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14/05/2022 às 00h00min - Atualizada em 14/05/2022 às 00h00min

O CALHAMAÇO

 
CALHAMAÇO – era uma palavra da velha burocracia que significava: “uma porção de papéis, indicativos de supostos documentos”. O calhamaço despertava um tom pejorativo, desprezível, aborrecente. Falou que era um “calhamaço”, aí era virar ou tapar o nariz. Assim, o calhamaço soava mal, cheirava mal. Indicava mal.

Faz tempo – ou um tempão?  - E no País das Maravilhas, os interesseiros vestidos de defensores da causa pública e honrarias e méritos acima do bem e do mal, foram entregar um CALHAMAÇO de papelada para o Presidente da Edilidade. Tudo contra os desmandos do guardião, que também chamava-se INTENDENTE. O Intendente era quem tinha as chaves da despensa para aprovisionar todo o serviço e assalariamento e consumo dos plebeus. Quer dizer, da Plebe.

E levaram o CALHAMAÇO ao Chefe da Edilidade juntando “provas” (entre aspas e sem aspas) de desvios, falcatruas, trambiques, malversação do erário e outros do ramo. Alegavam que a “Burra do Paço” (cofre público de guardar dinheiro) estava sendo dilapidado.  Levaram junto até câmeras de TV e gravador e eunucos e até o “Escrivão da Frota” que era para lavrar e registrar em ata, a solene entrega do CALHAMAÇO. E, portanto, o requerimento de apreciação pelos Tribunos da Plebe, os “Homens Bons”, como era da nomeação. Que era para encalacrar o Intendente. Vixe Maria!

Deixa que o Chefe da Edilidade era “assim” (esfregue entre si os dedos indicadores – um ao outro) com o Intendente. Aí foi patético:  O Chefe da Edilidade recebeu formalmente, simpaticamente o calhamaço e já naquele tempo prometeu “PAUTAR” aquele queixume contido no CALHAMAÇO, por aqueles gatos pingados. Foi simplesmente patético! Vinte e quatro, quarenta e oito  horas depois, acreditem, aquele “problemão” foi posto para julgamento pelos TRIBUNOS DA PLEBE. Um jogo  de cartas marcadas, quais as decisões da SUPREMACIA, composta pelos “Doutores da Lei” em que votos e opiniões e decisões, são conhecidas e propaladas antes mesmo do julgamento. Que beleza, né?

Aquilo não foi uma palhaçada, foi um circo todinho com lona, picadeiro, portaria, tudo enquanto é cerca, trapézio, malabares, toda a bicharada,  tudo juntos e misturados. Foi patético! Ainda tinha à frente da trupe dos “condoídos”, uma ilustre dama de ferro “co-mentora” e “co-articuladora” daquele  CALHAMAÇO – um “banqueeete” de coisa nenhuma... quer dizer, de tudo enquanto!

Foi uma piada! Bem ali a gente via e ouvia o Macaco Simão: “O Brasil é o país da piada pronta”. Tudo aquilo, aquele montão de supostas provas contra o Intendente (que cuida do aprovisionamento da plebe), não passou de um CALHAMAÇO e de uma piada pronta.  E os TRIBUNOS DA PLEBE, junto com o Chefe da Edilidade  comemoraram a besteira dos bestas. Digo: a tolice dos tolos. A conduta me fez lembrar aquela de “entregar o galinheiro  aos cuidados da raposa”.

Taí no que dá o CALHAMAÇO! No país das maravilhas é assim! E Marquinhos Satã em parceria com Roberto Ribeiro cantando: “Eu gosto, eu gosto / Me engana, me engana, me engana que eu gosto.

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Nas lacônicas e incisivas cobranças  semanais que me faz o CAPIJAS para não esquecer de mandar o texto – uma missão que aliás eu lhe conferi de bom grado como “meu Embaixador”, junto à Editoria de O Progresso,  o moço até que tem cumprido a missão, no que aliás muito me desperta e agrada -  tal a prestimosa colaboração.

Falei para o SEU CAPIJAS que eu tinha dois medianos textos, porém, não queria mandar publicá-los a um só tempo, para não gastar duas onerosas e lindas “balas de prata” no mesmo alvo, quer dizer: no mesmo espaço. CAPIJAS,  do alto de sua sabedoria, não vacilou e ditou mordendo e atropelando as palavras: “Faça uma síntese, faça uma síntgese e faça um só texto”.  Vejo então o quanto CAPIJAS foi de uma sabedoria “Salomônica”!
Taí Capijas,  uma das balas de prata. Mas... se você souber, que me conte outra.

* Viegas questiona o social
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CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

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