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14/01/2022 às 20h38min - Atualizada em 14/01/2022 às 20h38min

Por favor, mate o “Se”

“Passado e futuro são duas prisões que podem causar muito sofrimento. O agora me parece o portal mais seguro para o futuro”

Elson Araújo
 
Na semana que passou, num desses momentos em que os pensamentos parecem que ganham asas e poder de viajar no tempo, enquanto eles pousavam ali e acolá, revisitando fatos e ainda, como diria o cronista Clemente Viegas, os caminhos por onde andei; de repente, num daqueles pousos mais demorados, começaram a aparecer tantos “Se”, que, confesso, fiquei assustado.  Conclui, “ diante daquela overdose” que o “Senhor Se”, em alguns aspectos, é altamente nocivo.

Se na nossa gramática ele é famosão e exerce importantes funções, o mesmo não se pode dizer da sua carga simbólica como poder neurolinguístico. Eita, como o “Seu Se” é cruel! Doravante passo a defender, nesses casos, que ele deva ser morto, ou deixado ali inerte no seu canto para que não atrapalhe a vida da gente.
 
A gramática da língua portuguesa expõe o “Se” como pronome, contudo ele também pode assumir outras classes gramaticais sendo as duas mais comuns a de conjunção (geralmente expressa condição) e a de verbo (indetermina o sujeito).  Mas aqui esqueçamos suas funções pronominais e verbais, uma vez que a coisa pega mesmo é no Se, como conjunção condicional.

Para sentir um pouco do poder de destruição neurolinguístico do Se basta revisitar uma pequena parcela dos principais “Se” que marcaram a vida da gente. Logo, aparece o sentimento de pesar ou lamentação pelo bem, e até mesmo pelo mal, que poderia hoje ser o bem, que deixamos de fazer, pelas oportunidades perdidas, pelas escolhas ruins dos caminhos seguidos; por aquilo que se permitiu, também pelo que não se permitiu.  A experiência é arrasadora!

Não que a gente tenha de assumir uma postura de negação dos episódios marcados pelos Se. Eles, de alguma forma, também têm sua importância já que, dependendo da situação, reforça nossa condição humana, mas a de se adotar uma postura de não dominação, de controle por parte dele. Sem isso, não tem jeito: é preciso a gente matar o “Se condicional”, ou no mínimo aprender a lidar com ele.

Aprendi, naquele instante de introspecção e de pensamentos em voos, que sem a consciência da existência do poder destruidor do Se, a tendência é do surgimento de sessões intermináveis de autotortura.  

Imagine aí o tanto de tempo que a gente perde com essa “peste do Se”! É uma verdadeira prisão. E se é prisão, pressupõe-se a necessidade de libertação.

 O aspecto positivo nesta luta é que podemos escolher, entre ficar preso nas artimanhas do “Se”, e as delicias da liberdade de poder deixá-lo para trás, ou metaforicamente falando, matá-lo.
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