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18/12/2021 às 00h00min - Atualizada em 18/12/2021 às 00h00min

50 Anos da Turma de Direito de 1971

AURELIANO NETO

AURELIANO NETO

Doutor Manoel AURELIANO Ferreira NETO é magistrado do Tribunal de Justiça do Maranhão

 
Há mais de 50 anos, estávamos no antigo e aconchegante prédio da Faculdade de Direito, da Rua do Sol; muitos apreensivos, outros, talvez não. Aguardávamos ansiosos, no pé da escada, o canto de glorificação dos nossos nomes, como uma espécie de coroação da nossa liberdade para este futuro que está aqui, simbolizada pelas notas que possibilitavam a aprovação no exame vestibular para o sonhado Curso de Direito. Vencida essa dura etapa, no início de 1967, convivemos, quase todos, cinco anos de estudos para a nossa formação jurídico-humanista, cuja colação de grau se deu no ano de 1971. Eu, pessoalmente, não estava por aqui, no palco do histórico Teatro Arthur Azevedo, onde se deu a sagração apoteótica desses novos humanistas, que nunca deixaram de fazer parte do currículo da minha vida; mas, espiritualmente, estava vivendo a glória de todos os formandos, pois a saudade desta minha querida terra, desses amigos e amigas, com os quais convivi do primeiro ao terceiro ano, nunca me abandonou. Embora estivesse, no mesmo período, colando grau no Rio de Janeiro, nunca os esqueci. A minha turma, digo e repito, desde aqueles primórdios, foi esta, da velha e inesquecível Faculdade de Direito, da Rua do Sol.

Faço essa breve e necessária introdução, porque, indicado para falar no dia comemoração dos 50 anos de formados, data esta tão importante para todos nós, e especialmente para mim, a emoção de fazê-lo, como o fiz, invadiu minh’alma. Abalou-me com todas as emoções revolvidas. Fez-me rever um filme de tantas lutas, de tantas alegrias, de uma convivência sadia, agradável, edificadora e fraterna.

Disse, nessa minha emotiva manifestação, sob o olhar atento dos amigos e amigas da Turma de Direito de 1971, que estava a ler o livro do educador e filósofo Mario Sergio Cortella – Não Nascemos Prontos! Provocações Filosóficas – e esse insigne pensador nos alerta que “vivemos numa época de interesses recíprocos, atravessamos um período de pragmatismos mútuos, nos quais as regras da competitividade mortal e de uma base econômica idólatra e implacável nos mecanismos de exclusão, impõe valores gananciosos! Uma norma principal ganha corpo: é bom tudo o que for útil, é adequado tudo o que é lucrativo, é moralmente confortável tudo o que for vantajoso”. E conclui: “...poucas são as relações interpessoais que fogem ao utilitarismo das afetividades simuladas. Cada vez mais temos amizades fugazes, com data de validade restrita...”

Sim. 50 anos. 55 anos se passaram, contados do convívio nos bancos daquela nossa querida e amada Faculdade. A data de validade da nossa amizade, construída na vivência dos estudos jurídicos, na convivência das salas de aula e em alguns encontros em aniversários e na visita que fizemos ao Porto do Itaqui, ainda continua forte, e fortalecida pelos laços da afetividade, com a lembrança de tantos que contribuíram para nossa formação, como me vem à mente a figura afetuosa de Verinha, da Secretaria da Faculdade. São sentimentos de saudade tão fortes, que não esquecemos aqueles que partiram para a morada eterna: Gaspar, Guimarães, Romilde, Márcia, Orlandinho, Nagib, Themis, Wellington, Barreto, o Major Pereira, o nosso orador, na noite em que fomos recepcionados pelo Diretório Acadêmico, e o meu querido e inesquecível amigo Liciano. Não quero chorar saudade. Mas às vezes algumas lágrimas nos ajudam a rever esses momentos de tanta felicidade. Não é uma saudade de melancolia. É uma saudade de intensa alegria.

E naquele momento, tomado pela emoção do reencontro, tive a necessidade de dizer: “São tantas as lembranças, vestidas na roupa da saudade. As inesquecíveis aulas dos professores José Maria Ramos Martins, Orlando Leite, Fernando Perdigão, Flor de Lis, Antenor Bogea, José Maria de Jesus, que, por ser possuidor de um sestro meio esquisito, contorcendo o pescoço, recebeu o carinhoso apelido de Calango. Não sei se ele ficou sabendo. Esta nossa turma era demais. Paulo “Juca Chaves”, os eternos Sérgios, o violão e Cartágenes, Maria Alice, sempre nota 10 e o primeiro lugar no vestibular, Julinha, Gerviz, Stélio, Enock, Lourdinha, meu querido amigo e companheiro das oficinas de jornais José Carlos Sousa Silva, Vitória Régia, e a sempre presente D. Vinólia, sua inesquecível mãe, que nos brindava com um lauto lanche, quando íamos estudar na sua casa na rua do Passeio, esquina com a Vila Bessa. Lá aparecia Liciano com o seu indefectível caderninho de anotações, e já com anotações dos estudos que seriam realizados.”

50 anos de formados. Combatemos o bom combate. Mas, parabenizando a todos daquela fraterna Turma de 1971, concluo esta exortação citando o universal Fernando Pessoa: “’Stou só e sonho saudade’ - verso desse grande vate português. Quando penso no tempo, nas lutas que todos nós tivemos que ter, este verso me invade, com o sabor de saudade. Vem-me a certeza de que este reencontro com o tempo faz bem a todos nós.” Um abraço e um beijo a todas as companheiras e companheiros daquela Turma de 1971.

* Membro da AML e AIL
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