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28/05/2021 às 21h37min - Atualizada em 28/05/2021 às 21h37min

A Covid-19 na África

Mario Eugenio Saturno*
A pandemia de Covid-19 tem fatos inesperados, como a África que é um continente populoso e que surpreendeu pela baixa contaminação ao longo do ano passado. Chegou a ser citado como exemplo da eficácia da cloroquina pelos néscios que negam a Ciência e acreditam que apenas no que veem, como o sol e as estrelas que circulam a Terra, donde concluem que a Terra é o centro do universo. Para entender a doença, são necessários cientistas que estudem e entendam.

Assim é o fenômeno na África que somou cerca de três milhões de casos de Covid -19 desde o início da pandemia até março. Números oficiais, claro! O número relativamente baixo de casos relatados no continente gerou muitas teorias, desde sua população jovem até os bloqueios rápidos e agressivos dos países.

Porém, inúmeras pesquisas de soroprevalência, que usam exames de sangue para identificar se as pessoas têm anticorpos de infecção anterior com o novo coronavírus (SARS-CoV-2), apontam para uma subestimação significativa da carga de Covid dos países africanos. E essa contagem insuficiente pode aumentar o risco de disseminação maior da doença, impedir o lançamento e a adoção da vacina e, em última análise, ameaçar os esforços globais para controlar a pandemia, conforme alertam os especialistas.

Onde quer que o vírus esteja circulando, especialmente em regiões com pouco acesso a vacinas, novas mutações podem surgir e é crucial identificá-las rapidamente. As mutações se desenvolvem espontaneamente à medida que um vírus se replica e se espalha. Embora muitos deles sejam inócuos, às vezes, podem tornar o patógeno mais transmissível ou mortal, como os novos mutantes do vírus SARS-CoV-2, descobertas na África do Sul, Brasil e Reino Unido, despertaram preocupações de que poderiam ser mais transmissíveis ou tornar as vacinas disponíveis menos eficazes.

O Quênia teve oficialmente 122.000 casos (na época da pesquisa, hoje, são 166 mil), mas uma pesquisa de banco de sangue em todo o país descobriu que cerca de 5% das mais de 3.000 amostras coletadas entre abril e junho passado continham anticorpos SARS-CoV-2. Com uma população com 54,8 milhões, se extrapolar essa porcentagem, teremos milhões de possíveis casos não diagnosticados no Quênia. O país pretende vacinar 30 por cento de sua população até 2023.

Em outra pesquisa, de cientistas da London School of Hygiene & Tropical Medicine, estimaram que apenas 2% das mortes de Covid em Cartum, Sudão, foram corretamente atribuídas à doença entre abril e setembro do ano passado. O Sudão tem uma população de 44,7 milhões de pessoas.

Essa subestimação dos casos de Covid estimula a narrativa de que os países africanos não precisam de vacinas com tanta urgência quanto outras nações. Muitos países africanos iniciaram programas de vacinação limitados, principalmente adquiridos através do COVAX Facility, que são destinadas a profissionais de saúde e grupos extremamente vulneráveis.

Atualmente, as nações ricas, responsáveis por 16% da população mundial, compraram 60% do suprimento global de vacinas, uma discrepância inaceitável para a Organização Mundial da Saúde.
Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot. com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.
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