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11/09/2021 às 00h00min - Atualizada em 11/09/2021 às 00h00min

O apêndice


  
O ano 1961, cidade de Benjamin Constant, uma vila, perdida na ampla Hileia Amazônica, na época atendida por médicos da fundação SESP, um médico novo, recém formado, cheio de sonhos, junto com sua jovem esposa, uma farmacêutica, também da fundação SESP e com seu filho, com três meses, atendia a localidade uma vez por semana, deslocando-se de Manaus à vila às quartas feiras, em um Cessna 210 por uma distância, sobre a mata virgem, de cerca de 1200 km, sendo 5 horas de viagem em voo visual, desviando de carregadas nuvens de chuva comuns em determinadas épocas na Amazônia, único cirurgião em milhares de quilômetros.
 
O pequeno hospital, na tríplice fronteira Peru, Brasil e Colômbia, onde eram deixados pelo avião, que retornava para ouros afazeres necessários ao Brasil, na imensa floresta tropical, tinha como suporte de emergência um barco rápido com motor de popa, um barco com motor estacionário, pesado, lento e um rádio SSB. Os atendimentos agendados e cirurgias eram realizados e o médico retornava a Manaus, avisando, por rádio, do final dos procedimentos, quando o 210 decolava de volta para resgate do casal de jovens médicos, profissionais de saúde e farmacêuticos.
 
Após a aeronave deixar o médico cirurgião na vila, fazendo seu trajeto de volta, ele começou a sentir-se mal, estando pior no dia seguinte quando ele mesmo fez o diagnóstico da apendicite, solicitou que informasse pelo rádio a Manaus à necessidade do seu resgate, rádio inoperante!, solicitou enviar o barco rápido a Tabatinga, motor com defeito!, o jeito foi mandar o lento e pesado barco com motor estacionário, ficou ansioso marcando o tempo do possível retorno, quem viajou nesses barcos sabe de sua lenta velocidade e a vila é situada a jusante de Tabatinga, tendo, esse barco, que ir contra a corrente do imponente e caudaloso rio Amazonas, quando percebeu que este não chegaria a tempo e com seu quadro se agravando, chamou sua jovem esposa, farmacêutica e um colega clinico, realizou anestesia local e com ajuda de um ESPELHO, orientou e localizou o apêndice, preparando a sua retirada, a anestesia local no início, e na época, complementada, a seguir com máscara de Ombredrane conduzida pela sua jovem esposa, a farmacêutica, no dia seguinte chegou a aeronave conduzindo o jovem casal de volta a Manaus.
 
O Médico jovem cirurgião, Dr. Antônio Regis de Albuquerque, a Farmacêutica, Dra. Eimar de Andrade Melo, que retornou a Recife e formou-se em medicina, a criança de três meses o Dr. Antônio Regis de Albuquerque Junior. Fundadores do Hospital São Vicente Ferrer de Imperatriz, onde dedicaram suas vidas ao exercício da Medicina. Bom, então estamos falando de um órgão chamado de apêndice, muitos perguntam “Para que serve, então, o apêndice?” para inflamar? Dando origem a apendicite? NÃO! O apêndice tem funções sobre quais falaremos para uma rápida compreensão. Mas o que é o apêndice? É uma pequena bolsa em forma de tubo que está ligada ao intestino grosso, na parte inferior direita do abdome, e quais seriam essas funções?, Em 2007 pesquisadores da Duke University divulgaram que a função do apêndice é fabricar e servir de depósito de bactérias que auxiliam na digestão, além disso, produzem anticorpos e células linfoides que ajudam a defesa do organismo, essas células vão se acumulando após o nascimento até idade de 20/30 anos, além disso, produz os anticorpos tipo IgA importantes para eliminar bactérias de mucosa como os olhos, boca e órgãos genitais.
 
Voltando ao quadro clínico de nosso saudoso Dr. Regis, e a apendicite como se desenvolve?, Como prevenir e quando operar? A apendicite é um processo inflamatório do apêndice ocasionado pela obstrução de seu lúmen, por corpo estranho, por agregados linfoides e ouras causas menos frequentes, acumula secreção em seu interior com infecção secundária, sua dilatação e por último sua perfuração, que ocasiona quadros graves de septicemia (infecção) abdominal - apendicite supurada.
 
O tratamento consiste em ministrar antibióticos de amplo espectro e a cirurgia que resolve 100% dos casos e é segura e atualmente realizada de preferência por vídeo laparoscopia.
 
O componente familiar é importante, observa-se a presença de quadros de apendicite em vários membros de uma mesma família, a ocorrência dos quadros de apendicite acontecem, com maior frequência, entre os 10 anos e 30 anos, principalmente no sexo masculino, a ocorrência de apendicite em idosos é menos frequente e os cirurgiões, nesses casos, sempre ficam atentos para a ocorrência de ouras doenças associadas como o câncer de ceco, do apêndice ou a mucocele do apêndice, que pode ser maligna ou benigna, mas requer atenção especial na cirurgia, pois o extravasamento do liquido no abdome leva a um quadro de um pesudomixoma peritoneal, quadro de prognóstico muito ruim, mas, felizmente, raro. Na prevenção da apendicite é recomendado uso abundante de fibras, mesmo sem sólida evidência, deve-se evitar a constipação intestinal. O relato sobre Dr. Regis e Dra. Eimar me foi transmitido pelo seu filho Dr. Regis Junior, a quem agradeço a gentileza.
 
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NAILTON LYRA

NAILTON LYRA

O Doutor ​NAILTON Jorge Ferreira LYRA é médico e Conselheiro Regional de Medicina e Conselheiro Federal de Medicina representando o Estado do Maranhão

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