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10/11/2021 às 17h42min - Atualizada em 11/11/2021 às 00h00min

Jona Poeta dá visibilidade a afetos plurais e transforma amores invisíveis no clipe “Catarse”

Faixa sobre o fim de um relacionamento ganha vídeo com atriz trans Maiteh Carraro

SALA DA NOTÍCIA Nathália Pandeló Corrêa

O cantor e compositor Jona Poeta segue trazendo seus sentimentos como um livro aberto em suas canções. Após refletir sobre questões de saúde mental no clipe “Não pare agora”, o artista se debruça sobre a temática da exclusão afetiva no vídeo para a faixa “Catarse”. Presente em seu EP de estreia, “Soltei”, a música ganha outras possibilidades narrativas sob direção de Kamila Novaes e com a atriz Maiteh Carraro trazendo a sua vivência enquanto mulher trans para o roteiro.

Assista “Catarse”: https://youtu.be/IOU_UzxfM6Y

“Catarse” foi composta por Jona Poeta e a produtora musical Dandara Manoela durante um momento de confusão sentimental após o término de um relacionamento do cantor. Ao saber da dor de seu ex, ele se sente menos sozinho no carregar do fardo de um coração partido. Para o clipe, Jona queria abarcar outras narrativas para dar visibilidade a diversas formas de amor.

“A arte é esse espaço de expressão livre de adultização, então deixei tudo sair nessa letra e composição. Eu sempre admirei o trabalho da Maiteh Carraro como artista incrível que é na cena underground de Florianópolis. Quando finalizamos a produção da música, eu já havia percebido que esse é um processo coletivo e que cada artista que participa deixa um pouco de si na obra, que ao final não é a mesma que o artista principal concebeu. Nesse sentido eu, ao convidar desejei que o videoclipe também tivesse um pouco dela além da interpretação”, explica Jona.

Originalmente inspirada por um relacionamento vivido pelo artista e que nunca foi legitimado - daí a expressão de ressentimento na letra -, no clipe ele amplia a ideia para incluir os mais diversos tipos de afetos também invisibilizados.

“Por alguns cruzamentos com pessoas trans, pessoas negras e outros marcadores de diversidades, participantes de projetos voluntários de mentoria profissional que conduzo em paralelo com foco nesse público, eu notei que a exclusão afetiva que eu vivi nesse relacionamento era uma vivência compartilhada também pela Maiteh enquanto mulher trans e pessoa negra. Mostramos a jornada de uma mulher trans para se libertar de um relacionamento abusivo e não-legitimado pelo parceiro”, complementa Jona. 

Além da vivência da própria Maiteh, o roteiro teve apoio de Cléo Martins, psicóloga e mulher trans e que também contribuiu com suas experiências para trazer verdade ao vídeo.

“Não é meu lugar de fala a transgeneridade, mas homem branco cis e privilégiado que sou, tenho mais atenção das pessoas cis e são elas que formam o grupo de opressão. Eu também olhei para isso como uma oportunidade de aportar mais visibilidade ao trabalho da Maiteh, mas verdade é que a arte da Maiteh é que engrandeceu o meu. Que privilégio ter compartilhado essa entrega com ela”, conclui.

A temática dos amores invisíveis e sigilosos continua no próximo videoclipe. As questões afetivas e identitárias são ponto de partida para “Soltei”, o primeiro EP de Jona Poeta. Lançado em 2020 juntamente de um e-book, o trabalho narra o processo de auto-conhecimento e aceitação de Jona diante da sua sexualidade e do próprio fazer artístico. Ele segue preparando outras novidades a serem lançadas em breve.

 

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