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07/05/2021 às 16h24min - Atualizada em 07/05/2021 às 16h24min

Pesquisa vira projeto social na cidade de Imperatriz e beneficia população

Assessoria
Cirurgiã-dentista Suzana Carvalho da Cunha
Em 2018, um projeto de pesquisa de pós-graduação para avaliar o conhecimento dos educadores e colaboradores das escolas do município virou um projeto social que busca ensinar as condutas certas diante de situações que envolvam machucados na boca e nos dentes. Inicialmente, o intuito era colher dados para a pesquisa, mas surgiu uma vonta
de de fazer um diferencial para a população: capacitar os profissionais da educação que ajudariam na pesquisa e assim, disseminar o correto atendimento às crianças e adolescentes que sofrem traumatismo dental na escola. A faixa etária de 1 a 14 anos de idade apresenta as maiores porcentagens de trauma e ocorre, principalmente, nas escolas ou na própria casa. Em tempos de pandemia, as crianças estão isoladas em casa, com isso as estatísticas de traumatismo dental aumentaram.  As sequelas são diversas como a perda de dente, sensibilidade, presença de dor e etc.. O trauma dental é considerado um problema de saúde pública mundial pela Organização Mundial de Saúde (OMS) juntamente com o câncer e a cárie.
Vamos entrevistar a responsável pelo projeto de capacitação voluntária dos profissionais da educação, a cirurgiã-dentista Suzana Carvalho da Cunha, formada há 16 anos, profissional concursada da Prefeitura Municipal de Imperatriz e atua na cidade há nove anos na HappyClin Odontologia.

 

Primeiramente o que definimos como traumatismo dental?
Culturalmente acreditamos que o trauma dental envolve apenas o dente e não é bem assim. Todas as estruturas anexas ao dente como osso e gengiva também estão interligados. Dente quebrado, gengiva machucada, dente amolecido, lábio cortado, etc. são exemplos de traumatismo dental.  Então, essa é a grande importância do projeto: informar. Precisamos passar o conhecimento de forma universal. E o foco em questão são todos professores e colaboradores das escolas públicas e particulares, desde o porteiro até a diretoria. Queremos orientar que um sangramento na gengiva pode ser uma fratura de raiz e não apenas um corte, por isso não pode ser subestimado.

Por que esse projeto é mais voltado para escolas em geral?
Pensando em um cenário ideal, esse projeto precisava ser repassado para todas as pessoas independente de profissões. Estamos sujeitos a acidentes o tempo inteiro. Mas, diante das estatísticas, os grupos mais expostos são os de faixa etária entre 1 a 14 anos e os esportistas. No meio esportivo, já existe uma boa disseminação do uso de protetor bucal. Acreditamos que as escolas são um ótimo ambiente para uma mudança de atitude diante de uma situação de traumatismo dental, uma vez que são nelas que ocorrem mais casos. Iniciamos nosso projeto no município pelas escolas particulares em 2018 e estamos aguardando a normalização das aulas (pandemia) para iniciar nas escolas públicas. 

O que especificamente você quer falar com mudança de atitude?
A mudança de atitude virá a partir da informação/conhecimento para fazer a diferença frente a um trauma dentário. Este projeto foi desenvolvido por mim e uma amiga de especialização onde, antes da capacitação, aplicamos um questionário criando situações hipotéticas de trauma para avaliar qual seria o conhecimento dos educadores e colaboradores no primeiro atendimento dessas crianças. É perceptível, em todas as escolas que foram capacitadas, um total desconhecimento sobre o assunto. Os dentes anteriores são os mais envolvidos e uma atitude errada, como por exemplo, não limpar a ferida para entender o que ocorreu, pode gerar sequelas graves inclusive a perda total do dente. A preocupação vai além da saúde bucal, envolve também o desenvolvimento psicossocial desse jovem que perde permanentemente um dente anterior. A informação correta tem que ser universal para os que passam boa parte do tempo cuidando de crianças e adolescentes. Assim, as sequelas diminuirão, pois, teremos condutas assertivas estabelecidas.

Qual seria a melhor orientação para todos que estão lendo essa reportagem?
Diante de casos de trauma dental, sempre procure um profissional o mais rápido possível. O atendimento tem que ser imediato. Se houver muito sangramento, limpe a ferida, observe se há falta de dentes e caso haja, faça buscas desse dente com a ajuda de outras pessoas. Nunca pegue o dente que caiu da boca pela raiz. O melhor e mais universal meio de transporte de pedaços/dentes completos é o leite. Nunca em meio seco como guardanapos ou potes.

Qualquer dentista faz esse atendimento a pacientes traumatizados?
A princípio sim, todos os profissionais são treinados para esses casos. Porém de forma mais especifica, os especialistas em Endodontia são mais habilitados. Mas enfatizo mais uma vez, o mais importante é um atendimento rápido e eficiente. O profissional que não se sentir seguro vai estabilizar o quadro e encaminhar para um especialista.

Quais seriam suas considerações finais?
Procurem orientações com seus dentistas sobre esse assunto em suas visitas periódicas. É um tema universal e pode acontecer com seu filho. Procure saber se o profissional de sua confiança faz esse tipo de atendimento e, se não fizer, saiba onde buscar esse serviço na sua cidade se um dia você precisar dele. Procure informações na escola onde seu filho estuda ou onde pratica esportes; veja se os professores são capacitados sobre o assunto e sabem proceder em uma situação de traumatismo dental. Façam o uso de protetores bucais para todas as crianças e adolescentes. O protetor bucal tem que ser um acessório de proteção para qualquer tipo de brincadeira ou esporte. A prevenção é a única maneira de evitar grandes problemas. Estamos à disposição para capacitar voluntariamente qualquer instituição ou profissional que se interesse sobre o assunto.  

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