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12/12/2020 às 00h00min - Atualizada em 12/12/2020 às 00h00min

AS CALÇADAS E ESPAÇOS PÚBLICOS SÃO O LENITIVO DOS FAMINTOS DE AMOR E AFETO!

ITAMAR DIAS FERNANDES
Estive, no final desta sexta-feira, mentalmente, revisitando a frente de minha clínica, praças, ruas, viadutos, asilos, creches, presídios, nos diversos locais, por onde, já, passei, inclusive, em cadeira de rodas, a exemplo da Av. Paulista, no meu passado recente, além de outros locais, nos quais, costumeiramente,  encontramos, em nosso  dia a dia, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, de ambos os sexos e, também, de qualquer casta social, vivendo, simplesmente, como moradores de rua. Dá-nos, pena, presenciar com os nossos olhos, o alto grau de desamor, que permeia os nossos arredores, diuturnamente, no seio da família humana. Onde, cada vez mais, a pior escassez é a do AMOR e de AFETO, entre pais e filhos!

Sempre me incomodou, interiormente, essa triste realidade social e, acima de tudo, a pobreza afetiva, na qual se encontra boa parte de nossa população. Acredito, piamente, que, a maioria de nossas crianças, adolescentes, jovens, vivem abandonados nas calçadas de nossas cidades, simplesmente, por lhes ter faltado, na maioria das vezes, desde o ventre materno, a força de um gesto de carinho nascido do coração de um verdadeiro pai e consciente da importância do seu afeto para o bom desenvolvimento físico e emocional de uma criança desde a fase anterior a fecundação do óvulo materno. O mundo seria bem diferente, tenho certeza absoluta, considerando a maioria dos estudos feitos por especialistas no mundo inteiro, focados na neurociência e psicanálise, se toda mulher grávida fosse, de fato, amada pelo companheiro desde a fase anterior a gravidez e toda gravidez e após a gravidez.

 Muitos, entre eles, são frutos do ORGASMO irresponsável, conforme, ALDOUS HUXLEY. Citado, por um historiador amazonense, em seu discurso na abertura do CURSO NESTLÉ DE ATUALIZAÇAO EM PEDIATRIA, EM AGOSTO DE 1980, com o TEMA; O CURUMIN DA AMAZÔNIA. Referira-se, portanto, aos filhos gerados sem os acordes afetivos necessários, entre os seus genitores, de acordo com o descrito no parágrafo anterior. Provavelmente, a maioria dos moradores de rua, ou delinquentes sociais, desde o seio familiar, nunca tenham experimentado o sabor de um abraço, cheiro no pescoço, nos pés, calidamente, praticado por um de seus pais. Quase sempre, são filhos do acaso, ou seja, o genitor não os acolheu, como filho em seu Coração, ou seja, não os adotou. FRANÇOISE DOLTO, psicanalista e pediatra francesa, em seu livro O EVANGELHO SEGUNDO A PSICANÁLISE, declara, somente quando adotamos uma criança, tornamo-nos, pai ou mãe. É, meramente, impossível, alguém, um dia rejeitado pelo pai, ou mãe, conseguir se tornar, um dia, uma criança, um adolescente, um jovem, um adulto ou idoso feliz. Seria providencial, que uma mãe, quando abandonada pelo companheiro, com um filhinho na barriga ou antes de completos os primeiros 5000 Mil dias de vida, fosse sábia o suficiente, para não detonar perante seus filhos, contra a figura paterna.  

Esta minha abordagem surgiu, após, diversas conversas no meu dia a dia com alguns pais, no auge de suas vivências dolorosas com filhos que se tornaram delinquentes.  Um diálogo, portanto, repleto de episódios de soluços de choro, muitas vezes, apresentados por mães cuja dor do abandono, ainda fala muito alto. Algumas, após, muito tempo do episódio ocorrido, continuam a se interrogar: “Dr. Vou morrer sem entender o porquê dessa atitude de meu marido! Namoramos 10 anos. Sentia-me, muito amada por ele. E, já, a partir do anuncio de minha gravidez, a criatura ficou indiferente”! Sua mãe, porém, dissera-me: “Minha filha, vivi, esse mesmo sofrimento com o pai dele, que me abandonou, quando ele tinha 3 meses de saído de minha barriga; revoltada, com tudo aquilo, nunca me privei de um vocabulário negativo sobre o pai dele, que até hoje, nunca mais teve um contato físico, sequer”! 

Os incontáveis melindres afetivos que acometem o ser humano, portanto, merecem uma abordagem mais humanizada de todos nós. Ao contrário, de tecermos críticas destrutivas, regadas de preconceitos de toda ordem, deveríamos agir com o mínimo possível de sensibilidade, sobre todos aqueles que vivem nas calçadas das ruas, a exemplo dos que dormem, quase, diariamente, na CLÍNICA GIANNA BERETTA. E, foi, somente, pela MISERICORDIA DE DEUS sobre mim e minha esposa -MARIA, não os ter impedidos de nela dormirem. Graças a Deus, não atendemos as reclamações dos nossos arredores! Raramente, não converso com eles. Outro dia, conversando com o Francisco, um jovem de Pedreiras, pude ouvir dele: “Dr. ainda vou sair dessa situação!

Essa temática é uma verdadeira ferida social, cujo tratamento, conforme algumas colocações aqui comentadas, encontra-se, vinculado totalmente, a saúde emocional da família. Logo, trata-se de uma solução bem difícil de ser encontrada.  Uma vez que, nos dias atuais, embora o ser humano viva melhor que na IDADE MÉDIA, a ideologia do TER, desde a era industrial, vem fazendo crescer a prática da terceirização da criança. Não é raro, encontrarmos bebês nos seus incompletos PRIMEIROS MIL DIAS DE VIDA, vivendo em creches. Nas quais, o rodízio de cuidadores é inevitável. Só, pra lembrar: JEAN JACQUES ROUSSEAU, em O EMILIO, já denunciava essa prática, como, responsável pela mudança de comportamento nas crianças de sua época. Ele não era médico, muito menos psicólogo!

LYA LUFTH, baseada certamente, em conceitos psicanalíticos, escrevera um livro, que gostaria que lessem: PERDAS E GANHOS! Nele, a autora diz: “A infância é o nosso chão; quando, bem adubado, dificilmente, o teto da casa desabará”! Esse livro foi-me presenteado, por minha querida amiga: OZENIR COSTA GOMES! Uma sonhadora e filósofa de minha Montes Altos!

Quando andarmos de mãos dadas com o AMOR e o AFETO FAMILIAR, certamente, não mais votaremos em seres insensíveis a dor do nosso irmão: branco, preto, mestiço, índio, protestante, católico, judeu, budista, hetero sexual, LGBT, esquerdista ou de direita. Se bem que, para mim, o verdadeiro esquerdista age como, o nosso CORAÇÃO, cujo ventrículo ESQUERDO manda sangue oxigenado pra todo corpo, indistintamente, ou seja, sem EGOISMO!

Um texto longo, indiscutivelmente; mas, nascido nas profundezas de minhas crenças na verdadeira riqueza terrena – O AFETO E O AMOR!
ITAMAR DIAS FERNANDES – MÉDICO-PEDIATRA = SBP, AMB, CRM, UFPA - MEMBRO DA AIL
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