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31/05/2021 às 19h03min - Atualizada em 31/05/2021 às 19h03min

Educação Profissional precisa ser desmistificada, diz SENAI

SENAI tem um papel fundamental para a indústria do estado

Coordenadoria de Comunicação e Eventos do Sistema FIEMA
Curso de solda industrial do SENAI capacita alunos - Foto: Divulgação
  
SÃO LUÍS –
Países da União Europeia têm, em média, 50,4% dos estudantes do ensino médio também matriculados em cursos profissionalizantes. Na Áustria, por exemplo, esse coeficiente é de 69,8%; na Finlândia, de 70,4%. No Brasil, o indicador é de apenas 11,1%, proporção que dificulta a inserção dos brasileiros no mercado de trabalho, e influencia os níveis de produtividade e inovação da indústria. 

Essa discrepância depaíses desenvolvidos com o Brasil em relação aos cursos técnicos foi tema debatido pelo Ministro da Educação, Milton Ribeiro em recente visita ao Maranhão, mais precisamente na cidade de Rosário, onde visitou obras do IFMA.  

O Ministro ressaltou que em visita a Alemanha perguntou sobre o desenvolvimento do país. E ouviu que mais de 70% da população que terminava o ensino médio realizava cursos técnicos para depois investir no ensino superior. “Precisamos construir a base. A formação técnica é fundamental para que possamos atender as demandas da indústria, do comércio. Sou totalmente a favor da educação profissional”, destacou o ministro.

A educação profissional é uma via de qualificação voltada para o mercado de trabalho, essencial para a formação da força de trabalho das indústrias. A qualidade da formação profissional é um determinante direto da produtividade dos trabalhadores. 

Segundo a Agência Brasil, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, por exemplo, tem um projeto-piloto para testar a viabilidade de um modelo de ensino técnico cujo currículo possa ser desenvolvido levando-se em conta as cadeias produtivas regionais.“É o que eu chamo de escolas profissionalizantes distritais”, explicou Pontes ao participar, de um seminário digital realizado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom). 

Sem detalhar valores, prazos ou fonte dos recursos, Pontes disse que a proposta vem sendo discutida no âmbito de seu ministério como uma forma de estimular a formação técnica-profissional que, segundo o ministro, é pouco valorizada no Brasil. “Espero colocar ao menos algum projeto-piloto em funcionamento, para que, no próximo ano, elas comecem a funcionar”, disse Pontes, detalhando que, inicialmente, pretende propor que o currículo das eventuais escolas profissionalizantes distritais sejam estabelecidos levando-se em conta as necessidades de mão de obra das empresas regionais. 

“Os países que têm melhores resultados no desenvolvimento de tecnologias são exatamente aqueles que valorizam o ensino técnico”, destacou Pontes, acrescentando que, embora possua boas escolas profissionalizantes, como as do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Brasil forma poucos técnicos. 

“O número de alunos que terminam o ensino médio com um curso técnico é muito baixo. O ideal é que esse número fosse triplicado. Que tivéssemos acima de 60% dos alunos que concluem o ensino médio com uma formação técnica. Para isso, precisamos trabalhar junto com as empresas, na cadeia produtiva regional. Para estabelecermos escolas distritais de ensino técnico que possam ser feitas em conjunto com o ensino médio, e cujos currículos sejam ditados pelas empresas regionais”, defendeu o ministro, destacando também a necessidade de atrair mais jovens para as ciências exatas. 

“O Brasil, que já enfrenta dificuldades com a falta de mão de obra especializada, precisa melhorar a qualidade da educação e valorizar a formação profissional e tecnológica, pois é crescente a necessidade de os trabalhadores desenvolverem as novas habilidades e competências requeridas pelas empresas”, destaca o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade. 

“Entendemos que esses dois pontos devem ser tratados de forma conjunta, pois grande parte do sucesso das empresas nos processos de digitalização de suas atividades depende da disponibilidade de pessoas que saibam interpretar e aplicar as novas tecnologias no dia a dia do trabalho”, acrescentou o presidente da CNI. 

OPÇÃO DE POUCOS

No Brasil, a educação profissional ainda é escolha de poucos. Em 2016, apenas 9,3% dos estudantes do ensino médio optaram pelo ensino médio integrado com a educação profissional (INEP, 2017). 

