Clemente Viegas

Clemente Viegas

caminhos por onde andei

PANDEMIA...

Estou aqui em casa, sem sair de casa, neste tempos em que tornou-se errado sair de casa. Minha mulher enlouquece, desgrenha seus cabelos se eu ao menos falar que vou sair ou tentar sair de casa. Doutrina-me das seis da manhã  às dez da noite: lava as mãos, troca de roupa, usa o álcool-gel, usas máscara, não passa as mão nos olhos, nem na boca nem no nariz, E ainda por cima, assim como tantos outros, ela me manda tudo enquanto é vídeo e áudio  e “fakes” sobre a pandemia.  Virou uma pandemia por aqui ...

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ALMAs  PENADAs

Hoje é domingo. Domingo à tarde. Domingo de céu azul, límpido, contrastando com a seqüência de dias outros idos em que a chuva tem caído torrencial e persistente na cidade. Manhãs, tardes e noites. É bem aí que o Riacho Capivara se enche; o Cacau se dana e o Bacuri corre solto lá em cima com suas águas barrentas, que vão deslizando ladeados pelas casas que jogam seus esgotos pra dentro deles. E o que durante o verão é uma poluição e um mau cheiro só – agora é uma enchente! Uma correnteza! Um ...

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VERGONHA NA CARA

É noite, alta noite. Tô na esfrega e na refrega da mente. Perdido em meus pensamentos, à procura de um tema  que me ocupe a mente. E o sono se foi e o tema não vem. Foi assim que, de cara e forçando a mente, lembrei-me do meu velho avô, meu velho Doca Barros, hoje “imortalizado”  no “memorial”   que  lhe edifiquei à beira beira do caminho onde foi sua tapera. Sabia ler, relia seus velhos e surrados livretos de cordel. Nunca vi escrever uma única linha. Ele que deixou lições que eu ...

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NO BANCO DA IGREJA

Tava querendo mesmo era escrever um texto que logo denominei ALTO LÁ! E o desfecho era para me referir que enquanto nas igrejas de outras denominações os fiéis comportam-se ao silêncio da atenção e das meditações e do ambiente solene em paletó e gravata e decentemente trajados. Já, na minha IGREJA CATÓLICA, o liberalismo, quer dizer o libertário vai ganhando terreno. Certas pessoas dão-se ao desplante da “conversa fiada”. E ficam  num falatório, num zum zum zum, blá-blá-blá, e ao DESRESPEITO.  Outras que vão desnudadas como se fossem para a nossa Beira-Rio. ...

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O CABARÉ

Era Terça-Feira de Carnaval. Tava num vazio total. Não estive no “corredor da folia”, nem na Praça da Folia, nem na Beira Rio da Folia. E, de resto a lugar nenhum. Aliás, que isso não é d’agora,  faz tempo. Sou assim, fazer o quê, né?!  Foi aí que, buscando preencher o espaço vazio, sem corredor da folia e sem outros pontos do fuá, bateu-me uma vontade de escrever  um texto que de logo daria o título:  A OITAVA MARAVILHA DO MUNDO. 

A OITAVA MARAVILHA DO MUNDO, nessa minha hipótese imaginária partiria de ...

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 “EU TE CONHEÇO CARNAVAL !!!”
        
(Texto que compõe a minha crônica PÁGINA DE SAUDADE que está há mais de doze anos cativa no programa CLUBE DA SAUDADE, Rádio Mirante AM – São Luís, domingos, este há mais de trinta (30) anos no ar.  Edição de 23 do corrente, em cadeia com mais de trinta emissoras em todo o Estado, além de outra/s voluntária/s fora do Estado. Tema adaptado (editado, acrescentado) para esta edição nestes... CAMINHOS...)

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Lembra desse bordão? “Eu te conheço carnaval”!!!  Velhos tempos aqueles tempos dos bailes de ...

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A  ONÇA DO ITINGA

O exercício do escriba  tem lá uma “bactéria” resistente, que não se dá por vencida. Com o tempo cria calo e continua regurgitando, viva, reciclando. Assim são uns temas que os escrevo e que continuam despertando outras tantas edições. Cada qual com uma nova leitura e, tantas vezes, sem  uma única linha da vertente anterior.  Vitalidade da bactéria do escriba!

Assim foram temas tais como: “Zé Bicudo”, aquele sujeito que tinha fama de virar  bicho; “Mãe Nonata” – uma otcogenária senhora, reciclada do escravagismo que tinha o ofício de “acompanhar” ...

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PEDINHA DE  ZEZENDO (vida real)

Nos anos 1960, do Governo Militar, os órgão de Imprensa estavam sob vigília cerrada do regime. A imprensa escrita de esquerda (Jornais e outros), tantas vezes de última hora e até mesmo atrasados da hora, tinham que desfazer, desmontar suas edições.  Era um sofrimento. Um arraso! E então, tantas vezes, para cobrir a lacuna, jornais preenchiam o espaço proibido com RECEITAS DE BOLOS E DOCES e outras guloseimas. Eu era um estudante e ficava vendo sem entender as receitas de bolo e doces na primeira página, ocupando espaço. O texto abaixo ...

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Clemente Viegas

Viegas, Clemente Barros. (São Clemente papa e mártir). CLEMENTE vem do Almanaque de Bristol, antiga publicação do laboratório farmacêutico. Estudou as primeiras letras na escola da palmatória e dos joelhos ao chão, no sertão. Concluiu o curso primário (na terra natal), no tempo em que a escolaridade era levada a sério. Foi menino de recado e de mandado. Nos cursos Secundário e Técnico no internato da Escola Federal, onde ingressou via do “Exame de Admissão”. Cursou Direito, num tempo em que não havia celular, nem internet, nem FIES, nem as vantagens atuais. Não tinha livros, escrevia em papéis avulsos, taquigrafava as aulas ao verbo dos professores. Morou em casas de estudantes e cortiço, andava a pé, driblou o bonde, poucas roupas, curtiu a “Zona” e jamais dirá que “comeu o pão que o diabo amassou”. Trabalha desde os cinco anos, com intervalo dos onze aos vinte anos. Está na casa dos 73. Não brincou quando criança ou adolescente e na vida adulta tem três brinquedos que os leva a sério: 1 - Escreve a coluna CAMINHOS POR ONDE ANDEI; 2 - Escreve a crônica PÁGINA DE SAUDADE, Rádio Mirante/AM, domingos, há mais de dez anos; 3 - Tem uma “rádio”, com antena de 300 mm de altura, 1.000 a 1500 mm de alcance, com dois ou três ouvintes que, como você vê, “um que pode ser você”. É o rastro e a sombra de si mesmo. É o filho que veio e os pais que se foram. Superou milhares de concorrentes para nascer. É mais um na multidão e considera-se a escrita certa por linhas tortas, na criação do CRIADOR. Cumprimenta os seus interlocutores com votos de “saúde”! E diz aos semelhantes todos os dias que “...a vida continua”. (•) Viegas questiona o social. e-mail: viegas.adv@ig.com.br