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09/11/2021 às 00h00min - Atualizada em 09/11/2021 às 00h00min

Município bem alto

O vendedor de ovo de égua - Causo XXIV

*Republicado a pedidos
**Publicado originalmente em 1º de fevereiro de 2015

  

No cenário político, especialmente durante as campanhas eleitorais, é mais que comum presenciarmos e/ou escutarmos comentários sobre um “mico” cometido por este ou aquele político/candidato, ou por um assessor, e principalmente por um seu “puxa-saco”. Aliás, este tipinho de gente é o que mais proporciona matéria-prima para tais comentários. Um exemplo é o “causo” intitulado “Assessor Eficiente”, que faz parte do conjunto desta obra. Coisa inaceitável, repugnante e merecedora de todo o nosso repúdio, pois, na verdade, quem puxa-saco dá a maior demonstração de incompetência e incapacidade.

Com relação ao tal folclórico político, lembro um fato acontecido no ano de 1978, em Fortaleza, quando eu era cabo eleitoral de um deputado federal e candidato à reeleição. No momento da apuração dos votos, no Ginásio de Esportes Paulo Sarasate, o presidente de uma junta apuradora mostrou ao juiz eleitoral uma cédula eleitoral, tendo o magistrado determinado que o voto fosse anulado. Observei que o voto era para o deputado ao qual eu estava apoiando, e de imediato o procurei no interior do ginásio, comunicando-lhe o acontecido. Em passos rápidos ele se dirigiu ao juiz eleitoral, perguntando o porquê daquela anulação, já que na cédula constava com nitidez o seu nome, o seu número e o nome do seu partido. “Anulei por isto!”, respondeu o magistrado, mostrando a cédula, onde também estavam escritos os nomes “baitola e corno”. O deputado candidato protestou de forma veemente, afirmando ao juiz: “Doutor, este é o voto mais consciente que eu já tive. É de alguém que me conhece desde criança, e que até hoje faz parte do meu círculo de amizade”.

Um outro caso que bem merece fazer parte do chamado folclore político brasileiro foi aquele bastante comentado pelo povo, ainda na época do governo militar (1964 a 1985), quando um certo cidadão, “filho da ditadura militar”, como assim se referiam os seus adversários políticos, foi nomeado chefe do poder executivo, e ao passar por um determinado local, onde tinha uma gigantesca placa, leu a mesma e a seguir fez o seguinte comentário: “Eu sei o que significa Petrobras, petróleo brasileiro; sei também que Eletrobras é eletricidade brasileira; mas não sei o significado de Emobras, escrita nesta placa!”. O seu acompanhante, certamente vermelho de tanta vergonha, fez a correção: “Não, chefe! O que ali está escrito é EM OBRAS!”.

Mas o personagem deste “causo” não é nenhum político, assessor ou puxa-saco, mas sim um conhecidíssimo profissional da imprensa tocantinense, bastante polêmico e que aparece constantemente na “telinha”, usando um certo “jargão” para chamar o âncora do programa que participa. O seu nome eu não revelo por dois motivos: o primeiro por uma questão de respeito e ética profissional; e o segundo por não ter eu testemunhado o fato, mas apenas ouvido falar por terceiros. Portanto, não posso garantir a sua veracidade, embora quem me contou fosse uma pessoa da maior credibilidade, e o dito cujo profissional ser bem capaz de cometer tamanha barbaridade.

Tudo aconteceu no ano de 2002, mais precisamente no mês de julho, quando da campanha eleitoral para o governo do estado, com dois candidatos disputando a vaga de inquilino no Palácio Araguaia, durante o mandato 2003 a 2006. De um lado estava o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Marcelo Miranda, e representando a oposição o ex-deputado federal Freire Júnior.

Em um sábado pela manhã, acontecia um gigantesco comício do candidato Marcelo Miranda na cidade de Babaçulândia, às margens do rio Tocantins e distante sessenta quilômetros de Araguaína. Como eu era um eleitor de Marcelo Miranda, embora faça questão de registrar que não votei nos dois candidatos ao Senado pela sua coligação, fui no meu carro até aquela cidade para prestigiar o meu candidato ao governo, que desembarcou no campo de aviação local acompanhado de várias personalidades, entre as quais os dois candidatos ao Senado e o deputado estadual e candidato à reeleição Palmeri Bezerra.

Após a realização do comício e os cumprimentos dos correligionários e simpatizantes, a comitiva volta ao campo de aviação para pegar o avião e voltar a Araguaína, e neste percurso (do local do comício ao campo de aviação), o deputado Palmeri Bezerra decidiu permanecer por mais um dia em Babaçulândia, para visitar os seus amigos e eleitores. Desta forma, foi aberta uma vaga no avião, que foi oferecida ao tal profissional da imprensa que, por sinal, precisava voltar urgentemente a Araguaína, para editar o programa que seria levado ao ar ao meio dia.

Acontece que ele nunca tinha sequer entrado em um avião, e assim morria de medo que algo pudesse lhe acontecer nas alturas, ou melhor, no chão, após a queda da aeronave. Segundo me informou uma fonte fidedigna, que estava no interior do avião, o brilhante repórter sentou-se na poltrona, fechou os olhos e ficou tremendo toda a viagem. E quando o avião já estava sobrevoando Araguaína, alguém bateu no seu ombro e disse que a viagem tinha sido um sucesso e ele podia abrir os olhos, pois já estavam em cima de Araguaína.

Ele arregalou os olhos, olhou para baixo e exclamou em alto e bom tom, chamando o seu âncora: “Fulano de tal! Eu sabia que a cidade de Araguaína era muito grande, mas nunca imaginei que ela fosse tão alta deste jeito!”.

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JAURO GURGEL

JAURO GURGEL

JAURO José Studart GURGEL, durante muitos anos Editor Regional de O PROGRESSO, em Araguaína (TO),

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