Clemente Viegas

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SAUDADE...

Se me perguntassem o que é saudade, eu diria: saudade é lembrança; é marca do que se  foi.   Saudade é o rastro do tempo. Saudade é o passado que se faz presente. Saudade é o ontem que se faz agora.  Saudade é um trecho da história. Saudade é nossa  cabeça, é o coração – é  memória.

- Saudade é aquela casinha de palha e chão batido, da infância; luz de querosene e tudo lá na distância... -Saudade é o meu pai – poeta e guerreiro; argumento, decidido e altaneiro... Saudade é minha ...

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ERA UMA VEZ... O TEMPO DE REIS!!!

Uma passagem da Bíblia em Mateus capítulo 12, veículos 1 a 12, nos lembra que os Três Reis Magos, Melquior, Baltazar e GASPAR, guiados por uma estrela no céu, foram levar presentes tais como ouro incenso e mirra ao Menino Jesus que nascera em Belém. Daí então que no universo cristão-católico, com sabor folclórico praticam-se festividades a SANTOS REIS, sempre envolvida com doações, ou presentes.

Dita o ditério que “cada terra tem o seu uso e cada povo tem seu fuso”, de sorte que, ao que se ...

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LENDAS DO MEDO
Zé de Fosta, também conhecido por Zé da Gorda, era um sujeito taciturno, fechado, caladão. Não tinha amigos e  morava só. Todos o evitavam. Na cumeeira de sua casa morava uma cobra jibóia, cuja hospedagem afastava qualquer intruso. Conheci-o morando nas terras do meu avô, num casebre  dentro do mato, servido por uma precária vereda, dentro de um matagal.  Meu avô dispensava-lhe atenção e exigia que o respeitassem.   Zé de Fosta era um sujeito “asqueroso”, ninguém  dele se aproximava também não era de se aproximar de ninguém. Só o nome já despertava vapor, ...

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O CHÃO DOS MEUS ANCESTRAIS. 

Deixei a casa paterna aos sete anos de idade, numa manhã fria, com a minha mãe chorando pelos cantos e o meu pai incisivo e determinado na minha escolaridade -  para morar em casa alheia e continuar o primário, na VILA. A partir daí, e pelo resto dos tempos, voltava à minha casa, como visita, nas férias escolares mas sempre no trabalho da roça, como os demais. 

Depois do emprego público,  aos 21, voltava por vezes, nas férias do trabalho e às vezes nem isso. São as voltas que o ...

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OITO DE DEZEMBRO – DIA DA CONCEIÇÃO

Amanhã, oito de dezembro, o Maranhão e o Brasil festejam o dia de Nossa Senhora da Conceição. Consoante consulta pública, a festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi inscrita no calendário litúrgico pelo Papa Sisto IV, em 28 de fevereiro de 1477. 

Atualmente, a solenidade da Imaculada Conceição de Maria (8 de Dezembro) é festa de guarda em toda a Igreja Católica, exceto em certas dioceses ou países onde, com a prévia aprovação da Santa Sé. Os votos e devotos de Nossa Senhora da Conceição ...

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“HOJE EU VOU ENCHER A CARA”

Pouco mais de meados dos anos sessenta. Eu tinha meus vinte e poucos anos.  Naquelas lindas tardes de domingo a Jovem Guarda estava no ar. Roberto, Erasmo, Vanderléia, Golden Boys, Renato e Seus Blue Caps, Jerry Adriani., Trio Esperança... E põe gente nesse baile!!! A esse tempo eu me ufanava de morar na Casa do Estudante Secundarista do Maranhão.  Cursava o Técnico. Era feliz e não sabia!

Aos sábados, à noite, as “festinhas”, assim denominadas, espalhavam-se pelos bairros da capital, com suas luzes acesas. Eram bailes tocados a ...

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... UM PAU PRA TODA OBRA

ELE-DÊ era um roceiro que punha uma roça todos os anos, como tantos outros. Perto de sua casa havia, como ainda há, uma tradicional capela da Conceição. O  notável vizinho era, em vida, o guardião da capela. Era ele o encarregado dos “aperparos” para a festa anual da Santa Conceição. Ele mesmo quem liderava as novenas, o levantamento de mastro, a grande festa  de 8 de dezembro, a festa de baile e até mesmo os trabalhos da cozinha. Se estivesse vivo, estaria envolvido até o talo com os festejos que ...

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A SAGA DE “SEU OSMAL”

Dona AGA-EL era uma viúva bem comportada, discreta, trabalhadora. Determinada. Na dela. Ficou viúva ainda em boa idade.  Sozinha, tocava uma pensão e dormitório popular naquela cidade e naquela rua que veio a ser o metro quadrado mais caro do planeta, por aquelas bandas. Nessa batalha diária, pensão, dormitório, gente que chega, gente que sai, atendimentos diuturnos e à qualquer hora, dona AGA-EL  foi-se cansando do ofício.  Mas eis que lhe aparece um hóspede “diferente”. Uma voz máscula, sedutora; interessado e interessante, um olhar atravessado daqui, uma  meiguice dacolá, despedida em ...

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Clemente Viegas

Viegas, Clemente Barros. (São Clemente papa e mártir). CLEMENTE vem do Almanaque de Bristol, antiga publicação do laboratório farmacêutico. Estudou as primeiras letras na escola da palmatória e dos joelhos ao chão, no sertão. Concluiu o curso primário (na terra natal), no tempo em que a escolaridade era levada a sério. Foi menino de recado e de mandado. Nos cursos Secundário e Técnico no internato da Escola Federal, onde ingressou via do “Exame de Admissão”. Cursou Direito, num tempo em que não havia celular, nem internet, nem FIES, nem as vantagens atuais. Não tinha livros, escrevia em papéis avulsos, taquigrafava as aulas ao verbo dos professores. Morou em casas de estudantes e cortiço, andava a pé, driblou o bonde, poucas roupas, curtiu a “Zona” e jamais dirá que “comeu o pão que o diabo amassou”. Trabalha desde os cinco anos, com intervalo dos onze aos vinte anos. Está na casa dos 73. Não brincou quando criança ou adolescente e na vida adulta tem três brinquedos que os leva a sério: 1 - Escreve a coluna CAMINHOS POR ONDE ANDEI; 2 - Escreve a crônica PÁGINA DE SAUDADE, Rádio Mirante/AM, domingos, há mais de dez anos; 3 - Tem uma “rádio”, com antena de 300 mm de altura, 1.000 a 1500 mm de alcance, com dois ou três ouvintes que, como você vê, “um que pode ser você”. É o rastro e a sombra de si mesmo. É o filho que veio e os pais que se foram. Superou milhares de concorrentes para nascer. É mais um na multidão e considera-se a escrita certa por linhas tortas, na criação do CRIADOR. Cumprimenta os seus interlocutores com votos de “saúde”! E diz aos semelhantes todos os dias que “...a vida continua”. (•) Viegas questiona o social. e-mail: viegas.adv@ig.com.br