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05/01/2021 às 00h00min - Atualizada em 05/01/2021 às 00h00min

Alberto Sousa: “Se você quiser ser visto de maneira especial, olhe os outros de forma especial”

Trabalho, humildade, gratidão e muito foco, marcam a trajetória do novo Presidente da Câmara Municipal de Imperatriz

Sidney Rodrigues – ASSIMP
Alberto Sousa, novo Presidente da CMI, fala um pouco do seu percurso até hoje - Foto: Sidney Rodrigues
Amauri Alberto Pereira de Sousa, filho de Francisco Alberto de Sousa e Deusuita Pereira de Sousa (in memoriam), nasceu em Olho D’água do Coco, Município de Sítio Novo do Tocantins (na época Goiás), em 26 de junho de 1976. É o mais velho de quatro irmãos.

Aos 44 anos, é formado em Administração, mora em Imperatriz desde 1994. Começou sua carreira como comunicador em 1999, tem três filhos e estreou na política imperatrizense em 2008. Foi vendedor de frutas, de lanches, fotógrafo, mototáxi clandestino, repórter e hoje é corretor de imóveis, vereador e agora presidente da Câmara Municipal de Imperatriz. Em entrevista contou um pouco de sua história.

“Sim, eu sempre fui um sonhador, desde criança, antes mesmo dos meus 10 anos, quando morava no interior e olhava para a casa de palha, com um pote na sala, que era o nosso móvel mais precioso. Eu imaginava as dificuldades da minha mãe quebrando coco babaçu, eu fazendo ‘caeira’ com a casca e meu pai abrindo ‘coivaras’ para plantar e dar sustento a família. Eu olhava para aquela vida e carregava sempre comigo o sentimento de que poderia oferecer algo melhor para eles. Foi quando vim em Imperatriz pela primeira vez com meus pais e achei aqui a esperança de dias melhores. Olhando o rio Tocantins e os prédios que eu nunca tinha visto na vida. Observando os edifícios pensei: Aqui tem progresso, aqui tem uma coisa diferente, aqui tem uma vida de verdade”.

Começou a vender frutas e verduras com uma tia aos 9 anos. Levava laranjas para a porta das festas, onde ficavam as ‘boleiras’. Descascava e o que sobrava, trocava em bolos de tapioca. Levava para casa, para que na manhã seguinte sua mãe o deixasse voltar a vender. Enquanto seus amigos brincavam de ‘cai no poço’, ele vendia. Ainda criança, percebeu que era um vendedor e que todos as pessoas são vendedores de algo.

“O policial é um vendedor, vende os serviços do estado, vende segurança; o médico vende consultas e cirurgias; o advogado vende defesa e honorários. Todos nós somos vendedores. No planeta não existe um ser humano que não seja vendedor ou que não viva às custas de alguém que venda por ele”.

Quando a época de frutas passava, ele comercializava estrume de gado. Juntava nos currais, enchia os sacos e trazia para vender em Imperatriz. Foi nesta época que conheceu a lanchonete Vita Suco na Praça de Fátima, e ali começou a vender cajá e manga para fazerem polpas. Se empenhou tanto que os proprietários o chamaram para morar lá em um pequeno quarto. Atravessava pela balsa, às vezes sem dinheiro e em muitas ocasiões passou pendurado no cabo de aço. Pulava na saída da balsa e chegava coberto de graxa, mas dava um jeito de passar.

“E assim a vida andava, e eu sempre sonhando, acreditando, sentindo no meu coração Deus falando: meu filho, vai que eu estou contigo”.

Se tornou vendedor de lanche de rua, para a Vita Suco, e continuava morando nos fundos da lanchonete. Foi vender principalmente nas autopeças, no Entroncamento, onde se tornou conhecido e até hoje muita gente o chama de ‘lancheiro’, o que para ele é um grande orgulho e o faz lembrar da bicicleta cargueira azul, emprestada. Viu que poderia ter um lucro melhor com sucos. Comprou um liquidificador e fazia seu próprio produto, com frutas do mercadinho, comprando prontos somente os salgados para revender. Recorda que muitas pessoas lhe deram a mão e que também vendeu lanche em Parauapebas na porta de várias escolas com uma tia.

