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06/03/2021 às 00h00min - Atualizada em 06/03/2021 às 00h00min

O suicídio como fato social

Ricardo Coelho
Para Émile Durkheim, sociólogo e filósofo francês, o fato social é o objeto de estudo da sociologia e, o suicídio, é um fato social que deve ser estudado, pois ele se encontra presente nas sociedades. Para ele, existem três tipos de suicídio: anômico, o egoísta e o altruísta, cada um com sua especificidade. O aparecimento desses tipos de suicídio vai depender daquilo que ele chamou de “coesão social”. Quando a sociedade não tem uma coesão social consistente, forte, e ela não se mantem unida, perdendo seu significado para as pessoas, neste caso temos o suicídio anômico.

Nas sociedades onde as coisas estão bagunçadas, as leis não são cumpridas, as regras não são obedecidas, onde não há mais respeitos entre as instituições e as mesmas não despertam mais respeito por parte do cidadão, o suicídio se torna presente devido a essa falta de coesão, de sintonia. Ou seja, o suicídio anômico acontece na sociedade quando o indivíduo perde a fé nas instituições que deveriam possibilitar todo amparo e proteção. Neste contexto, o sujeito se sente traído, mergulhado numa imensa falta de sentido, vindo a se matar.

O suicídio egoísta também é caracterizado por sociedades de baixa coesão social. O indivíduo não ver mais razão na sociedade, nas instituições, e começa a pensar do seguinte modo: já que tudo está corrompido mesmo, então não vale a pena mais lutar por nada. A sociedade o decepciona, causando-lhe uma melancolia, o que lhe faz cair numa depressão. Como percebe que está confusa a sociedade, pois perdeu a noção de coletivo, o indivíduo parte para o individual, onde acontece o suicídio egoísta. Neste contexto, o ter vale mais que o ser, as aparências mais do que a essência e, o indivíduo, vazio de tanto investir em si, aumenta sua dor existencial, o que lhe faz recorrer ao suicídio, chamado por ele de egoísta.

No suicídio altruísta o indivíduo comete suicídio não por estar melancólico, depressivo ou porque pensa que a sociedade está desorganizada, mas porque ele tem uma causa pela qual luta e acredita fielmente ser a mais justa. Portanto, morre pela nação, morre pela sua religião, pelo seu partido político. Morre pela sua sociedade porque acredita que está acima das demais. Ou seja, no suicídio altruísta, a coletividade tem força sobre o próprio indivíduo, como afirma o próprio pensador: “submetido em excesso a uma consciência coletiva, o indivíduo não possui valor por si mesmo, mas apenas à medida que puder ser útil ao seu grupo social. O grupo tem absoluta prioridade sobre quaisquer desejos do sujeito de estar vivo ou morto”.
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