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25/05/2021 às 19h37min - Atualizada em 25/05/2021 às 19h37min

Mayra Pinheiro defende cloroquina e diz que ministério tem autonomia em relação à OMS

Agência Senado
A secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro em depoimento à CPI - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
  
A secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro afirmou à CPI da Pandemia que, na qualidade de médica, mantém a orientação do uso de cloroquina e “de todos os recursos possíveis para salvar vidas”. A adoção do medicamento contra a covid-19 foi um dos principais temas abordados pelos senadores no depoimento desta terça-feira (25) na comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado. 

A servidora, que é titular da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde da pasta, disse ainda que nunca recebeu ordem para defender o remédio e que o ministério nunca recomendou o uso da substância, mas apenas orientou a comunidade médica para a dosagem segura, uma vez que a cloroquina e a hidroxicloroquina já vinham sendo usadas no mundo inteiro. 

O relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda mais o uso dos remédios, e a testemunha respondeu que, embora o Brasil seja signatário da entidade, os ministérios da Saúde de todos os países do mundo são órgãos independentes e têm autonomia para a tomada de decisão de acordo com as situações locais.

— A OMS retirou a orientação desses medicamentos para tratamento da covid-19 baseada em estudos que foram feitos com qualidade metodológica questionável, usando medicações na fase tardia da doença, em que todos nós já sabemos que não há benefício para os pacientes — afirmou o senador. 

Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, afirmou que cloroquina não é antiviral em “estudo sério” nenhum do mundo. Trata-se de um antiparasitário, frisou. Ao se referir ao presidente Jair Bolsonaro, ele disse que a insistência em permanecer no erro não é virtude, mas defeito de personalidade. 

— Minha discordância aqui nunca foi política, mas científica, não tem nenhum antiviral que possa controlar a doença. Não podemos levantar a bandeira. Isso não é sério, não é honesto, não é direito. É uma medicação velha, usada numa doença nova que não se conhece — disse Otto. 

A secretária respondeu dizendo que há estudos demonstrando efeitos antivirais da cloroquina e reiterou que nunca disse que o medicamento seja capaz de curar a covid-19, mas, sim, diminuir as internações e evitar o colapso do sistema de saúde. 

Indagada pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), a representante do Ministério da Saúde disse não achar adequado o apelido que ganhou de “Capitã Cloroquina”. 

— Não acho o termo adequado, pois não sou oficial de carreira militar. Sou uma médica respeitada no meu estado, por isso prefiro ser chamada apenas de doutora Mayra Pinheiro — afirmou. 

Tratamento precoce
O senador Marcos Rogério (DEM-RO) disse que tem havido um debate muito grande na comissão sobre a cloroquina e “tratamento precoce” — mas só em relação ao governo federal —, sendo que a execução das políticas públicas são feitas pelos estados e municípios nas suas respectivas unidades de saúde. 

O governista fez um levantamento mostrando que há estados seguindo atualmente o protocolo de “tratamento precoce” com adoção de cloroquina. É o caso, segundo ele, de Alagoas, Bahia, São Paulo, Amapá. 

— O que mata mais é o atendimento precoce, com os medicamentos disponíveis receitado pelos médicos, ou é a negação do atendimento? O doente deve procurar ajuda só quando não tiver mais jeito? — indagou o parlamentar, que apresentou estudos demonstrando a importância do tratamento na fase inicial da doença. 

Imunidade de rebanho 
Pressionada pelo relator sobre a teoria da imunidade de rebanho, a secretária do Ministério da Saúde esclareceu à CPI da Pandemia que a tese não pode ser usada indistintamente na população por não ser possível prever o tempo e a intensidade de exposição necessárias até que seja atingido algum benefício. 

O relator chegou a exibir um vídeo em que a representante do Executivo fala sobre o assunto, mas ele alegou que estava se referindo somente às crianças e não à população em geral. 

— O áudio que o senhor acabou de mostrar é de uma colocação referente à população pediátrica e, na época, eu defendia que as crianças não fossem retiradas das escolas. Isso foi uma das maiores agressões que a gente fez a essa população […] Como pediatra, eu fiz vários estudos, ao lado de colegas que são cientistas, e hoje temos a certeza de que as crianças têm 37,5 vezes menos chances de contrair a doença e a possibilidade de transmissão a partir de uma criança também é baixa — explicou.

Ainda segundo ela, a tese de imunidade de rebanho nunca foi cogitada pelo Ministério da Saúde como estratégia de combate à pandemia; além disso, o assunto nunca foi discutido com ela pelo presidente da República. 

Genocídio
A reunião desta terça-feira já começou com um bate-boca entre governistas e o relator Renan Calheiros, que abriu seus questionamentos com um texto sobre o Tribunal de Nuremberg, que julgou nazistas após a Segunda Guerra Mundial.

Ao falar da lealdade de Hermann Goring a Adolf Hitler e do genocídio dos judeus, Renan foi imediatamente interrompido pelo líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

 — É um absurdo querer comparar a situação que nós estamos enfrentando aqui com o genocídio que ocorreu na Alemanha. É um absurdo. Isso é mais que um prejulgamento! É uma coisa odienta! Odienta! — protestou. 

Horas depois, o senador Marcos Rogério leu nota da Confederação Israelita do Brasil (Conib) repudiando a menção ao nazismo feita por Renan. O relator, então, alegou que não comparou a pandemia ao Holocausto, e sim, “à atitude de negação” de autoridades. 

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