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03/10/2022 às 19h59min - Atualizada em 03/10/2022 às 19h59min

“Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão”

Missas, durante todo o dia, além de “Show de Prêmios”, encerram a programação

Raimundo Primeiro
Frei Deusivan, pároco da Igreja São Francisco de Assis - Foto: Maurício Martins
 
A reportagem de O PROGRESSO, o frei Deusivan Santos Gonçalves, pároco da Igreja São Francisco de Assis, falou sobre o tema da edição 2022 do Festejo em Honra ao Padroeiro da Paróquia, cujo encerramento acontece na noite desta terça-feira, 4 de outubro, com missas sendo realizadas durante todo o dia. 

A programação será encerrada com o “Show de Prêmios”, sorteando, entre outros, uma motocicleta Bros NXS 160. A Igreja São Francisco de Assis fica localizada na rua Luís Domingues, nas proximidades da Praça Brasil. O movimento de barracas é desenvolvido na rua Pernambuco e no Ginásio Paroquial, entre as ruas Benedito Leite e Luís Domingues. 

 O PROGRESSO – Motivo do tema do festejo agora em 2022?

FREI DEUSIVAN –
Escolhemos este tema para o nosso festejo deste ano, porque a Igreja está fazendo um Caminho Sinodal, iniciado no dia 9 de outubro de 2021, que se concluirá em outubro de 2023. Na abertura do Sínodo, que trata da “sinodalidade”, o Papa Francisco pediu uma Igreja “diferente”, uma Igreja que supere “visões verticalizadas, distorcidas e parciais”, e que “necessita de mudança estrutural para uma Igreja “Sinodal”, como um lugar aberto, onde todos se sintam em casa e possam participar”.
E ainda: “O Sínodo oferece-nos a oportunidade de nos tornamos uma Igreja de escuta, uma Igreja da proximidade, que estabeleça, não só por palavras, mas com a presença, maiores laços de amizade com a sociedade e o mundo”. Por isso, a assembleia, convocada pelo Papa Francisco, tem como tema “Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão”.
Enfim, “fazer Sínodo significa caminhar pela mesma estrada, caminhar em conjunto”. Neste caminhar ao encontro do Senhor e falando sobre oi Sínodo, o Papa Francisco destacou três verbos importantes: “encontrar, escutar e discernir”.
Tendo presente as interpretações fundamentais do Papa Francisco, aqui pretendo lançar um breve olhar sobre São Francisco e Santa Clara de Assis e neles buscar alguns elementos-chave da forma como eles viveram a sinodalidade no contexto medieval (feudalismo), com a nobre missão de restaurar a Igreja de Deus, enraizados na forma de vida segundo o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Em Clara e Francisco, a nobre e o burguês, é o mundo feudal em crise que se encontra. Juntos vão lutar, e lutar muito, por encontrar um caminho novo de Consagração. Ou seja, viver o Evangelho em Fraternidade.


O PROGRESSO – Sinodalidade no olhar de São Francisco?

FREI DEUSIVAN –
No ano de 1209, Francisco de Assis e seus primeiros companheiros se dirigiram a Roma para dialogar com o Papa Inocêncio III e apresentar-lhe um projeto de vida fundamentado, principalmente no Santo Evangelho (cf.1Cel.32). Em espírito de sinodalidade, o Santo de Assis apresentou à Igreja uma forma de vida que, por sua vez, também nasceu no espírito da “sinodalidade”, entre os irmãos dados pelo Senhor que, na diversidade, se encontram, escutam a Palavra do Senhor e fazem dessa escuta o discernimento: “É isso que queremos” (cf. 1Cel. 22; AP. 10-11).
Na medida em que a fraternidade foi crescendo, os irmãos foram enviados em missão, mas com o compromisso de se encontrarem periodicamente nos “capítulos” para juntos “discutir a maneira como pudessem fielmente observar a Regra” (LCT. 57). O Capítulo da Fraternidade – Assembleia – é expressão da sinodalidade. Celebrar o Capítulo foi exigência vital para a Vida e a Missão da Fraternidade.
O Capítulo, depois da alegria do encontro e do diálogo fraterno, da eleição dos respectivos Ministros e Servos, também faz o discernimento acerca dos elementos essenciais da vida: a recepção dos irmãos, a oração, o trabalho, a obediência, a pobreza, a mesa comum, o perdão, a missão e a itinerância. Após o discernimento capitular, os irmãos assumem a Missão (direção) animada por uma autoridade chamada “Ministro e Servo”.
 A Fraternidade é plena quando ela é capaz de viver e espelhar sua SINODALIDADE. Cada irmão (frade) para Francisco “é um homem de valor, um companheiro necessário e um amigo fiel” (1Cel. 24). Esta fraternidade é a soma das virtudes e dos valores que cada irmão coloca em comum (EP. 85). Portanto, é uma Fraternidade que cresce, floresce e amadurece na SINODALIDADE, atenta aos desafios e sinais dos tempos na qual ela se insere.
Neste caso, a Paróquia São Francisco de Assis e suas Comunidades, guiada e conduzida pela solicitude pastoral dos frades, torna-se uma Fraternidade ampliada e, por isso, desafiada a se tornar “uma Paróquia Sinodal”, ou seja, uma Igreja “Comunhão, Participação e Missão!”. É isso que nós iremos refletir e rezar durante o festejo. Pois, a totalidade da linguagem de São Francisco é SINODAL porque brota de Deus e volta para Deus. Ele se faz arauto deste Senhor e deseja construir a sua história em espírito sinodal, dialogando com todos e com tudo, cujo itinerário espiritual culminou no Cântico das Criaturas: “Louvado Sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas”. 
“Clara e Francisco constituem uma legenda inseparável”, afirmou São João Paulo II. E nesta “legenda”, ambos se completam.

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