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29/10/2022 às 00h00min - Atualizada em 29/10/2022 às 00h00min

OMISSÃO DE SOCORRO

NAILTON LYRA

NAILTON LYRA

O Doutor ​NAILTON Jorge Ferreira LYRA é médico e Conselheiro Regional de Medicina e Conselheiro Federal de Medicina representando o Estado do Maranhão

 
Esse tema é um assunto delicado que envolve detalhes e interpretações diferentes em cada caso, contudo é na área da saúde que o tema toma proporções gigantescas, independente de quando e como isso acontece, mesmo quando a acusação não é pertinente, a única certeza é que o dano a imagem do médico e de sua instituição é permanente.
 
Porém a omissão de socorro pode ser aplicada a qualquer cidadão quando não solicitar ajuda ao se deparar com uma pessoa em eminente perigo.
 
Mas e a omissão política quando os administradores se deparam com emergências sobrecarregadas de pacientes e com óbitos em porta de hospitais, com UBS´s lotadas, com filas de cirurgias com mais de um ano de espera!
 
É omissão de socorro?
 
Na medicina trabalhamos com o conceito de urgência e emergência. As duas situações exigem a atenção imediata. A diferença entre elas, de forma resumida, é que a urgência permite certa margem de tempo para o atendimento, enquanto a emergência implica em risco eminente de morte.
 
Em pesquisa no RS realizado pelo IPEC I(inteligência em pesquisa e consultoria, mostrou que a maior preocupação dos entrevistados é a saúde, obviamente seguidos por educação, segurança e desemprego, mas estes são a urgência, a emergência está na saúde.
 
Em um paradoxo, os postulantes aos diversos cargos nessas eleições estão alienados nessa informação. Emergências superlotadas, filas de espera interminável, falta de medicação em hospitais públicos, UBS´s etc. assolam a terra de Pindorama (Brasil).
 
Então, por que a saúde aparece tão pouco nas prioridades dos candidatos sendo a maior prioridade da população?
 
Até quando médicos e pacientes irão carregar o pesado fardo da falta de investimento e da estrutura em saúde, desde as atividades complexas até a atenção básica?
 
Com o término da fase aguda da pandemia COVID-19, estamos atravessando um momento á previsto pelos médicos, o represamento de atendimentos, consultas, cirurgias, exames etc. Os pacientes querem e precisam retomar seus tratamentos gerando uma procura aumentada pelos serviços de saúde.
 
Os médicos tentam fazer sua parte em uma estrutura combalida pela falta de investimentos com os cortes realizados na rede pública.
 
Apesar desses fatos contam-se nos dedos os candidatos debruçados sobre esse problema.
 
A saúde não se agenda, a emergência está aí e precisa ser atendida imediatamente (risco de eminente de vida). Outras pautas se conversam com uma expectativa melhor no futuro. A saúde não, ela está agonizando, no meio da rua, e os passantes fingem que nada veem.
 
Isso é OMISSÃO DE SOCORRO senhores!
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* Usei dados nesse artigo texto de Eduardo Neubarth Andrade, ex-presidente do CRM/RS, médico e professoro de cirurgia.
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