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25/11/2022 às 21h58min - Atualizada em 25/11/2022 às 21h58min

Uma revolução atrás da outra

No reino dos algoritmos

Elson Araújo
Para quem, como eu gosta de visitar os fatos históricos é perfeitamente perceptível que a história da humanidade tem sido construída sob o legado acumulado das revoluções. É uma atrás da outra. A sociedade global com seus usos, costumes, sistemas de crença e de governos vive sob o capital dessas revoluções.

Quando a gente pensa em revolução o que primeiro vem na direção do nosso estado de vigília é a luta armada, o pegar em armas, a tentativa ou derrubada de governos por meio dos movimentos de guerra e ou guerrilhas.

A Revolução Gloriosa Inglesa, a Revolução Meiji no Japão, a Revolução Francesa, a Guerra de Secessão nos Estados Unidos e a Revolução Socialista Russa, para ficar nas mais famosas, e que foram marcadas por milhares de mortes, certamente ajudaram a fortalecer a definição do processo revolucionário como um universo violento.

A própria etimologia da palavra,  do latim revolutìo,ónis, “ato de revolver”,  que  se traduz como o processo abruto de mudança  no poder político ou na organização estrutural de uma sociedade, nos remete a pensar logo que  revolução, é de fato, um movimento pautado por eventos de violência.

Na origem até que poderia se justificar tal entendimento, mas hoje não é mais assim. Desse modo, como a própria humanidade, o termo revolução também passou por mudanças e hoje não é mais interpretado somente como a tomada do poder por meio de métodos violentos.

Imperatriz já teve uma revolução. “A revolução de janeiro”, nomenclatura dada ao movimento popular mais importante que se tem notícia na história da cidade, e que decorreu do assassinato do então prefeito Renato Moreira, em outubro de 1993. O levante de vários dias, sem armas, resultou no afastamento do vice-prefeito e na nomeação de um interventor, pela governadora do Estado naqueles idos.

Alguém pode entender que a “revolução de janeiro” não se enquadre nas “quatro linhas” do que venha a ser, de fato, uma revolução, mas mostra como ao longo do tempo o termo vem sendo utilizado de modo e circunstâncias diversificados, mas com sua essência preservada no sentido de caracterizar um estado de mudança, quase sempre radical.

Não é à toa, portanto, que a palavra revolução em tempos atuais sirva para descrever as mudanças rápidas, e muitas vezes profundas, que o mundo passa nos campos da ciência, tecnologia, economia, comportamento humano, individual e coletivo, e no processo de comunicação social; esta última, penso, uma das mais importantes, porque é passiva de manipulação e capaz de conduzir a sociedade a um estado permanente de beligerância, como já pode ser sentido.

Ao passo que essa revolução na comunicação social, que tem como elemento indutor os avanços tecnológicos, proporciona a informação em tempo real, literalmente na palma da nossa mão, também aperfeiçoou métodos quase imperceptíveis de manipulação das massas. A todo instante somos induzidos, à intransigência e à intolerância com relação a opiniões, crenças e ao modo de ser que reprovamos ou julgamos falsos. O resultado disso é uma verdadeira e grave divisão de mundos.

Não se espante! A distribuição da informação, verdadeira ou falsa, é controlada por algoritmos. Não aqueles conceitualmente ensinados pelos professores de matemática, mas aqueles que na estrutura da rede mundial de computadores (internet) são os responsáveis por processar, em segundos, grandes volumes de informações.

Os algoritmos são utilizados, por exemplo, para classificar conteúdos em redes sociais, fazer buscas mais eficientes ou criar recomendações personalizadas. Isso significa que a maior parte das informações que chega na tela do nosso computador ou do smartphone, não é resultado do acaso, mas são baseadas nos dados sutis capturados por meio dos milhares de cliques que diariamente protagonizamos durante o tempo que navegamos pelas plataformas digitais. É bom a gente ter consciência disso!

Parece algo sobrenatural, mas é possível entender que os algoritmos operam para não nos aborrecer enquanto usuários da grande rede ao fazer chegar até nós apenas aquelas informações que, de alguma forma, nos agradem e venham autenticar a escolha de um produto, ou de um conceito, pensamento, uma ideologia, muitas vezes já preexistentes.

Imagine o poder que hoje armazenam os controladores de toda essa engrenagem. Não nos enganemos, vivemos hoje sob a égide de uma revolução tecnológica que parece sem fim.

A questão que se impõe diante desses “novos tempos “é como é possível a humanidade lidar com isso?

Com ainda não existe uma vacina contra a manipulação individual e de massas, um passo inicial seria aguçar cada vez mais os sentidos e desconfiar de tudo, já que não é possível ter certeza de nada.

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