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15/01/2022 às 00h00min - Atualizada em 16/01/2022 às 00h00min

A agulha e a seringa

  
Todo dia, 24 horas, repetindo à exaustão, estamos sendo martelados sobre a vacinação para o SARS COV 2. Vacina? Não vacina? Serve? Não vale nada? Responsáveis por mortes? Miocardite? Infartos? Mas tem uma coisa que ninguém mesmo prestou a devida atenção, aliás, duas coisas. São: A seringa e a agulha! Sem essa dupla, que são como arroz e feijão, faísca e fumaça, pinga e torresmo! A vacinação não existiria, e, óbvio muitos outros tratamentos médicos.

Quem não conhece quem se pela de medo de uma injeção. Eu mesmo tenho.

Mas hoje o nosso propósito é falar de maneira sintética sobre a agulha e seu par a seringa.

Quando Edward Jenner, que criou a primeira vacina do mundo, apareceu em cena há 150 anos ainda não havia um método sofisticado de injeção de drogas no corpo humano. Em 1796 ele vacinou com sucesso uma criança de oito anos contra a varíola, com sucesso, mas ela foi aplicada por meio de um corte e, portanto, não era uma injeção. Se fosse hoje Jenner estaria nas labaredas das redes sociais.

Então com o progresso a passos largos no século XIX a medicina saiu em busca de sistemas mais eficientes de administração de medicamentos.

Em 1844, o Cirurgião Irlandês Francis Rynd inventou o que foi indiscutivelmente a primeira agulha oca do mundo, mas era bastante arcaico e a medicação era infundida por gravidade rompendo-se a pele com um trocarter, mas em 10 anos de progresso continuo surgiu a versão moderna da agulha hipodérmica, palavra criada depois pelo cirurgião Londrino Charles Hunter do grego “hipo” (abaixo) e “derme” (pele).

Mas as seringas de uma forma ou de outra, existem pelo menos desde a época de Hipócrates no século V a.c. As primeiras eram bem rudimentares usando bexigas de animais, tubos ou penas e utilizadas principalmente para as irrigações de feridas ou enemas intestinais.

No século XI um oftalmologista egípcio usou instrumento semelhante a seringa hipodérmica para tratamento de catarata, acho que não devia ser muito agradável. 
No século XVII começaram as tentativas de medicação injetável, um arquiteto britânico, Cristropher Wren injetou drogas em cachorros utilizando uma bexiga de animal com uma pena de ganso acoplada, injetou álcool, ópio e crocus metallorum (um emético da época) e obteve o resultado esperado, um dormiu, um morreu e um ficou muito bêbado. Foram realizadas injeções intravenosas.

Mas foi Alexander Wood, um cirurgião nascido em Cupar of Fife Escócia que teve a Idea de acoplar um êmbolo a um recipiente de vidro criando a primeira seringa totalmente de vidro. Sua primeira paciente foi uma senhora de 80 anos com dores terríveis no ombro devido a uma patologia articular, injetou morfina diluída em vinho xerez adormecendo a paciente e aliviando a dor.

Imaginem o trajeto até chegarmos o que é hoje, alguém concebe a ideia de quantos bilhões de seringas e agulhas estão sendo utilizadas na faina de vacinar 7 bilhões de viventes com 3 doses, o que dá a modesta quantia de 21 bilhões de doses. Incrível a capacidade do homem.

O caminho que percorremos da seringa de vidro esterilizadas em água quente, em dispositivos denominados de “peixeiras”, que foram utilizadas no Brasil até mais ou menos 1968.

As seringas de plástico descartáveis surgiram a partir de 1961 hoje de vários tamanhos utilidade graduação e indispensáveis a prática médica.

Portanto, vamos deixar de frescagem e não ter medo da injeção e, principalmente, não utilizar destes equipamentos essenciais para fazer medo nas crianças. “Se não ficar quieto chamo o médico para te dar uma injeção”.

Sacanagem com os médicos enfermeiras, técnicos e dentistas!
 
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NAILTON LYRA

NAILTON LYRA

O Doutor ​NAILTON Jorge Ferreira LYRA é médico e Conselheiro Regional de Medicina e Conselheiro Federal de Medicina representando o Estado do Maranhão

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