Com a reforma do ensino médio, pela Lei nº 13.415/2017, a formação técnica e profissional passou a ser um dos itinerários possíveis para os jovens, contribuindo dessa forma com a possibilidade de qualificação profissional dos 83% dos jovens brasileiros entre 25 e 34 anos que, conforme mostram as estatísticas da OCDE (2017), não terão acesso ao ensino superior. 

“Uma estratégia que deve ser utilizada é a sinergia entre o novo ensino médio e os programas de Aprendizagem. A ampliação da oferta de educação profissional deve estar respaldada por um criterioso processo de avaliação que garanta sua qualidade, por meio de currículos que correspondam às reais necessidades de formação do setor produtivo”, enfatiza o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Maranhão (SENAI), Raimundo Arruda.  

A formação técnica tem claros efeitos na renda. Pesquisas da  PUCdo Rio de Janeiro demonstram que, entre dois indivíduos com a mesma escolaridade, aquele que conta com um ano de educação profissional tem renda 18% maior. Técnicos da área de produção de petróleo e indústrias químicas, por exemplo, têm ganhos médios mensais de R$ 7.700. 

“Um curso profissionalizante pode ser o primeiro passo de um plano de carreira que não exclua a obtenção de um diploma universitário. Um técnico em mecânica tem a opção de fazer, posteriormente, um bacharelado em engenharia. Para alguns jovens, a inserção rápida no mercado de trabalho é o passaporte para a conquista da cidadania e a continuação dos estudos”, enfatiza Arruda. 

O investimento em educação profissional é imprescindível para o aumento da competitividade do país, para a retomada do crescimento da economia num ritmo mais vigoroso e para a criação de melhores oportunidades de emprego. 

A qualificação técnica adequada se torna ainda mais importante quando uma série de adaptações são exigidas das empresas e dos trabalhadores, em razão da quarta revolução industrial, chamada de “Indústria 4.0”. 

“Com a recente reforma do ensino médio, iniciou-se um longo processo para alinhar o sistema educacional às melhores experiências internacionais, com a flexibilização e a diversificação do currículo regular. Nações desenvolvidas perceberam essa necessidade há muito tempo, e partiram na frente, investindo pesadamente em educação profissional. Diante dos desafios que temos pela frente, é urgente preparar jovens e adultos para um mercado em profunda mutação tecnológica e de cultura organizacional. A educação profissional deve ser vista como fator de desenvolvimento e fortalecida como um investimento do país no futuro”, enfatizou o presidente da FIEMA, Edilson Baldez das Neves. 

SENAI

Com oito Centros de Educação Profissional e Tecnológica no Maranhão, oito unidades móveis e mais de 700 mil matrículas, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) completa neste mês da indústria, 68 anos de atuação no estado do Maranhão. 

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) no Maranhão registrou 18.335 matrículas em cursos técnicos nos últimos 5 anos e 30.471 em cursos de qualificação profissional voltados para as necessidades da indústria, que hoje emprega no Brasil 9,7 milhões de pessoas - ou 20,4% do total de empregos formais do país. 

Os cursos técnicos têm duração de no mínimo 800 horas, ou 1 ano, podendo chegar a 3 anos; e o aluno deve estar cursando ou ter concluído o ensino médio. Por preparar o indivíduo para o exercício de uma profissão, é muito procurado pelos jovens, de 16 a 23 anos, que representaram 12,44% (20.661) das matrículas em 2020. 

Ainda que o percentual diminua conforme a faixa etária avança, 217 com mais de 41 anos viram no curso técnico a oportunidade de se reinventar ou garantir um emprego em um ano de pandemia. Para garantir a manutenção do calendário, as escolas realizaram a parte teórica dos cursos com Ensino a Distância (EaD), simuladores 2D e 3D e conteúdo multimídia audiovisual. 

O SENAI do Maranhão tem em média 516 cursos em seu portfólio nas modalidades de Iniciação, aperfeiçoamento e qualificação profissional e habilitação técnica. Na lista dos 20 mais requisitados o destaque são as ocupações transversais, formação coringa que permite ao estudante exercer funções em quase todos os segmentos industriais. É o caso dos técnicos em eletrotécnica (1º), em eletromecânica (2º), segurança do trabalho (3º) e em metalúrgica (4º). 

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