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25/03/2021 às 00h00min - Atualizada em 25/03/2021 às 00h00min

Imperatriz, 600 mortos

Os pesquisadores alertam que, neste momento de crise, é urgente a adoção rigorosa das medidas de bloqueio da transmissão

Da Redação
Com informações da Fiocruz
Profissionais da saúde em hospital - Foto: Divulgação/Paolo Miranda
 
Depois de um ano do registro do primeiro caso, em 1º de abril, e menos de um ano da primeira morte, 15 de abril (as datas, onde constam esses registros, são do Ministério da Saúde), Imperatriz rompeu o triste número de 600 mortos. 

Apesar da atenção que governantes têm dado à situação, a COVID-19 se alastrou como de resto, em todo o Brasil. O detalhe é que por aqui, com o advento das eleições, festas de fim de ano e carnaval (que oficialmente não teve, mas teve) muita coisa correu frouxa. O resultado é que entre as cidades com o mesmo perfil populacional, Imperatriz apresenta uma das piores estatísticas, superando a casa dos 600 mortos. Nossa vizinha, a cidade de Marabá, a exemplo, tem praticamente o mesmo número de casos registrados, 13 mil aproximados, e 300 mortos. 50 por cento menos mortos. Um pouco além, Juazeiro do Norte (CE), com 19 mil casos, se aproxima dos 400 mortos. 

Fiocruz alerta para medidas rigorosas

Ao divulgar um novo boletim extraordinário, O Observatório Covid-19 da Fiocruz chamou a atenção para a necessidade da adoção de medidas rígidas para o bloqueio da transmissão da doença em todos os estados, capitais e municípios que se encontram na zona de alerta crítico. As principais recomendações apontadas são a restrição das atividades não essenciais por cerca de 14 dias, para redução de aproximadamente 40% da transmissão, e o uso obrigatório de máscaras por pelo menos 80% da população.

O documento destaca ainda o agravamento do cenário nacional. “Desde o início do mês de março, o país assiste a um quadro que denota o colapso do sistema de saúde no Brasil para o atendimento de pacientes que requerem cuidados complexos para a Covid-19”, afirmam os pesquisadores do Observatório. “Este colapso não foi produzido em março de 2021, mas ao longo de vários meses, refletindo os modos de organização para o enfrentamento da pandemia no país, nos estados e nos municípios”.

Observado o aumento desproporcional da mortalidade no país, passando de cerca de 2% no final de 2020 para 3,1% agora em março, especialistas comentam que “O cenário é preocupante, pois indica que pode estar havendo uma situação de desassistência e falhas na qualidade do cuidado prestado para pacientes com quadros graves de Covid-19”, comentam os especialistas. “A incapacidade de diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais, em um processo que vem sendo apontado como o colapso do sistema de saúde, pode aumentar a letalidade da doença, dentro e fora de hospitais”. 

De acordo com os dados, ocorreram, em média, 73 mil casos diários e 2 mil óbitos por dia na última semana epidemiológica analisada, isso no período de 14 a 20 de março. Na terça-feira, 23, o Brasil superou a marca de 3 mil mortes/dia e Imperatriz superou a marca de 600 mortos, 100 deles somente neste mês de março. 

Os pesquisadores alertam que, neste momento de crise, é urgente a adoção rigorosa das medidas de bloqueio da transmissão na quase totalidade dos estados e capitais que se encontram na zona de alerta crítico, bem como nos municípios que integram regiões de saúde onde há altas taxas de ocupação de leitos UTI Covid-19.

“A coordenação e integração destas medidas, articuladas entre os diferentes níveis de governo e com ampla participação da sociedade, é vital neste momento. Assim, mesmo que vários municípios e estados já venham adotando estas medidas, é fundamental que governos municipais, estaduais e federal caminhem todos na mesma direção para ampliá-las e fortalecê-las, uma vez que a adoção parcial e isolada nos levará ao prolongamento da crise sanitária”, afirmam.

“A continuidade dos cenários em que temos o crescimento de todos os indicadores para Covid-19, como transmissão, casos, óbitos e taxas de ocupação de leitos UTI, resulta em colapso que afeta todo o sistema de saúde no país e no aumento das mortes por desassistência”, destacam os cientistas no boletim. “Trata-se de um cenário que não é só de uma crise sanitária, mas também humanitária, se consideramos todos seus impactos”.

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