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28/05/2022 às 00h00min - Atualizada em 28/05/2022 às 00h00min

O mundo dos robôs

AURELIANO NETO

AURELIANO NETO

Doutor Manoel AURELIANO Ferreira NETO é magistrado do Tribunal de Justiça do Maranhão

 
Não é futurismo. Nem sonho, nem pesadelo. È a realidade. E, nós humanos, ou melhor, ainda humanos, devemos tomar as devidas e necessárias precauções. Os robôs já chegaram com muita “vontade” de serem os timoneiros de nossas vidas. O noticiário nos informa que a Arábia Saudita já se encontra bem à frente no processo de robotização. É a primeira nação do mundo a conceder cidadania a um robô. Dizia a notícia: seu nome é Sophia, se veste com roupas femininas e que se parece com a grande atriz Audrey Hepburn, aquela meiga personagem de Bonequinha de Luxo, clássico do cinema, de 1961. No entanto, em que pese essa agradável coincidência, há aqueles que contradizem essa afirmação hollywoodiana, porém não negam que Sophia é um desejável robô-mulher.

Ainda bem. Para quem adora tecnologia sexual, a robô saudita tem um gênero definido. Na Alemanha, foi aprovada uma lei, que possibilita ser incluído no registro de nascimento um terceiro gênero, além do masculino e feminino, que pode ser “outro” ou “diverso”. Isso a dizer: nem uma coisa nem outra. O interessado ou a interessada podem optar por não aderir a qualquer dos sexos. Realidade que estamos a viver e que foge do antigo e tradicional “salão unissex”. Ou seja: há gênero humano ou robotizado, sem a determinação do sexo. Reconstrói-se, num sentido mais pragmático, por necessidade dos tempos novos, a sempre citada lição de Simone de Beauvoir, que, em O segundo sexo, proclamou essa perspectiva de que não se nasce mulher, torna-se mulher. Creio que, com as devidas mudanças valorativas, deve também ser dito em relação ao homem: não se nasce homem, torna-se homem. E os alemães, como sempre na dianteira, aderiram ao terceiro gênero. Em dúvida, preferiram ficar na mesma a não arriscar. Já foram derrotados em duas guerras de verdade, então optaram pelo terceiro gênero. Ou quarto ou quinto, quem sabe.

Os robôs, se não abrirmos os olhos, e, diga-se, bem abertos, na base do olho vivo, estão aos poucos e aos muitos, chegando com a claríssima intenção de tomar os nossos lugares. Tenho alertado alguns amigos sobre mudança escatológica. E não sem razão. Vejam só o que li num texto da Ilustríssima, de autoria de Paulo Feldmann: “Em breve um robô vai lhe entregar a pizza de domingo. Talvez seu condomínio não exija que você desça até a portaria para apanhá-la, pois não vão suspeitar que possa ser um assalto. Na Alemanha (e lá vem a Alemanha, outra vez), esse serviço está em pleno funcionamento – e a pizzaria é uma rede que atua no Brasil.” Após a leitura, saí do mundo da ficção. A curiosidade me provocou a continuar para ver aonde iria a ousadia tecnológica. E constatei que vai bem mais adiante. Continua Feldmann: “Mas isso é pouco: logo essa pizza será resultado de um processo totalmente automatizado.” (Se já não estiver, sem exclamação.) E diz mais o Sr. Feldman, que não sei se é robô: “Se você acha que esse cenário pertence à ficção, ou que vai demorar muitos anos até ele se tornar realidade, pesquise sobre a americana Zume Pizza. Situada no Vale do Silício, a casa entrega comida feita por robôs. E o pior é que os consumidores da Califórnia têm adorado a novidade.” Deduzo que deve ter um gosto robotizado.

Alguém – mais esperto e experto, me alertará: nada de novo no front. Nosso destino é esse mesmo. Parece que sim. Mas a dúvida me assalta. Sei que já existem hospitais em países europeus, como a França, que utilizam robôs para atender pacientes, em substituição às pobres desempregadas enfermeiras ou enfermeiros. Como também há robôs que, tecnicamente, participam de cirurgias sob – ainda!?, ressalve-se – o comando do cirurgião. Em alguns países asiáticos, há veículos robotizados que não mais necessitam de motorista. Na Califórnia, da pizza robotizada, se alguém se envolver em problemas com o trânsito, não dependerá mais de advogado para apresentar o recurso. Há um robô, com inteligência artificial, que tem a capacidade “mental” de redigir petições para recorrer da multa a quem descumpre a regra de trânsito. E o interessado em se livrar da multa não precisa nem mesmo telefonar para despachante e para advogado. O robô está à disposição em pronto atendimento.

E o debate no mundo tem sido acirrado. Algumas questões vêm à tona, por força da sobrevivência dos ainda humanos: os robôs têm inteligência? têm consciência? têm autoconsciência? têm a capacidade de perceber ou de sentir as coisas? Se forem afirmativas as respostas, os Códigos Civil e Penal devem sofrer graves alterações, pois são dotados de direitos e obrigações.

Como sou tradicionalista, com imensas dificuldades de robotizar-me pelo celular e computador, insisto, como um jumento de estrada, em dizer aos companheiros de luta do cotidiano, para não se robotizarem, cerrando fileira cívica, e sejamos, o quanto possível, mais humanos e sensíveis ao nosso exíguo e passageiro mundo de vida e morte. A máquina está cada vez mais ousada. No Reino Unido, uma universidade, está criando robôs (ainda robôs, felizmente) que gerarão seus próprios descendentes, viverem entre nós como se fossem nossos irmãos de sangue e camaradas em nossas estrepolias mundanas. Antes que venha a guerra nuclear, liderada por robôs/gente, segundo o arquimilionário, Soros, fiquemos alertas, ou... O resto é com vocês.

* Membro da AML e AIL.
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