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22/08/2020 às 17h09min - Atualizada em 22/08/2020 às 17h09min

Soja brasileira provoca queda na oferta de biodiesel

Indústria do setor deverá paralisar suas plantas em setembro ou outubro em razão do pouco volume de esmagamento de soja, informou o ex-diretor da SNA, Fernando Pimentel

Agrosecurity e Ubrabio/SNA
Tanto o biodiesel como o etanol de milho e de cana e a queima de biomassa criam oportunidades e são interessantes para o crescimento da economia verde e para a imagem do Brasil no exterior em relação à preservação ambiental - Foto: Divulgação/Pxhere

A oferta de biodiesel para o mercado brasileiro tem diminuído em relação à demanda. Segundo especialistas, o motivo dessa baixa está relacionado à soja. Neste caso, a maior parte da produção vai para o exterior e, com isso, não há volume suficiente para o esmagamento.
"Isso cria problemas na retenção de matéria-prima para o esmagamento brasileiro, do qual dependem o programa de biodiesel e as indústrias de óleo comestível e de farelo de soja para as cadeias de produção de proteínas animais", explicou Juan Diego Ferrés, presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio).
"Já comercializamos mais de 95% da safra de soja colhida em março e abril desse ano, há pouco volume para esmagamento e é bem provável que a indústria do setor comece a paralisar suas plantas no final de setembro ou outubro. Talvez tenhamos de importar soja para manter as unidades operacionais, e isso de fato é uma distorção", destacou Fernando Pimentel, sócio-diretor da Agrosecurity.

Tributação
Em termos de reforma tributária, afirmou Pimentel, "há interesse em aumentar a industrialização do esmagamento de soja no País, até porque, em função da Lei Kandir, já tivemos um problema tributário onde perdemos espaço no mercado de farelo e óleo para a Argentina".
No entanto, ponderou o analista, a reforma poderá trazer posicionamentos positivos e negativos. "A visão de que o agronegócio está sendo bem-sucedido e que pode eventualmente ser tributado é um risco. A princípio, não sou otimista em relação a qualquer tributação proposta para melhorar o setor de esmagamento de soja, mas temos de ver como essa reforma vai evoluir".

Empregos
Por outro lado, Ferrés, da Ubrabio, disse que o segmento de biocombustíveis tem grande potencial para a geração de empregos e que, "a partir da realização de emendas na reforma tributária, seria possível gerar 17.900 empregos diretos e outros 89.500 indiretos até 2030, no contexto de uma política de agregação de valor".

Bioeconomia
Em termos gerais, o executivo afirmou que os biocombustíveis são uma ponte de acesso do Brasil para a Bioeconomia, que tem como princípio a substituição do petróleo e de fontes não renováveis por matérias-primas agrícolas e florestais.
Para Pimentel, tanto o biodiesel como o etanol de milho e de cana e a queima de biomassa criam oportunidades e são interessantes para o crescimento da economia verde e para a imagem do Brasil no exterior em relação à preservação ambiental.
Porém, complementou o consultor, "os biocombustíveis só prosperam se houver viabilidade econômica. Logo, os arcabouços legal e tributário devem ser desenvolvidos no sentido de construir uma oportunidade para que a Bioeconomia possa evoluir e trazer resultados aos seus protagonistas".


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