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09/05/2021 às 14h05min - Atualizada em 09/05/2021 às 14h05min

As três mães de mais de 30 filhos

Sergio Macedo
Leonor pariu 11, criou 12, Fany deu à luz 19, criou 20, observem, sem nenhuma ocorrência de gêmeos.

Leonor era minha mãe, Fany era avó, mãe do meu pai. 

Leonor consumiu todas as combinações da consoante S com as cinco vogais; Sandra, Sérgio, Silvio, Sonia, Soraia e Suiane. Não havendo mais como, fez José Macedo Neto, Jurivê Filho, Marco Aurélio, Vanuza e, para encerrar, Sandro Rogério – com o “SA”, de Sandro, ficou todo mundo apavorado, “a mulher vai começar outra série!”

Parido os 11, daí a poucos já eram os ponteiros da rama que começariam a procriar e minha mãe era crente de que os primeiros netos, ou pelo menos um dos primeiros, ela criaria. Sandra produziu Rodrigo e, claro, não deu; eu ganhei o Daniel e, óbvio, não dei.

É aquele negócio de que EM CORAÇÃO DE MÃE SEMPRE CABE MAIS UM. Foi nessa que o Leandro entrou em cena, presente de Deus para abrandar a sede de ser mais e mais mãe. Leandro foi tanto quanto, ou até muito mais, amado que os 11 do próprio ventre.

Fany foi além, castigou no JOTA: Jurivê, Jandoni, Jani, Jano, Jackson, Jan, José, Jasmelino, Jamil, Jurimar, Jairo, Josemar, Josália, Jales e João. Extenuada do JOTA, mas não de ser mãe, vieram mais Serafim, Paulo e Fany(zinha). Em meio aos filhos (quase todos cáusticos observares), corre a lenda de que dona Fany passou vinte anos sem menstruar – ela, parideira, e vovô Zezé, infalível; o próximo sempre foi gerado logo ali pelo fim do resguardo.  

Tal como Leonor, Fany fez maternidade também para filho que ela não gerou, foi nas origens da nossa gente, ganhou uma indígena legítima, Tânia, a Tapuia que nem Leandro da Leonor, tão ou mais amada que todos os outros.

Leonor era só mãe, tempo integral, dedicação exclusiva. Feliz por ter chegada ao seu último dia, com 80 anos, sem nunca ter enterrado uma das suas crias. Morreu de saudade, se casou com meu pai aos 16, foram 64 anos juntos. Tinha saúde de ferro, só se queixava de vez em quando ”de dor na coluna “, mas depois que Jurivê subiu, ela não quis mais viver, dava trabalho para comer, adquiriu problemas cardíacos, acumulou 5 stents e foi atrás dele 6 anos depois.

Leonor rima com DOR, da saudade, também com AMOR – partiu há 5 anos, mas ainda dói.

Fany e Leonor, quando a primeira concluía sua obra maternal, a outra começava; ainda carregaram buchos ao mesmo tempo, minha ‘vó do caçula legítimo, Paulinho, minha mãe da primogênita, Sandra.

Fany quebrou a barreira dos 90, iria aos 100, como foram suas irmãs, Blandina, Guilhermina e Manita; pena que tenha caído de um canteiro, algumas fraturas, não resistiu à segunda cirurgia, se não me engano, do fêmur. Era professora de Português “clássico”, inconformada com as modernizações facilitadoras da escrita; para ela, farmácia nunca deveria ter deixado de ser “pharmácia”, e fator, seria eternamente factor.

Minha outra avó, Francelina, vó França, pariu só duas vezes. A mais velha, Emília, morreu, assassinada, ainda na casa dos 20 anos. Tragédia que também, a vitimou, chorou os 7 anos que lhe restaram; lembro-me que um dia, chorando, rompeu um vaso da região lacrimal, chorou sangue, morreu de amor.

Mães, com histórias construídas ou em construção... são tantas as que nos rodeiam, dentre elas duas filhas minhas, Tayane e Luana, e a nora igualmente amada, Tássia. 

Às mães do mundo inteiro, que todas sejam Leonor e Fany, plenas de felicidades. 

Às que sofrem, a certeza de que é o amor de mãe o que mais santifica.

 SÉRGIO  Antônio Mesquita  MACEDO  é Secretário de Comunicação da Prefeitura de Imperatriz, MA e foi Jornaleiro, Revisor, Repórter Policial, Copydesk, Secretário de Redação e Editor-Chefe de O PROGRESSO.
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