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03/06/2022 às 20h09min - Atualizada em 03/06/2022 às 20h09min

Seminário discute perspectivas para a Educação do Maranhão

Levantamento da consultoria IDados aponta que Maranhão tem o terceiro pior ranking dos estados e compromete as chances de futuro dos jovens; pandemia deve agravar cenário

Da Redação
Imprensa/Sistema FIEMA
Foto: Divulgação
 
SÃO LUÍS – Segundo levantamento do IDados Consultoria que realizou um diagnóstico da Educação do Maranhão a situação é preocupante e deve ser agravar com a evasão escolar provocada pela pandemia, aliada as altas taxas de reprovação. Segundo o levantamento, as perdas progressivas de alunos no Ensino Médio no 1º ano, chegam a 11,2%, já no 2º ano beiram os 10,1% e no 3º ano estão em 7%.  

Esses números evidenciam o despreparo para o mercado de trabalho, as perdas ainda são maiores no ensino médio técnico e a distorção idade-série muito maior que na rede privada. Ainda segundo o levantamento, as notas do Maranhão são parecidas com a média nacional de 2009 e o desempenho do ensino médio e o Estado ocupa o terceiro pior no ranking dos estados. 

Esses dados foram apresentados na manhã da última quinta (02/06) durante o encontro “Perspectivas para a Educação no Maranhão”, capitaneado pelo ex-deputado federal Gastão Vieira e que teve a intenção de analisar os resultados de performance da educação no Estado do Maranhão, examinar alternativas para dar um salto de qualidade, engajar a sociedade e estimular demais “players” interessados em promover o avanço do sistema educacional no estado.  

O levantamento também enfatiza que sombras vagas no ensino superior, os candidatos não são qualificados o suficiente e refletem o baixo desempenho. Por outro lado, os professores do Maranhão ganham mais que nas escolas privadas, mais que os professores do Nordeste e do Brasil, ganham mais que profissionais com ensino superior e a maioria dos professores possui alto grau de escolaridade e conclui que há ineficiências na rede, o desempenho dos alunos é muito baixo, reflete no ingresso do ensino superior e no mercado de trabalho e faltam políticas consistentes que sejam capazes de alterar esse cenário. 

O encontro ocorreu no auditório do Colégio Dom Bosco e contou com a participação do ex-deputado Gastão Vieira, de Mariana Leite e Thais Barcellos, do Instituto IDados, João Batista Oliveira, do Instituto Alpha e Beto, e Rafael Lucchesi, diretor geral do SENAI e diretor de Educação e Tecnologia da CNI que abordou o tema “Saídas para o ensino médio”.  
Em sua participação online, Lucchesi destacou que 1 a cada 3 jovens não finaliza o Ensino Médio. “Isso dificulta a inserção no mercado de trabalho e os custos sociais e econômicos altamente elevados. Temos no país 7 milhões dos jovens com idade entre 15 e 24 anos que não trabalham e nem estudam, isso representa 33,8% da população nessa faixa etária”, enfatizou Lucchesi enfatizando os desafios da educação no país. 

Lucchesi ressaltou ainda que os sérios impactos educacionais da população, a evasão escolar traz um custo para o Brasil  de R$ 220 bilhões de perda total anula para o país, o que equivale a 3,3% do PIB anual.  

“Esse custo representa um custo social que equivale a 81% do gasto do Governo Federal, dos estados, do DF e dos municípios com a provisão de educação básica, algo em torno de R$271 bilhões/ano”, disse Lucchesi.  

De acordo com dados do Observatório Nacional do SESI/SENAI/IEL com base no anuário da educação básica, 89% das matrículas do Ensino Médio são de formação geral com foco na preparação para o ensino superior e apenas 21,5% dos jovens de 18 a 24 anos chegam na universidade, já para o ensino de formação técnica esse número reduz para 11%.  

O diretor do SENAI chamou a atenção dos educadores que participaram do encontro que nos países europeus mais da metade dos jovens fazem educação profissional junto com a educação regular. Esse índice chega a 43% de estudantes de ensino secundário na União Europeia, enquanto no Brasil esse número é de apenas 9%. Para Lucchesi a maior parte dos que optam pela educação profissional, o fazem apenas após a conclusão do ensino médio.  

NOVO ENSINO MÉDIO – Segundo Lucchesi, o novo Ensino Médio abre a oportunidade para integrar o mundo da educação e do trabalho, inspiradas na Base Nacional Comum Curricular. Isso pode contribuir para a diminuição dos elevados índices de repetência e evasão no Ensino Médio, precisam estar sintonizados com a complexidade e dinâmica do mercado de trabalho, devem utilizar de forma eficiente e coordenada a rede educacional, pública e privada. 

A proposta do Novo Ensino Médio surgiu após a percepção da estagnação dos índices de desempenho dos estudantes brasileiros. Além disso, entre as etapas da educação básica, o ensino médio é a que tem as maiores taxas de abandono, reprovação e distorção idade-série (atraso escolar de dois anos ou mais). 

Foram muitas as justificativas para reformular a última etapa da educação básica: um ensino de baixa qualidade, generalista, com número excessivo de disciplinas, alto índice de evasão e de reprovação e distante das necessidades dos estudantes e dos problemas do mundo contemporâneo. 

