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20/03/2021 às 00h00min - Atualizada em 20/03/2021 às 00h00min

PONTES, PRECISAMOS DELAS

Elson Araújo
Foto: Divulgação
Manhã de céu nublado com os ventos gerais fazendo-se prazerosamente presente, beijando rostos e produzindo lembranças. Já pertinho do final da primeira quinzena do mês de julho ao cruzar aquela ponte decidi parar. Desci do carro. Naquele instante senti o vento mais forte, a ponto de deixar aquela vaga impressão de que aquela obra da engenharia humana balançava.  

Respirei profundamente, absolvi a beleza do momento e numa breve oração dei graças ao Criador. Olhei para baixo. Senti uma pequena vertigem, que logo foi embora. Naquele momento procurei esvaziar a mente de todo e qualquer pensamento que viesse atrapalhar aquele solitário instante de contemplação, mas não teve jeito. Uma lágrima teimosa, logo levada pelo vento, escorria pelo canto do olho direito. Estava ali naquele momento totalmente comigo, e de repente passei a lembrar das dezenas de notícias de pessoas de todas as classes, idade e credos que ali já estiveram não para saudar, ou contemplar a natureza, mas para um salto rumo ao desconhecido deixando para trás um rastro de incerteza, dor, tristeza e luto. Oremos! 

As pontes são, assim, caminhos para o desenvolvimento, para o hoje, para o amanhã; para os encontros e desencontros, encantos e desencantos. 

É interessante observar que das pequenas às gigantescas é impossível pensar a humanidade vivendo sem pontes. Sem elas certamente a vida seria mais difícil e condenaria muitos grupos humanos ao isolamento. Precisamos delas! 

Além de proporcionar a mobilidade de veículos, pessoas e animais de um extremo a outro, sobre rios, lagoas, baias, pequenos e grandes cânions, conceitualmente uma ponte pode apresentar vários outros sentidos, sem perder a essência do “ser ponte”. Raciocino que, mais do que isso, o “elemento ponte” perpassa a simples interligação entre dois pontos, uma vez que o ser humano ao longo de toda vida é um, frequente, construtor de pontes invisíveis, porém concretas. 

Existencialmente o homem precisa dessas pontes para as inúmeras travessias de que ao longo da vida necessita fazer. A ponte entre o mundo material e o mundo espiritual, entre a Terra e o Céu, entre o Céu e o Inferno, o passado e futuro; entre o ser e o ter, entre o eu interior e o eu exterior. 

Não tem jeito, há sempre uma ponte para ser construída. Há sempre uma ponte no meio do caminho a ser cruzada, vencida, superada.  

Concretas, ou abstratas, reais, ou imaginárias, não há dúvida, as pontes têm uma importância extraordinária nas nossas vidas. Elas só perdem a importância quando são utilizadas para travessias e despedidas infelizes.

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