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13/03/2021 às 00h00min - Atualizada em 13/03/2021 às 00h00min

Chamem o Batman mesmo

Phelippe Duarte
No Brasil existem situações únicas, raras, que não se explicam. Há alguns anos, Sérgio Moro era visto como o salvador do país. O homem da capa preta que não se chamava Bruce Wayne, mas que combateu a corrupção como nenhum outro teve coragem. De todas as maneiras e formas, indiretas e diretas, tentou prender Lula. E conseguiu. Ao prender Lula, Sérgio Moro caiu nas graças dos brasileiros, menos e claro, dos lulistas fervorosos, que diziam que o Juiz Federal estava perseguindo o ex- presidente. Lula antes de se entregar à Polícia Federal, fez uma algazarra das boas: subiu em palanque mamado, chamou padre, bispo, fez o discurso hipócrita de sempre, e foi para a cela. Da onde nunca deveria ter saído. Mas saiu. Lula mesmo sem provar sua inocência, está solto, por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, que em uma decisão que surpreendeu o mundo da política e seus colegas ministros, anulou todas as condenações do então presidiário Lula, e devolveu os poderes políticos do mesmo. Lula pode ser candidato em 2022 à Presidência da República, sendo o primeiro bandido a escapar da cadeia sem cumprir a pena e saindo pela porta da frente. A esta altura da vida política do Brasil eu nunca mais imaginei escrever em uma mesma frase, Lula e presidência. Jamais. Enquanto Lula sai da cadeia e volta a cogitar a cadeira de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, aquele mesmo do início do texto, que brigava contra a corrupção no país, é achincalhado, apedrejado. Prova de que no Brasil se você for lutar contra a corrupção, contra a bandidagem, contra a safadeza, pode ser que a sua vitória, seja a sua maior derrota. Em 2018, quando foi eleito, Bolsonaro foi o voto do protesto contra esta mesma corrupção que Moro lutava. Porém, a vitória dos brasileiros também se mostra hoje, uma derrota: Jair Bolsonaro trata a pandemia, ainda hoje, com quase 300 mil mortos em todo o país, como uma gripezinha, um “mimimi’’. É inegável que a pandemia virou discussão política. E enquanto as opiniões sobre esse holocausto que vivemos forem políticas, não haverá entendimento nem acordo por nada. A volta de Lula cria uma sombra de medo e insegurança. Um covid-13 visível, a espreita, pronto para atacar, entrar nas veias do povo, atingir o dedo  indicador e escutar uma musiquinha de urna eletrônica.  Em contrapartida, Bolsonaro tem feito um grande trabalho como gestor nacional: mandou verba para os Estados brasileiros, criou o auxílio para os que ficaram desempregados e para empresários com dificuldades financeiras. Mas quando fala, parece que tem uma ponte na boca. Uma ponte? Sim. Com alguém cagando embaixo dela. Se governasse calado, Bolsonaro seria realmente como o chamam: mito. Me assusta perceber que os mesmos eleitores eternos apaixonados que aplaudiram a liberdade de Lula, moram nos olhos dos apaixonados por Bolsonaro. São fanáticos, doentes. O Brasil vive dois lados: Lulistas e Bolsonaristas. 

No meio dos lados, está Sérgio Moro. Vendo Lula bulinar a justiça com o cotoco do dedo e Bolsonaro, um marido da justiça, que agora, está com um olho aberto e outro fechado. Moro está sozinho, isolado. O único que lutou sem pensar no próprio umbigo, apesar de ter criado uma certa vaidade no buraco da barriga, ainda sim, é o homem que quis fazer algo importante. Se Sérgio Moro fosse realmente Bruce Wayne, teria uma máscara para esconder sua identidade, podendo assim usar o símbolo do morcego como “aquele que luta de todas as maneiras e procedimentos, quando o sistema falha’’. Infelizmente, a sua máscara não existe. E ele verá de camarote a briga entre o Duas Caras (o que trabalha por um lado e faz merda do outro) e o Coringa (o vilão simpático). Cabe a nós brasileiros distinguirmos o que é realmente grandioso neste exato momento para o Brasil: se ficarmos discutindo a pandemia como política, ou se começarmos a cuidar de nós mesmos, sem depender de pretensos heróis.
Phelippe Duarte - administrador e publicitário
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