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30/07/2021 às 19h55min - Atualizada em 30/07/2021 às 19h55min

Criador do Tocantins, Siqueira Campos completa 93 anos

No Tocantins, das primeiras expedições através dos rios Araguaia e Tocantins no distante século XXVII até a Assembleia Nacional Constituinte, quando definitivamente o então norte goiano deu adeus ao Estado de Goiás, o que era embrionário, sempre foi semente libertária.

Illya Nathasje
Siqueira Campos, o maior protagonista da história do Tocantins - Foto: Divulgação/SECOM-TO
 
Nascido em Crato no Ceará, em 1928, filho do mestre Pacífico e de dona Regina, José Wilson Siqueira Campos chega neste domingo aos 93 anos. O maior protagonista da história do Tocantins tem uma história de luta enraizada nessas terras. De tão umbilicalmente ligado, não seria exagero dizer que o fundador da Cooperativa Goiana de Agricultores, que deu voz ao movimento popular pela criação do novo estado e vereador por Colinas, poderia ter nascido em 5 de outubro de 1988, dia da criação do Estado, resultado de sua principal bandeira de luta e realização. 

No Tocantins, das primeiras expedições através dos rios Araguaia e Tocantins no distante século XXVII até a Assembleia Nacional Constituinte, quando definitivamente o então norte goiano deu adeus ao Estado de Goiás, o que era embrionário, sempre foi semente libertária. O inquieto padre Antonio Vieira, no pós povoamento da região, já planejava com apoio de grupos vários – colonos, mercadores judeus e indígenas até – o estabelecimento da Capitania do Tocantins. De tantas aventuras, por mais essa, Vieira acabaria preso em Belém em 1661 e depois, “enviado” a Europa.

Prevalecia a luta, sempre tentada, nem sempre bem-sucedida. Os capitães Felipe Antônio Cardoso e Xavier de Barros; o padre Joaquim Coelho de Matos e o ouvidor Joaquim Theotônio Segurado; Felipe Antônio Cardoso, o tenente-coronel Pio Pinto de Cerqueira, o capitão Lúcio Luiz Lisboa, os tenentes José Bernardino de Souza Ferreira e Joaquim José da Silva; Silvério José de Rangel foram personagens do movimento libertário sublevado contra o governo de Vila Boa e inicialmente estabelecido em Cavalcante como governo provisório da Província de São João da Palma e depois, por desavenças, em Arraias e Natividade. 

Dissolvida a Província (sufocada pela ação do padre Camargo Fleuri) veio o século XX, outros personagens e a retomada do movimento separatista: Osvaldo Ayres, Trajano Coelho, Lysias Rodrigues e Fabrício Freire eram baluartes na imprensa. A quatro mãos, em 13 de maio de 1956, o juiz Feliciano Machado Braga, juntamente com Fabrício Freire, elaboram o Manifesto à Nação, imediatamente encorpado por Francisco de Brito, representante de Conceição na Assembleia Legislativa de Goiás. A ideia logo foi encampada pelos deputados Paulo Magalhães, Antônio Carneiro Vaz e Almerinda Arantes. Merece destaque a criação (10 de outubro de 1960) por parte do professor Ruy Rodrigues da Silva, da Casa do Estudante do Norte Goiano. Esta, sediada em Goiânia, tinha núcleos estabelecidos em Pedro Afonso, Porto Nacional, Miracema, Dianópolis e no Rio de Janeiro. O objetivo? Discutir e mostrar o abandono da região. Com o golpe militar de 1964 veio a extinção.

Tudo recomeça em 1971, quando chega à Câmara dos Deputados José Wilson Siqueira Campos, deputado em primeiro mandato carregando a bandeira da retomada da luta separatista. Projetos de criação do Estado do Tocantins com a proposta de divisão territorial do país atravessaram os anos de 1972, 1974 e 1978.  Em 1981, a criação da Comissão de Estudos dos Problemas do Norte (CONORTE), sediada em Brasília e com subcomissões em cinco cidades deu reforço a luta que chegaria a 1985 e o veto do presidente José Sarney aos três projetos em curso no Congresso Nacional que propunha a criação do Estado, de autoria do deputado Siqueira Campos e dos senadores Benedito Ferreira e Amaral Peixoto. 

Em protesto, restou a Siqueira Campos iniciar greve de fome na Câmara dos Deputados, ato esse, compartilhado pelo deputado Totó Cavalcante na Assembleia Legislativa de Goiás. 98 horas depois viria a nomeação de uma comissão de redivisão territorial com objetivo de estudar a criação do novo Estado. O Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins, presidido pelo juiz Darci Coelho e seus principais articuladores, João Rocha, Célio Costa e Adão Bonfim Bezerra consolidou a emenda (Siqueira Campos) popular com mais 80 mil assinaturas entregue ao presidente da Assembleia Nacional Constituinte (agosto de 1987), Ulysses Guimarães e que resultaria depois de séculos de luta, com a aprovação em segundo turno (27 de julho de 1988) na criação do novo estado.

No dia 5 de outubro de 1988 a nova Constituição Federal trouxe ao pódio dois vitoriosos, Siqueira Campos e o Estado do Tocantins.

Neste domingo de um tempo marcado pela pandemia e seus efeitos, uma super live organizada por amigos, familiares e pelo senador Eduardo Gomes, exibirá vídeos com depoimentos de amigos, familiares, admiradores e lideranças políticas de todo o estado e de todas as siglas partidárias, em comemoração ao aniversário do primeiro e governador de quatro mandatos, cujas obras, entre elas a criação e construção de Palmas, a mais moderna capital do Brasil, incrustaram no Tocantins o perfil de trabalho, desenvolvimento e modernidade.

O evento será transmitido por canal no Youtube (@governadorSiqueiraCampos), a partir das 10 horas. 

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