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22/07/2021 às 21h23min - Atualizada em 22/07/2021 às 21h23min

Madeireiros invadem Ilha do Bananal e cortam árvores centenárias

A ilha é local de moradia dos povos indígenas Iny, Karajá, Javaé e Ava Canoeiro

Assessoria
As árvores nobres mais procuradas pelos madeireiros, dentro da Ilha do Bananal, são as que tem grande volume e maior rendimento, como um jatobá de mais de 100 anos de idade - Foto: Reprodução/Jornal Nacional

O Instituto Indígena do Tocantins (INDTINS) repudiou, em nota, a ação de madeireiros ilegais que vem acontecendo nos últimos anos nas terras indígenas na Ilha do Bananal, situada na região oeste do estado.

A Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo, área de proteção ambiental, faz parte do Parque Nacional do Araguaia e é onde habitam os povos Iny, Karajá, Javaé e Ava Canoeiro. “Está entrando dentro do nosso território, da nossa casa, né? E a gente não pode falar nada, a gente não pode nem sequer pedir para se retirar porque ainda pode ter violência contra a gente”, contou a indígena Ariele Karajá.

Nesta quarta-feira (21), uma reportagem do Jornal Nacional mostrou que uma força-tarefa da Funai e da Polícia Ambiental está há uma semana combatendo invasores que retiram madeira nobre da ilha.

Este tipo de desmatamento, conforme o instituto, além de destruir o meio ambiente, agride diretamente os povos indígenas, invadindo suas terras e desrespeitando o meio onde vivem e protegem.  As árvores nobres mais procuradas pelos madeireiros, dentro da Ilha do Bananal, são as que tem grande volume e maior rendimento, como um jatobá de mais de 100 anos de idade.

“Infelizmente, é notável o crescente desrespeito e crimes ambientais nos últimos anos, o que interfere diretamente na vida dos povos indígenas em todo o território brasileiro. Ações estas ocasionadas por ausência de gestão por parte da Funai e, consequentemente, pelo Governo Federal, especialmente na gestão do presidente Jair Bolsonaro”, frisou.

O instituto ainda disse esperar que todos os madeireiros ilegais ou aqueles que cometem crimes ambientais sejam devidamente punidos “por estes atos repugnantes”.

A área, de 20 mil quilômetros quadrados, preserva uma natureza quase intocada e abriga uma das maiores populações indígenas do Tocantins. 

A Ilha do Bananal também faz parte do Parque Nacional do Araguaia e, para os ambientalistas, tem uma relevância nacional e precisa ser preservada.

“Não só em relação a biodiversidade que é extremamente relevante, mas em relação a demonstração de que há um interesse nacional em se preservar áreas ambientalmente relevantes. Então a gente tem a necessidade de demonstrar que essas unidades de conservação vão permanecer como unidades de conservação. Preservando a biodiversidade para as presentes e futuras gerações”, afirmou Roberta Del Giudice, do Observatório do Código Florestal.

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