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22/11/2022 às 19h09min - Atualizada em 23/11/2022 às 00h06min

Valor médio das dívidas dos produtores rurais é quase 3 vezes maior do que de um cidadão comum, revela estudo da Serasa Experian

A quantia totaliza mais de R$ 9 mil em contas negativadas para cada CPF; último levantamento mostrou que 15,8% desses trabalhadores estavam inadimplentes

SALA DA NOTÍCIA Lucinda Inácia
https://www.serasaexperian.com.br/
Divulgação
Um estudo inédito da Serasa Experian revelou que o ticket médio dos produtores rurais, ou seja, o valor médio de uma dívida inadimplida, é quase três vezes maior do que a quantia constatada para consumidores comuns que estavam inadimplentes em agosto deste ano. Enquanto o trabalhador do campo alcança débitos de R$ 3.158, o restante da pessoas com o nome no vermelho atinge apenas R$ 1.215. 

De acordo com o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, esses números evidenciam como a utilização do crédito é algo intrínseco para a geração de renda do produtor rural. “A natureza do endividamento mostra que os financiamentos feitos por esse público estão diretamente ligados aos investimentos e custeio, já que utilizam o recurso financeiro periodicamente para financiar suas atividades produtivas”. 

Dentre os produtores rurais que possuem dívidas em aberto, o valor médio devido por cada CPF gira em torno de R$ 9.250. “Levando em consideração a possibilidade de contrair mais de um débito no mesmo nome e o ticket médio de cerca de R$ 3 mil, podemos supor que cada produtor rural possui, em média, três dívidas por CPF”, considera Rabi. 

Além disso, o Indicador de Inadimplência da Serasa Experian mostrou que 42% da população adulta estava negativada no país também em agosto de 2022. A última análise sobre o cenário dos produtores rurais, registrou um percentual menor, de 15,8%, em abril deste ano. 

O perfil das dívidas brasileiras

O estudo também analisou as dívidas rurais por setor e identificou que o perfil de débitos dos trabalhadores do campo também é diferente quando comparado ao do consumidor comum. Enquanto as pessoas com o nome no vermelho têm maior negativação no setor de Bancos e Cartões (28,8%), a dívida dos produtores rurais se acentua no segmento de Utilities (40,1%). Ainda assim, o ticket médio do trabalhador do campo neste setor é baixo (R$ 220), por isso, eles conseguem se regularizar e limpar o nome com mais rapidez. 

Segundo o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, “apesar de ambos serem considerados pessoas físicas, já que o crédito rural possui um subsídio específico que acaba mitigando a procura dos produtores rurais pela abertura de um CNPJ, esse trabalhador utiliza as linhas de crédito como fonte de financiamento de sua atividade produtiva no campo, diferente do cidadão comum. Dessa forma, os produtores evitam ficar inadimplentes no setor de Bancos e Cartões para não perderem o limite de crédito, uma vez que necessitam do recurso financeiro para custear insumos e seguir atuando”. 

“Pensando nisso, para mitigar essa necessidade do produtor às linhas de crédito, o Agro Score, solução recentemente lançada pela Serasa Experian, considera em sua análise o desempenho do produtor rural no mercado financeiro, cooperativas de crédito, comércio atacadista e indústrias relacionadas ao agronegócio, como insumos, fertilizantes e maquinário agrícola, mas não outros ramos como telefonia, utilities e varejo, a fim de garantir uma avaliação de crédito mais apurada desse público”, explica Pimenta. 

Mesmo que o produtor rural tenha sua inadimplência concentrada no setor de Utilities, é o segmento de Bancos e Cartões que impulsiona o ticket médio, já que o valor de cada débito está em torno de R$ 8 mil. Para a população comum esse valor médio é de apenas R$ 2.167. Confira os valores e a representatividade setorizada na tabela a seguir:
 


Metodologia
As informações sobre o perfil da dívida foram retiradas do Indicador Serasa Experian da Inadimplência do Consumidor de agosto, ou seja, contemplando consumidores com pelo menos um compromisso vencido e não pago. O estudo compara resultados da população geral, referida como “consumidor comum”, com uma base de milhões de CPFs donos de propriedades rurais de todas as regiões brasileiras.
 
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