Clemente Viegas

Clemente Viegas

caminhos por onde andei

"Felipe vira bucho"

O professor AG era, ao seu tempo, indo e voltando, a maior autoridade em DESENHO TÉCNICO, sua cátedra e especialidade. Imagine-se um quadro com cinco metros de comprimento por um metro e meio de largura, e aquela fera enchia aquilo tudo  em desenho técnico com linhas cheias e pontilhadas,  vista frontal, vista lateral, perspectiva cavaleira,  eixo cartesiano - sombras e tudo o mais. Dava um banho e dava um baile. Líder no seu ofício.
 AG "tirava sarro" com um e outro, puxava lero e dizia "jacaré te nhanha". Era uma senha que, ...

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Texto que enviei para o programa PÁGINA DE SAUDADE, Mirante/AM São Luís, domingos, 07:45 hs,  em cadeia com mais de vinte emissoras do Estado, na  crônica PÁGINA DE SAIDADE.
Noite  dessa quando dei por mim, qual um asteróide vagueando pelo espaço sem fim, eu me pegava vendo e vivendo, um velho tempo para esta PÁGINA DE SAUDADE. E então vi os carros de boi, cantando com a sua cantadeira, lentos, cansados, carregando  cana e lenha do roçado. Vi aqueles tempos em questão de moça”, que iam parar na Delegacia. Vi minha avó que batia o algodão e ...

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A SAGA DE SEU OSVALDO
Dona AGA-E era uma viúva bem comportada, discreta, decente. Ficou viúva ainda em boa idade. Sozinha, tocava uma pensão e dormitório populares naquela cidade e naquele rua que veio a ser o metro quadrado mais caro do planeta. Nessa batalha diária, pensão, dormitório, gente que chega, gente que sai, atendimentos noturnos e ao amanhecer, dona AGA-E foi-se cansando do ofício. Mas eis que lhe aparece um hóspede “diferente”. Um olhar atravessado daqui, uma meiguice dacolá, despedida em “adeus e até a próxima”. Nada não, era SEU OSVALDO.
Seu Osvaldo era “ALHEIRO”, ...

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... DA MÁQUINA DE ESCREVER, ATÉ AQUI
(segunda edição)

O meu pai (em memória) é o meu ídolo e herói. Dele sou fruto e a ele devo uma banda do meu ser. O meu pai “estudou”, tão somente, até a “cartilha”, um livreto de oito ou dez folhas, do tempo do soletrar - mas ainda assim era um verbo solto, uma polêmica eloquente, um advogado nato. Bom de prosa e chegado num rabo de saia. E por último um poeta de cordel. Órfão de pai aos cinco anos, criado pela avó, ao lado da mãe, “moradeira” ...

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A VIDA E O SONHO DE CABO ZÉ (2ª. Edição)
CABO ZÉ é um ser humano em carne e osso. Quarenta e cinco anos, solteiro. José Pereira de Carvalho, um nome de que só ele tem notícia. “Naifabeto” como ele mesmo costuma se autodenominar, ainda assim “junta as letras grandes” e soletra nomes e lê pequenos números. Sua assinatura se dá com a sua impressão digital. Aos oito anos, vindo da “região do Japão”, o moleque chegou com os seus pais e irmãos nos costados da Imperatriz. Situação difícil, a entidade familiar, pais e filhos em sete ...

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CASA DO ESTUDANTE-II
Carrego comigo a grata experiência de ter vivido num internato por quatro anos, bem como a oportunidade de ter morado em duas casas de estudante. A primeira em nível secundário, onde fiquei por quatro anos; a segunda em nível universitário, também por quatro anos. Ainda a considerar um bom tempo nos antigos “pensionatos” e outros tantos em “comensal” de restaurantes coletivos. Quinze anos no “currículo” em diferentes moradias, não é coisa para qualquer um. Eu, no entanto, declaro-me grato por essas promissoras passagens. Mas o que quero falar aqui é da CASA DO ESTUDANTE ...

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PRINCÍPIO, MEIO E FIM
(porque tudo na vida é um tempo)

Lá pras bandas daquelas terras onde o vento faz a curva, havia dois irmãos, latifundiários,  donos de légua de terras, tidos como ricos da região. E eram. Em meio àqueles roceiros cuja grande-maior parte morava em terras alheias; plantavam e pagavam aluguel em terras alheias, aqueles dois irmãos eram de fato ricos, tal como era do vozerio popular. Afinal, eles tinham canavial todos os anos, eram donos de engenho de fabricação de cachaça e açúcar mascavo e dispunham de nada menos do que uma dúzia ...

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A JANELA E O TEMPO
Diria que a JANELA DO TEMPO na nossa vida começa aos quatro... cinco anos e com ela as primeiras noções do mundo ao redor. E então a nossa janela vai-se abrindo, deixando entrar os primeiros raios de luz.
Lá em cima, janela aberta, cá embaixo a vida segue na certa! O tempo passa. Agora já estamos com 15, 16, 17 anos - é como se o sol da nossa vida já bata à nossa janela com mais definição. E então  começamos a ter mais consciência do mundo ao redor. E segue ...

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