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06/11/2021 às 00h00min - Atualizada em 06/11/2021 às 00h00min

O negacionismo da ciência

Lições da história no contexto atual


  
Tenho presenciado nas chamadas mídias sociais uma série preocupante de ideias, proposições, afirmações e certezas sobre o que acontecera com a raça  humana como resultado da epidemia do SARS COV 2 e principalmente à certeza, de algumas informações, sobre os efeitos colaterais das vacinas utilizadas com sequelas irreversíveis e uma taxa incrível de mortalidade devido a vacinação.

Vamos posicionar alguns fatos interessantes da história mundial sobre tratamentos das epidemias,

Inicialmente a Revolta da Vacina em 1904 na cidade do Rio de Janeiro em 1904. Nesse ano estavam internados cerca de 1800 pacientes com a Varíola no Hospital São Sebastião, mas as camadas populares rejeitavam a vacinação porque essa séria fabricada a partir do liquido das pústulas das vacas doentes,  nessa época já era conhecida a cerca de 150 anos a vacinação para a varíola a partir da observação do Médico britânico Edward Jenner que observou vesículas semelhantes em vacas e que os ordenhadores dessa não desenvolviam a doença em sua forma grave e mutilante.  No Brasil espalhou-se a crença de que quem fosse vacinado ficaria com FEIÇÕES BOVINAS, estamos ouvindo a mesma coisa 120 anos depois, só o animal é diferente – JACARÉ!.

No Brasil a vacinação obrigatória para a Varíola foi instituída por decreto Imperial para crianças em 1837 e para adultos em 1846.

Em 1904 houve mortos, presos e deportados e recrudescimento da vacinação, tivemos com resultado um surto em 1908 com alta taxa de mortalidade  que assustou a população do Rio de Janeiro que dessa feita aderiu sistematicamente a vacinação.

Li um artigo de um contemporâneo meu da FMUFES, o Dr. Lauro Ferreira Pinto, atualmente infectologista e professor da EMESCAM em Vitória ES, que me serviu de norte nesse artigo.

Vamos sair da Revolta da Vacina e venhamos para os fatos mais próximos, a AIDS.

Em Julho de 1996 os Cientistas David Ho e Martin Markowitz em Congresso Médico em Vancouver, Canadá, anunciavam que a combinação de três fármacos suprimiam completamente a replicação do Vírus da AIDS  criando esperança para uma doença inexoravelmente mortal e altamente estigmatizada, era chamada de época de “Câncer Gay”.

No mesmo ano um Professor respeitado da Universidade da Califórnia em Berkeley Peter Duesberg, lança um livros “ Inventando o vírus da AIDS”, onde defendia que essa seria não uma doença contagiosa, mas uma doença causada por comportamento inadequado e que o HIV era uma invenção da indústria farmacêutica, ironizava o uso de preservativos e os cuidados com o sangue dos contaminados, além de afirmar que o AZT causava danos irreparáveis nas pessoas. Causou um enorme dano à muitas pessoas com o resultado, óbvio, de mortes que poderiam ter sido evitadas. Na época os coquetéis eram de fato intolerantes e com mais de 15 comprimidos, às vezes, levando ao abandono do tratamento e a apostar no prestigiado Professor de Berkeley e não existiam as chamadas mídias sociais (Facebook, Instagram Twitter, etc.).

Como exemplo citamos a África do Sul aonde o sucessor de Nelson Mandela adotou a posição de Duesberg oficialmente e que iriam resistir ao “terrorismo” dos cientistas, adotou tratamento com ervas medicinais como alho, sumo de limão e raiz de beterraba que foi proposto, inclusive, pelo Ministério da Saúde da África do Sul, resultado 400 mil mortos e até hoje um dos países com maior número de infecção pelo HIV, apesar de hoje adotar os tratamentos adequadamente recomendado.

Por isso é fundamental que conheçamos a história da humanidade para evitar os mesmos erros com resultados desastrosos.

Temos que lembrar dos resultados fantásticos das vacinações em massa contra a pólio, a hepatite B (decréscimo acentuado do câncer de fígado) da vacina para HPV previne o câncer de colo te útero e de pênis) e tantas outras.

Lembrando que o Brasil é líder em programas de vacinação em massa. 

Os resultados nos gráficos de decréscimo da pandemia provam a verdade da ciência.
 
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NAILTON LYRA

NAILTON LYRA

O Doutor ​NAILTON Jorge Ferreira LYRA é médico e Conselheiro Regional de Medicina e Conselheiro Federal de Medicina representando o Estado do Maranhão

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