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17/03/2021 às 00h00min - Atualizada em 17/03/2021 às 00h00min

Professora Elane Hortegal, do curso de Nutrição, explica sobre os cuidados que pessoas com doenças renais crônicas devem ter no contexto da covid-19

Maria Eduarda Sousa
Professora Elane Hortegal - Foto: Caza Longeviver
Segundo relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, pessoas que têm algum tipo de doença renal crônica (DRC) estão entre as mais suscetíveis à covid-19. Este dado, que nem sempre tem a visibilidade necessária nos meios informacionais é também uma preocupação dos profissionais da área da saúde na orientação da população brasileira, especialmente neste mês, em que foi celebrado o Dia Mundial do Rim, na quinta-feira, 11, tendo este ano o tema “Viver bem com a doença renal”.

Para falar sobre isto e de outros assuntos relacionados à temática e aos cuidados com os rins, a doutora em Saúde Coletiva Elane Hortegal, professora do curso de Nutrição da UFMA e pesquisadora do Departamento de Ciências Fisiológicas (DECF), concedeu entrevista à Diretoria de Comunicação (DCom) da Superintendência de Comunicação e Eventos (SCE) da Universidade Federal do Maranhão.
Em seu currículo consta experiências como a sua atuação no serviço de Nefrologia do Hospital Universitário da UFMA. Na entrevista, a pesquisadora falou sobre a vulnerabilidade dos portadores de doenças renais crônicas em relação à covid-19 e a importância do tema escolhido para o Dia Mundial do Rim. Confira:

DCom: Segundo relatórios da OMS e do Ministério da Saúde, pessoas com algum tipo de DRC estão entre as mais suscetíveis à covid-19. Quais são os principais fatores que explicam a vulnerabilidade do grupo?
Elane Hortegal
- Podemos pensar em algumas explicações: os pacientes com DRC têm pelo menos uma comorbidade, tais como diabetes ou hipertensão, já que estas são as principais causas da doença renal. A DRC gera processos inflamatórios no organismo e, segundo estudos, um dos mecanismos propostos para a covid-19 está relacionada a um processo inflamatório exagerado, que levaria à maior mortalidade. Portanto, o paciente que já apresenta um quadro de inflamação torna-se mais vulnerável.

DCom: Quais são os cuidados a mais que o paciente com DRC deve tomar?
EH -
Ao meu ver, são os mesmo que toda a população precisar ter, quando falamos em covid-19. Eles precisam ser bastante rigorosos com o uso correto de máscaras, com a higienização das mãos e o distanciamento social. Além disso, podem tentar fortalecer o sistema imunológico, consumindo frutas, verduras e legumes.

DCom: Os centros de hemodiálise continuam fazendo o tratamento dos pacientes normalmente?
EH -
Segundo informações do serviço de Nefrologia do Hospital Universitário da UFMA, os centros continuam funcionando normalmente. Foram adotadas medidas para evitar transmissão e o fluxo de atendimento dos pacientes foi adequado. Então, na chegada ao Centro de Hemodiálise é feita triagem com questionamentos sobre sintomas gripais e medição de temperatura. Caso o paciente apresente sintomas gripais ele é transferido para uma sala isolada e coletado exames; realiza teste PCR para covid, tomografia computadorizada de tórax e exames laboratoriais, sendo avaliado a cada sessão de hemodiálise. Essas medidas foram tomadas de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Nefrologia - SBN - que não orientam a suspensão ou redução do tempo de tratamento em prol da saúde do paciente.

DCom: Com a pandemia veio a necessidade do distanciamento social e todo o mundo teve que se adaptar ao “novo normal”, no home office e nas aulas remotas. Em consequência, jovens e adultos passam mais tempo sentados na frente do computador. Como essa rotina pode afetar a saúde dos rins?
EH -
Os rins podem ser afetados, já que essas mudanças de hábito trouxeram consigo uma maior prevalência de sedentarismo e descontrole nos hábitos alimentares. Além disso, os estudos relatam uma maior prevalência de doenças mentais como a ansiedade. Então, as pessoas passaram a se exercitar menos, por não encontrarem locais seguros para a prática de atividade física, por exemplo. Ou então pela mudança da rotina, modificaram seu consumo alimentar, adotando um padrão mais obesogênico e lanches frequentes, com o consumo de alimentos fritos e alimentos doces durante este período de confinamento, devido ao tédio, estresse e ansiedade. Esses hábitos alimentares irregulares estão associados a uma maior ingestão calórica e ao maior risco de obesidade e outras doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e outras, portanto, são um risco para a saúde no futuro.

DCom: Quais as dicas para que a mudança na rotina não cause problemas?
EH -
Tentar planejar a compra dos alimentos, escolhendo comida de verdade, ou seja, sem processados e ultraprocessados, preparar e armazenar os alimentos de forma que seja algo prático para o dia a dia, tentar fazer um cardápio semanal e segui-lo o máximo possível, ou seja, quando se tem uma organização em relação à alimentação, evitamos os beliscos fora de hora. Além disso, acredito que seja importante realizar atividade física de forma segura e atividades de relaxamento, para diminuir a ansiedade.

DCom: O tema do Dia Mundial do Rim em 2021 é “Vivendo bem com a doença renal”. Qual a importância que esse tema traz à vida dos pacientes, principalmente durante uma pandemia?
EH -
O objetivo da campanha deste ano é aumentar a educação e conscientização sobre o manejo eficaz dos sintomas e também empoderar o paciente, com o objetivo final de encorajá-los na participação da vida cotidiana, os pacientes que realizam terapia substitutiva - HD, DP ou TX, e seus cuidadores e familiares também devem se sentir apoiados, especialmente durante este período de pandemia.
 

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