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20/08/2021 às 19h02min - Atualizada em 20/08/2021 às 19h02min

Raimundo Eloir Barbosa da Silva

Belém (PA), 28/06/1952 – Imperatriz (MA), 20/08/2021

Raimundo Eloir Barbosa da Silva - Foto: Divulgação
 
Pelo menos três paixões deixam de bater no peito de Raimundo Eloir Barbosa da Silva, que faleceu na manhã deste 20 de agosto de 2021, sexta-feira, em Imperatriz,, vítima de acidente vascular cerebral (AVC) e suas complicações.

Uma dessas três paixões  — entre as diversas que o coração, a mente e a alma do velho futebolista devem ter vivido – são as Artes Gráficas, sua paixão e meio de vida profissional. Lembro-me das tantas vezes em que ele, na sede dos jornais “O Progresso” ou no “Jornal de Imperatriz”, década de 1980, vinha me mostrar alguma imperfeição ou não conformidade de um “layout”, uma impressão, um uso de cores etc. etc. Um olhar clínico para o material impresso à sua frente e ele já detectava o incorreto, o inexato, o inapropriado. O cabra era bom nesse e em outros aspectos das Artes Gráficas!

Lembro-me de sua satisfação ao me contar, no final dos anos 1980, de sua aprovação em concurso da Escola Técnica Federal do Maranhão unidade de Imperatriz, exatamente para a área de sua paixão e profissão: Artes Gráficas. A Escola Técnica foi criada em março de 1987, a partir, entre outras, de gestões que iniciei e propus à Associação Comercial e Industrial de Imperatriz, quando fui seu diretor naqueles idos. Depois, a Escola Técnica foi mudando de nome (Cefet – Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão e, por fim, Ifma – Instituto Federal do Maranhão). Portanto, Eloir praticamente foi agente e usuário das sucessivas e efetivas melhorias ocorridas no Ifma, de estabelecimento com apenas dois cursos  —  Edificações e Eletromecânica —, depois um terceiro (Eletrotécnica), um quarto e quinto (Eletrônica e Saneamento), até a pujante realidade de hoje, em que o Instituto Federal, além de escola de formação técnica no nível do Ensino Médio, profissionalizante (Meio Ambiente, Celulose e Papel, Automação, Química etc.), é também estabelecimento de Ensino Superior, com Licenciatura em Física, Bacharelado em Ciências da Computação e Bacharelado em Engenharia Elétrica, onde se dedicam cerca de 80 professores, entre os quais 11 doutores, 27  mestres, 34 especialistas e 5 graduados.

A segunda paixão de Eloir eram os pássaros, em especial o curió. Foi fundador e presidente da Associação de Passaricultores de Imperatriz (API), à qual tanto vinculou parte de seu tempo, de seus esforços, de seus recursos. Sabendo de minha lida com mobilização, formatação, documentação e registro de associações e outras instituições do gênero, Eloir me procurou para algumas informações. Estava e era animado. Já ali em 2011, presidente da API, sabia-se dele lutando pela construção da sede própria da Entidade. A Associação foi considerada de Utilidade Pública pela Câmara de Vereadores. Em 2019, Imperatriz concentrava cerca de dez por cento dos 35 mil criadores  —  registrados —  de curió do Maranhão.
  
A terceira paixão de Eloir, que foi craque nos bons velhos tempos, era o futebol, mais especificamente, o Botafogo Futebol e Regatas, 127 anos de existência, 114 anos de futebol agora em 12 de agosto. Com torcedores que nem Eloir, o “Bota”, o “Fogão”, o “Glorioso” não tem condição de ser “Estrela Solitária”, exceto na logomarca... O próprio Eloir pregoava: “Botafogo não e só uma estrela solitária, é uma paixão sem dimensão”.

Meu amigo Eloir era daqueles que muito torciam por mim nas minhas idealistas campanhas eleitorais a prefeito de Imperatriz, a vereador, a deputado... Ele, o Mestre Cabral, o Nélson, o Capijuba, turma boa da diagramação e impressão do diário “O Progresso”, e eu (por mais de vinte anos colunista, articulista, noticiarista e colaborador em geral do jornal) brincávamos (mas desejando seriamente) que ainda iríamos ter a sorte de ter dinheiro para montar um outro parque gráfico e indústria editorial e jornalística. E haja jogar nos jogos lotéricos... Era muito sonho e boa vontade!...

Não estou em Imperatriz, para, de mais de perto, despedir-me do amigo. Nascido em Belém, Pará, em 28 de junho de 1952, Eloir Silva emprestou o melhor de seu talento, sua juventude, sua maturidade e seu trabalho para Imperatriz em seus 69 anos e quase dois meses de vida. Aqui casou, teve filhas, constituiu família, descasou, foi ativo em suas paixões esportivas e de passaricultura, formou um grande número de amigos, aprendeu e ensinou.
E se alguém observar por que exatamente hoje algum curió está em silêncio, não estranhe: ele está se despedindo de um amigo...

Também, por outro lado, se uma revoada de pássaros for vista pela cidade, em sinfonia de cantos, redobres, trinados, chilreios, pipilos, gorjeios, igualmente não se espante: são aves, à sua maneira, conduzindo em coro a alma do amigo que também criou asas, e voa para os Céus...

Que um coral de pássaros o (e)leve e que outro o receba nos portões celestes, meu amigo Eloir.

Que a sua Paz cubra e amenize a dor de seus familiares e de todos os demais que sentem sua ausência.

EDMILSON SANCHES 
[email protected]

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