Clemente Viegas

Clemente Viegas

caminhos por onde andei

“LEVANTA ZÉ  E VAMOS PRA OUTRA”!!!

José de Maria era filho de Maximiano de Adesilha e de Maria de Aurora. Era conhecido por ZÉ DE MARIA ou ZÉ DE ORORA. Morava com a sua família, em terras de Vai-Quem-Gosta, uma “geba” encravada naquela fim de mundo, de descentes quilombolas, perto das terras do Vai-Quem-Quer, de “Domingo de Ogenha”. Zé de Maria (ou Zé de Orora) era um negrote forte, disposto, corajoso e trabalhador. Seus irmãos Bonifácio e Agnelo e João Damasceno moravam na cidade (na capital) e trabalhavam na estiva marítima. Então desde cedo Zé já ...

leia mais +

caminhos por onde andei

AÇAÍ / JUÇARA

Sim, mas o nome mesmo é AÇAÍ OU JUÇARA? De minha parte eu acho que é tudo igual, a mesma coisa, e muda apenas de nomenclatura, conforme a região, a linguagem e os costumes. Uns aceitam a ideia de que açaí e juçara são a mesma coisa, mas outros  questionam e apontam diferenças. Apontam que a juçara “perfilha”, faz-se em moitas, desenvolve-se à beira de aguadas ou terras frias, ao passo que o açaizeiro é de uma palmeira individuada, solitária, de sobrevivência em terra seca, sendo, porém, que os frutos guardam as mesmas ...

leia mais +

caminhos por onde andei

BRAYTE, ONDE ANDA VOCÊ?

Eu tinha uma chácara na beira da cidade e observava então que o caseiro da ocasião maltratava, espancava e insultava  a pequena cadela que ele  tinha por lá.  Um dia tomei as dores da cadelinha, fizemos um negócio e fiquei com ela para mim. E pus-lhe o nome de BRAYTE. Ainda assim não lhe despertava maiores cuidados ou atenção. Todavia, não descuidava nem do seu leite, nem do seu banho,  nem da sua ração. E assim tocávamos a vida.  Passado pouco tempo, um novo caseiro passou a cuidar da estação. E lá ...

leia mais +

caminhos por onde andei

Hoje não é o meu dia de escriba, o que, aliás, já vem fazendo fila, faz algum tempo. Estou aos “sete ponto três” de idade e os neurônios que se desgastaram pelo tempo, tantas vezes resistem aos exercícios da mente. E, para completar, qual um tijolo que cai seco do caminhão e se espatifa ao chão, deixei cair um tal  HD-EXTERNO, com quase dois mil itens, grande parte dos quais, arquivos do meu exercício profissional e outros tantos em textos que produzi para o rádio e para o jornal. Sinto-me perdido e aborrecido com tamanha perda dos meus ...

leia mais +

caminhos por onde andei

CARTA PARA A MINHA MÃE, NA ETERNIDADE

Mãe  peço a sua bênção. E, como a senhora mesmo dizia: “um beijo no seu coração”.      
 
Longe, muito longe vai aquele tempo, mãe, e eu aos sete anos, quando numa madrugada fria  montava à garupa do cavalo de meu pai e saía com destino à escolaridade na VILA. Saí de coração apertado, choro abafado e deixei a senhora chorando pelos cantos. Tão longe  eu  de saber, Mãe, que dali em diante, só voltaria em casa como “visita”, nas férias escolares. E dali em ...

leia mais +

caminhos por onde andei

Dez da noite, feriado de Primeiro de Maio. O celular toca. Era o CAPIJUBA,  que eu o trato respeitosa e afavelmente por “Seu Capijas”, meu Embaixador e Representante junto ao Jornal O PROGRESSO, para fins do aviventamento à minha lembrança ao cumprimento da  publicação desta coluna, nas radiantes páginas deste pioneiro O PROGRESSO. Noutras Palavras; seu Capijas é o guardião, sagrado e consagrado na vigilância pelo cumprimento do meu dever  junto a O PROGRESSO
 
E eu que naquele feriado, estive indolente e “relaxado” à falta dos meus “companheiros” de trabalho que faltaram comigo, ...

leia mais +

caminhos por onde andei

A SEMANA SANTA  E O “DE COMER”

Vi, durante a minha infância, Naquele meu chão de pobreza e precisão, uma lacerante preocupação e repentina mudança de usos e costumes durante  os prenúncios bem como na própria  SEMANA-SANTA. Aproximavam-se o “Dias Grandes” e logo havia uma inusitada correria à busca e estoque de víveres elementares para o “de comer”. Havia assim,  uma brusca mudança da rotina, daquela gente.

Homens, mulheres e crianças sob o comando do casal patriarca, caía em campo: tapioca e bolo de tapioca, biscoito assado ao forno caipira, peixe seco, farinha d’água, ...

leia mais +

caminhos por onde andei

AH SE O MEU FUSCA FALASSE!

Eu vou contar pra vocês um trecho da minha vida. É que nesse vai e vem da vida, tem um cara que teve a capacidade (a capacidade) de marcar a minha vida. Se avexe não, foi  aquele meu FUSCA  AZUL, safado, bandoleiro, pé de pano, malandro  e garanhão. Ele mesmo, uma bala de prata que não perdoava uma gata. Era assim ele, meu  tremendo FUSCA ZUL - lá em cima AZUL da cor do céu, cá embaixo, AZUL da cor do mar. Sagitariano, nascido na primavera de 1975, Guerreiro e mulherengo ...

leia mais +

Clemente Viegas

Viegas, Clemente Barros. (São Clemente papa e mártir). CLEMENTE vem do Almanaque de Bristol, antiga publicação do laboratório farmacêutico. Estudou as primeiras letras na escola da palmatória e dos joelhos ao chão, no sertão. Concluiu o curso primário (na terra natal), no tempo em que a escolaridade era levada a sério. Foi menino de recado e de mandado. Nos cursos Secundário e Técnico no internato da Escola Federal, onde ingressou via do “Exame de Admissão”. Cursou Direito, num tempo em que não havia celular, nem internet, nem FIES, nem as vantagens atuais. Não tinha livros, escrevia em papéis avulsos, taquigrafava as aulas ao verbo dos professores. Morou em casas de estudantes e cortiço, andava a pé, driblou o bonde, poucas roupas, curtiu a “Zona” e jamais dirá que “comeu o pão que o diabo amassou”. Trabalha desde os cinco anos, com intervalo dos onze aos vinte anos. Está na casa dos 73. Não brincou quando criança ou adolescente e na vida adulta tem três brinquedos que os leva a sério: 1 - Escreve a coluna CAMINHOS POR ONDE ANDEI; 2 - Escreve a crônica PÁGINA DE SAUDADE, Rádio Mirante/AM, domingos, há mais de dez anos; 3 - Tem uma “rádio”, com antena de 300 mm de altura, 1.000 a 1500 mm de alcance, com dois ou três ouvintes que, como você vê, “um que pode ser você”. É o rastro e a sombra de si mesmo. É o filho que veio e os pais que se foram. Superou milhares de concorrentes para nascer. É mais um na multidão e considera-se a escrita certa por linhas tortas, na criação do CRIADOR. Cumprimenta os seus interlocutores com votos de “saúde”! E diz aos semelhantes todos os dias que “...a vida continua”. (•) Viegas questiona o social. e-mail: viegas.adv@ig.com.br