De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2020, apenas 65,1% dos brasileiros concluíram o Ensino Médio na idade esperada, até os 19 anos – percentual que chega a 51,2% entre os mais pobres. E 12% dos brasileiros com idades entre 15 e 17 anos estão fora das salas de aula.
 
“A escola precisa, portanto, conversar com a realidade atual, promover um ensino alinhado com as necessidades dos estudantes e os preparar para viverem em sociedade e enfrentarem os desafios de um mercado de trabalho dinâmico”, destacou Lucchesi ao enfatizar que a falta de experiência é a principal dificuldade para 26% dos jovens conseguirem emprego no Brasil, seguida da formação e da qualificação.

Até 2025, o Brasil precisará qualificar 9,6 milhões de pessoas em ocupações industriais, sendo 2 milhões em formação inicial – para repor inativos e preencher novas vagas – e 7,6 milhões em formação continuada, para trabalhadores que devem se atualizar. Isso significa que, da necessidade de formação nos próximos quatro anos, 79% serão em aperfeiçoamento.  

O mercado de trabalho passa por uma transformação, ocasionada principalmente pelo uso de novas tecnologias e mudanças na cadeia produtiva. Por isso, cada vez mais, o Brasil precisará investir em aperfeiçoamento e requalificação para que os profissionais estejam atualizados. Essa é a principal conclusão do Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, estudo realizado pelo Observatório Nacional da Indústria para identificar demandas futuras por mão de obra e orientar a formação profissional de base industrial no país citado por Lucchesi que nos próximos quatro anos, devem ser criadas 497 mil novas vagas formais em ocupações industriais, saltando de 12,3 milhões para 12,8 milhões de empregos formais. Essas ocupações requerem conhecimentos tipicamente relacionados à produção industrial, mas estão presentes em outros setores da economia.  

O diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, reconhece que a recuperação do mercado formal de trabalho será lenta em razão da retomada gradual das atividades econômicas no pós-pandemia. Para melhorar o nível e a qualidade do emprego e contribuir para o progresso tecnológico e aumento da produtividade nas empresas, será indispensável priorizar o aperfeiçoamento de quem está empregado e de quem busca novas oportunidades.

A NOVA LEI DO FUNDEB -  A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o projeto de lei que adia para 2024 a definição de novos índices para rateio dos recursos do Fundeb quanto ao valor anual por aluno entre etapas, modalidades, duração da jornada e tipos de estabelecimento de ensino. O texto aprovado foi substitutivo do relator, do ex-deputado  Gastão Vieira  também aprovou uma emenda para incluir as escolas do Sistema S entre aquelas cujas matrículas poderão ser consideradas para fins de rateio dos recursos do Fundeb, no Ensino Médio. 

Essa nova legislação permite as entidades do Sistema S (por exemplo SESI e SENAI) façam parcerias com Estados e municípios para ofertarem vagas de educação básica e profissional com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). 

“Agradeço o convite do deputado Gastão para participar desse encontro e colocamos o SENAI à disposição para que possamos iniciar esse projeto piloto no Maranhão e que sirva de modelo para o país. O deputado Gastão é um dos políticos mais competentes na área de educação e que desenvolveu a aprovação dessa PL que dar uma restruturada na educação desse país. Foi uma luta muita grande de incluir na rede pública a participação do Sistema S, onde os alunos da rede pública terão acesso ao sistema S”, afirmou Lucchesi. 

O deputado Gastão finalizou destacando o apoio e a dedicação em favor da Educação “a minha luta pela educação sempre teve a FIEMA como parceira e a ideia que eu tinha era fazer uma avaliação de como a população maranhense estava vendo a educação. Temos uma pesquisa revolucionária de como a população pensa a educação nesse momento pós-pandemia. Em segundo lugar eu aprovei uma lei no congresso que os alunos do Ensino Médio em tempo integral, pudessem fazer seu contraturno nas escolas do SENAI. Isso está aprovado e não entra em vigor. Não sei o que está acontecendo, que não há esse entrosamento para que possamos mudar a Educação. Sentaremos com a Secretaria de Estado para ver como isso se dará, nós não temos tempo a perder. A entrada do Sistema S nesse processo vai mudar a realidade desses alunos”, finalizou Gastão. 

O superintendente do SESI-MA, Diogo Lima, que representou o superintendente do SENAI, Raimundo Arruda no evento destacou que essa iniciativa é muito importante. “O deputado Gastão foi responsável por uma lei importantíssima para o Brasil. Permite que as instituições do Sistema S, especialmente o SESI e o SENAI que tem expertise em ensino médio e cursos profissionalizantes possam atuar em conjunto com o Poder Público no florescimento desse novo modelo de educação, articulada com uma educação de qualidade oferecida pelo SESI e SENAI e isso é uma nova oportunidade que alunos da rede pública já saiam do Ensino Médio qualificados para o mercado de trabalho, permitindo assim novas formas de oportunidade com emprego, renda e entrada no ensino superior ou na vida profissional”, destacou Diogo que estava acompanhado da assessora da Coordenação de Educação, Tecnologia e Inovação do SENAI-MA, Luciana Ferreira.   

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