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14/01/2022 às 20h40min - Atualizada em 14/01/2022 às 20h40min

DOE QUEM DOAR, NO CASO VOCÊ

Phelippe Duarte
 
No limite do céu e da terra, entre as nuvens e o cheiro do chão, existem as chuvas. Quando chove, agradecemos, como uma benção que vem lá de cima, molhando-nos de esperança. Mas quando as chuvas levam muros, tetos, geladeiras, televisões, roupas e sonhos, podemos dizer que são bênçãos recebidas? São situações como estas que não cabem dizer que bens materiais não importam. Importam quando tudo o que você tem é levado pela chuva que outrora era uma benção. O Maranhão está se afogando. É assustador vermos famílias desabrigadas, enquanto algumas pessoas reclamam de uma goteira no forro da cozinha, porque está molhando o fogão. Outros reclamam do barulho da chuva na janela de vidro temperado cor verde, pois os ouvidos são sensíveis. E até ficam loucos, quando molham o cabelo saindo do salão. Tão surreal a realidade incoerente dos mundos de cada família e do significado do ter e do dar importância ao ter, que a única que não difere quem é rico e quem é pobre, é a força da natureza. Do jeito que leva uma casa de barro, as enchentes podem levar uma Mercedes. Vimos isto acontecer e não muito distante, é que as pessoas têm memória curta e gostam de brincar com o perigo ou simplesmente, zombar.

As águas estão acima do nível além do que imaginávamos. Nas cidades de Barra do Corda, Jatobá, Grajaú e Colinas, o estado é de calamidade. O rio Itapecuru subiu oito metros. São muitas famílias apavoradas, quase 6000 mil  pessoas sem ter onde pisar. Pontes caíram, pedaços de estrada foram destruídos, ruas cederam... se continuar assim, temos que achar nosso Noé. Queria muito estar falando de um ano promissor como 2022, mas deixaremos isso de lado por não fazer diferença neste momento. Portanto, é a nossa vez de agir. Parece-me que às vezes Deus usa da natureza para ver se as pessoas ainda se preocupam umas com as outras, para observar se temos a capacidade de sairmos do nosso mundinho sequinho ou com goteiras, e ajudar, nem que seja com um cobertor velho. O mínimo é o detalhe que move o máximo. Então, façamos o mínimo que será o máximo para muita gente. Fazendo uso da letra de Gustavo Lima, porém modificando para melhor, doe a quem doar, no caso você. Doe. Vá no fundo do seu armário, com certeza achará alguma coisa que você guarda com carinho, mas que chegou a hora de dar um propósito para esta coisa. Às vezes você guardou essas roupas, sapatos, cobertores velhos, não por que era legal ou por ter sentimento, mas por que Deus estava te usando para não jogar fora, e agora, doar para quem está precisando urgentemente. Deus também escreve certo por roupas velhas e sapatos tortos.

Para que não tenhamos que pedir ajuda a algum marceneiro de nome Noé, vamos contribuir com o que podemos e com o que não podemos. Um grito de socorro pode ser evitado. Aqui dedico todo o meu aplauso a turma do Movidos Por Amor, que se dedicam antes mesmo de tragédias como estas acontecerem. Porque amar não é somente na dor. Doar, não tem que ser apenas no Natal. Ser solidário, não agora, mas sempre. E as figuras políticas? Uns andaram sobrevoando de jatinho os estragos da chuva e a elevação dos rios. Tomando um uísque, comendo uns biscoitos... observando votos afundarem. Que façam qualquer coisa, mesmo que seja pensando em ano eleitoral. Importante é fazer, não importa o motivo. Faça a sua parte. Não vai doer nada, doar, não vai onerar nada, só gastar o seu tempo. Enquanto isso, oremos para que as águas se acalmem e voltem apenas a ser o que são: belezas naturais.

Phelippe Duarte – administrador e publicitário
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