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27/02/2021 às 00h00min - Atualizada em 27/02/2021 às 00h00min

​UMA ANDORINHA SÓ NÃO FAZ VERÃO

 
Dia desses eu caçava ao meu redor a ideia de um texto e... e nada! Do nada, então me surgiu a lembrança de uma velha frase, um ditério: UMA ANDORINHA SÓ NÃO FAZ VERÃO. E eu, caçador de mim, concluí: UMA ANDORINHA SÓ NÃO FAZ VERÃO. Pronto, taí o tema! E me pus do começo da manhã de um dia ao fim da tarde do outro dia, à caça de velhos ditérios (ou ditados) como se dizia. Sim, porque NADA COMO UM DIA NA FRENTE, OUTRO ATRÁS E UMA NOITE NO MEIO. E então, velhos ditérios agora para lembrar um velho tempo

Minha mãe dizia que PINTO QUE NÃO OUVE CHAMADO DE MÃE, GAVIÃO COME. Ela dizia também que MÃE É MANHA E PAI É PALHA. Minha mãe também dizia que CASA ALHEIA NÃO É DA GENTE. O MEU PAI, por sua vez, ao seu tempo já dizia que CASA DE PAI É ESCOLA DE FILHO e minha mãe completava. CASA DE MÃE ESCOLA DE FILHA. Meu pai também dizia FILHO ÉS PAI SERÁS. E quando e ele MAESTRO da orquestra em família dizia assim era porque tinha algum músico/instrumento tocando fora do tom. Sinal de que a chapa estava esquentando. E logo a partitura da canção se situava, tomava pé. Recompunha-se. Afinal de contas MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM TEM JUÍZO; O ESPINHO DE PEQUENO TRAZ A PONTA.

Meu avô era uma fera nos ditérios, que eram lições de vida. Ele dizia: O MAL FEITO NÃO TEM DONO, QUEM PUXA AOS SEUS NÃO DEGENERA ele mesmo: FILHO CRIADO, TRABALHO DOBRADO; MUITO VENTO É SINAL DE POUCA CHUVA, QUEM ATIRA COM A PÓLVORA ALHEIA NÃO MEDE DISTÂNCIA. Ele que era caçador, também dizia: Escreva quem quiser, leia quem souber; UM DIA É DA CAÇA, O  OUTRO DO CAÇADOR. E o nêgo velho costumava dizer: “Quem cospe pra cima lhe cai na cara”. Outras vezes dizia: QUEM PENSA NÃO CASA.

A minha diretora no primário essa era antológica e não abria mão de velhos ditérios, verdadeiras lições de vida. Foi com ela que aprendi que UMA ANDORINHA SÓ NÃO FAZ VERÃO. Ela que dizia QUEM MADRUGA DEUS AJUDA, DIZE-ME COM QUEM TU ANDAS QUE EU TE DIREI QUEM ÉS, ÁGUAS PASSADAS NÃO MOVEM MOINHO, ANTES SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADO Também dizia: QUEM PLANTA VENTO COLHE TEMPESTADE, NEM TUDO O QUE RELUZ É OURO e mais tarde a gente completava: NEM TUDO O QUE BALANÇA, CAI.

Tereza de Teodoro vivia aos trancos na vida: Ela dizia: “FULANO SÓ QUER SER O QUE A FOLHINHA NÃO MARCA”. Folhinha era o nosso calendário. Eu olhava no calendário e não via nenhuma marca. Depois eu fui entender que ela se referia a uma pessoa que contava vantagens sobre si mesmo. Ela era dona de um ditério: QUEM FALA DEMAIS DÁ BOM DIA A CAVALO. Ela mesma “O FILHO DA CULPA, TIRA A MÃE DA CULPA e QUEM MUITO SE ABAIXA ALGUMA COISA APARECE.    

Naquele tempo colegial, jogo de bola de meia, surgiam os ditérios: NADA COMO UM DIA TRÁS DO OUTRO, PAPAGAIO COME O MILHO E PERIQUITO LEVA A FAMA. QUEM CUIDA DE VIDA ALHEIA SE ESQUECE DA SUA; QUEM CALÇA SAPATO É QUE SABE ONDE APERTA; QUEM BATE ESQUECE – QUEM APANHA NÃO ESQUECE;  CARA DE UM FOCINHO DO OUTRO. O APRESSADO COME CRU.

Aquele nosso velho tempo colegial foi rico em ditérios: QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO, QUEM COM FERRO FERE, COM FERRO SERÁ FERIDO. NADA COMO UM DIA NA FRENTE E OUTRO ATRÁS (e uma noite no meio),QUEM DÁ AOS POBRES EMPRESTA A DEUS. QUEM MUITO SE ABAIXA ALGUMA COISA APARECE, MATOS TEM OLHOS E PAREDES TÊM OUVIDO. CASA DE FERREIRO ESPETO DE PAU. QUEM NÃO TEM O OQUE FAZER PRA ALGUMA COISA DÁ.

Aquele tempo de casa de estudante, pensionato e moradia coletiva era dito em ditérios: O PÃO C0MIIDO NÃO É LEMBRADO, a desgraçado sabido é pensar que todo o mundo é um tolo, QUEM CUIDA DA VIDA ALHEIA SE ESQUECE DA SUA, Quem não trabalha, atrapalha, O SOL NASCE PARA TODOS MAS A SOMBRA É PARA POUCOS. O MUNDO NÃO SE ACABA NA NOSSA PORTA (que aliás é verso de uma velha canção).

E eu no rádio por aqui em “priscas eras”: QUEM MATA O QUE NÃO SE COME NÃO PERDE POR ESPERAR,  “o mundo dá voltas e a vida continua”; Me engana que eu gosto, Cesteiro que faz um cesto, faz um cento. Mas foi lá no rádio (na capital) que descobriram que SAUDADE NÃO TEM IDADE. Lá mesmo, que: “Saudade não mata, só ajuda a viver”. E eu aqui, para escrever este texto foi ENTRE UM DIA NA FRENTE, OUTRO ATRÁS E UMA NOITE NO MEIO. Mas o que a gente não pode esquecer de lembrar é que... UMA ANDORINHA SÓ NÃO FAZ VERÃO, pense nisso e encontre a solução. E não fique só naquela de “... FOI UM RIO QUE PASSOU EM MINHA VIDA porque QUEM GURDA COM FOME, GATO VEM E COME.
Colaboraram: Capitão Daniel de Cuiabá/Mato Grosso e Dr. Borboleta, médico de Caxias/Maranhão
 
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CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

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