Clemente Viegas

Clemente Viegas

caminhos por onde andei

O PADRE, O ROCEIRO E A MACUMBEIRA

Lição da Física e da vida me ensinam que “a toda ação corresponde uma reação...” Tenho usado e aplicado essa regra  em argumentos nas minhas defesas criminais. E posso dizer do resultado simpático que o desfecho tem dado. Nesse diapasão e, de outro lado, também faz certo que “quem diz o que quer, ouve o que não quer”.

Aquela  então cidadezinha de uma comunidade cristã,  vivia órfã e carente de padres para conduzir espiritualmente o povo católico. O povo então vivia de joelhos ao chão orando e ...

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“MALDITO SERÁ O CACHORRO...”

Faz dias e esse título me persegue, me provoca e me desperta. Sinto-me ao dever/obrigação de tocá-lo em frente. De externá-lo, como dever de ofício.  Qual o médium ao dever de seguir e “desenvolver” as faculdades de sua mediunidade. Coisas da espiritualidade – que é como dizem. E então, vamos nessa viagem...

Corria o ano de 1968 e lá se vão cinqüenta e dois anos. Eu estava naquele meu segundo emprego público, às voltas com o cursinho pré-vestibular, em pleno regime militar, naquela repartição de saúde pública, em que tudo ...

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CHÁS E BEBERAGENS

Ouso dizer que nossas mães, nossas avós, nossas tias, as amigas e comadres  e vizinhas de nossas mães, avós e tias e tantas outras desse grande universo, em particular as menos endinheiradas em pés no chão, já foram peritas e práticas na indicação, ministração e no preparo de chás e beberagens e infusões e lambedor e emplastros para os seus filhos e netos e bisnetos e filhos de criação e agregados e outros em volta. Chás, infusões e beberagens e outros artifícios já foram  o grande remédio de tantas gente – tudo feito ...

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ERAM ASSIM AQUELES DOMINGOS

Era domingo,  um dia assim um tanto quanto vazio, evasivo e parado por aqui,  em que parece até que o vento não venta e que as palhas do coqueiro lá em cima se fazem inertes, desoladas, abandonadas em si mesmas. E tal como foram deixadas, lá estão. Até parece que está tudo igual, desde às seis da manhã até agora, tarde do dia. Até parece que nada se move; que está tudo como dantes e nada é igual a nada. E nada motiva nada.

Então eu parei par lembrar e ...

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DOIS AMANTES E UM INTRUSO

Estão ali na rua, os três. Pra cima e pra baixo. Eles não andam. Eles correm. Mas não correm em velocidade como corriam aqueles atletas olímpicos da Grécia Antiga e tinham como prêmio uma coroa de louros, quer dizer: de folhas, do ramo de oliveira. Não! Também não correm como correm esfalfados aqueles cavalos do Jockey Clube, em que a vitória pode se dar por “um milésimo de segundo”. Não! Também não correm como correm os estróinas motoqueiros no trânsito por aqui. Também Não! Eles correm como ...

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AGERMIRO DE BASTIÃO e SEU CIRÇO
(Lendas da Valentia)

Argemiro de Bastião cuja língua do povo só dava conta de chamar AGERMIRO, era um roceiro, brigador, encrenqueiro e “confusista”. (Confusista: que pratica confusão). Mudou-se pras bandas do Canta-Galo, onde matou um, não deu passo em fuga e passou uma temporada na penitenciária. Quando voltou à sua terra de origem, capitalizava o seu tempo e experiências e escaramuças e vida-de-cão na penitenciária para posar de “herói”, ou “chefe” naquele pequeno mundo de roceiros e incautos em pés no chão.  Pensamento, ação e herança maldita da penitenciária. 

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UM DIA DE CÉU E MAR

Era uma tarde de céu azul, de verão. Era por volta de 1977. Isso faz só uns 23 anos. Na época eu um ex-exilado morador  destas barrancas do Rio Tocantins, tinha sempre um bom motivo para refrigerar as lembranças e as saudades daquele chão daquela outrora toda minha ilha-capital. Saudade danada! E eu fazia de tudo e tinha sempre um pretexto para rever a cidade dos azulejos. E assim matar aquelas  saudades tantas, daquela ilha de meus tantos encantos. 

Parecia que era uma “sina”, numa crise existencial. A ...

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A CAMINHO DA VILA – Parte-II
(3ª. edição revista e ampliada)

Nove e meia do dia ... estamos entrando nas terras da CONCEIÇÃO. Agora sim, novos tempos! Uma estrada melhor. A VILA está perto, ainda falta só “hora e pouca” de estirão, mas o grotões e os atoleiros ficaram para trás. Daqui para frente só tem mesmo é uns trechos de areal. Os cavaleiros agora já viajam em comboio. Uns perto dos outros e conversam animadamente. Agora já se respira mais feliz, tem umas casas um pouco mais próximas das outras à beira da estrada. ...

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Clemente Viegas

Viegas, Clemente Barros. (São Clemente papa e mártir). CLEMENTE vem do Almanaque de Bristol, antiga publicação do laboratório farmacêutico. Estudou as primeiras letras na escola da palmatória e dos joelhos ao chão, no sertão. Concluiu o curso primário (na terra natal), no tempo em que a escolaridade era levada a sério. Foi menino de recado e de mandado. Nos cursos Secundário e Técnico no internato da Escola Federal, onde ingressou via do “Exame de Admissão”. Cursou Direito, num tempo em que não havia celular, nem internet, nem FIES, nem as vantagens atuais. Não tinha livros, escrevia em papéis avulsos, taquigrafava as aulas ao verbo dos professores. Morou em casas de estudantes e cortiço, andava a pé, driblou o bonde, poucas roupas, curtiu a “Zona” e jamais dirá que “comeu o pão que o diabo amassou”. Trabalha desde os cinco anos, com intervalo dos onze aos vinte anos. Está na casa dos 73. Não brincou quando criança ou adolescente e na vida adulta tem três brinquedos que os leva a sério: 1 - Escreve a coluna CAMINHOS POR ONDE ANDEI; 2 - Escreve a crônica PÁGINA DE SAUDADE, Rádio Mirante/AM, domingos, há mais de dez anos; 3 - Tem uma “rádio”, com antena de 300 mm de altura, 1.000 a 1500 mm de alcance, com dois ou três ouvintes que, como você vê, “um que pode ser você”. É o rastro e a sombra de si mesmo. É o filho que veio e os pais que se foram. Superou milhares de concorrentes para nascer. É mais um na multidão e considera-se a escrita certa por linhas tortas, na criação do CRIADOR. Cumprimenta os seus interlocutores com votos de “saúde”! E diz aos semelhantes todos os dias que “...a vida continua”. (•) Viegas questiona o social. e-mail: viegas.adv@ig.com.br