A vida seguiu e embalado pelo que via em eventos, conseguiu juntar dinheiro, comprou uma máquina fotográfica e começou a andar no meio político, festas, na praia e em locais públicos. Convidava as pessoas a registrarem o momento e vendia as fotos reveladas. A esperança ia crescendo e ele continuava trabalhando, de manhã, de tarde, de noite e até nas madrugadas. Morava sozinho e na fé, acreditava que tudo ia dar certo.

1997, e aos 21 anos começa a trabalhar como mototáxi, na clandestinidade, pois o serviço não era regularizado. Acompanhava os repórteres à noite na delegacia, e aquela movimentação despertou a vontade de se aventurar no meio televisivo. Após três anos como mototaxista, começou suas participações no programa Cidade Alerta do falecido Conor Farias, onde ele apresentava com Raimundo Roma, Napoleão Neto e Josevan Marques.

Parou com a TV em meados de 2003, pois viu a oportunidade de vender lâmpadas, bocas de fogão e muitos outros produtos em cidades pequenas nos estados do Pernambuco, Piauí, Ceará, e Rio Grande do Norte. Morando em Imperatriz se tornou um caixeiro viajante, passando por vários municípios do interior do Nordeste do Brasil.

Em 2004 foi pré-candidato a vereador no Tocantins, em Sítio Novo, mas não chegou a ir para a campanha.

Voltou em 2006 para a televisão e agora, além de repórter, era vendedor, corretor de imóveis e de veículos com a orientação do amigo João Batista, com quem dividia a apresentação. Viu nos loteamentos um bom negócio. Abriu empresa, o que lhe trouxe credibilidade e reconhecimento. Hoje continua trabalhando na área e gerando emprego para mais de 20 pessoas. Neste mesmo ano João Batista se tornou deputado estadual e Alberto ficou no comando do programa. Em 2008 conseguiu se eleger a vereador em Imperatriz. Foi para a reeleição em 2012, mas não obteve êxito. Retornou para a Câmara Municipal em 2016 e foi reeleito agora em 2020.

“Nessas idas e vindas eu descobri que a vida não pode ser só de vitórias, ela é feita de altos e baixos. A queda é que faz você crescer e deixa ensinamentos, faz com que você crie forças para lutar”.

Ainda em 2006 conheceu Weverton Rocha (PDT), que virou um amigo/irmão, quando trabalhava no governo de Jackson Lago. “Ele viu em mim a possibilidade de fazer a boa política. De lá pra cá, o que temos com o senador Weverton virou uma irmandade. Agradeço muito a ele, a João Batista e outros amigos que puderam colocar a tábua para que eu pudesse passar por cima, como uma ponte sem degraus e ali eles seguraram na minha mão, para me ajudar a seguir. Hoje eu faço questão de segurar na mão de muitas pessoas e ser de fato, também uma passarela na vida delas, pois é assim que a vida segue e está bem claro que aqui na terra, nossa passagem é rápida e de nada vale o nosso sonho sem ações”.

No primeiro mandato, Sousa esteve como vice-presidente durante 4 anos com Hamilton Miranda e voltou como vice-presidente novamente com José Carlos. Agora os vereadores colocaram este projeto em suas mãos e o conduziram por unanimidade, o que aumenta mais sua responsabilidade não só com os parlamentares, mas com os servidores e o povo.

O vereador entende que devemos sempre priorizar os mais simples e humildes. Aquele que limpa, a pessoa que faz o café e nos colocar no lugar deles.

Alberto finalizou dizendo que ou você enxerga a vida assim, ou vai ser apenas mais um na multidão. “Se você quiser, de fato, que Deus possa lhe olhar de uma forma especial, veja os outros também com um olhar especial”.

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