imagens, um homem identificado como Jhonata, aparece e exige que Gabriel saia do veículo. Logo depois, a vítima recebe uma rasteira e começa a ser espancada. Uma mulher, identificada por Ana Paula, que acompanha Jhonata também ajuda nas agressões.

Gabriel afirma que tentou argumentar que ele era o dono do próprio veículo e apontar a documentação do veículo em seu nome. Tentou até mostrar que ele é morador do condomínio. No entanto, a violência só acaba quando um vizinho aparece e explica aos agressores que Gabriel falava a verdade.

"Eu senti que ia morrer. Mas graças a Deus um vizinho apareceu, e eu agradeço muito. Deus me fez aquele livramento", afirmou.
O PROGRESSO entrou em contato e pediu um posicionamento de Jhonata e Ana Paula, mas não houve retorno até o fechamento da edição de hoje.

O caso está sendo acompanhado pelo advogado Marlon Reis, ex-juiz que foi o autor da Lei da Ficha Limpa.

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