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13/02/2021 às 00h00min - Atualizada em 13/02/2021 às 00h00min

E os que morrem em tempos de Covid-19?

Ricardo Coelho
Após o surgimento do Covid-19 e as sucessivas mortes por este maldoso vírus, as cidades passaram a evitar os velórios, visando evitar aglomerações e novas contaminações. Ao saber disso, me reportei à mitologia grega, onde o rito do velório era fundamental para o descanso ou não do morto.

No submundo grego, morava um velho, forte e vigoroso, chamado pelos mitólogos de Caronte. Caronte era conhecido como o barqueiro da morte. Um velho frio e insensível, cujas mãos sustentava um remo capaz de quebrar o mais duro aço. Ele patrulhava o rio tenebroso chamado Aqueronte, de águas lamacentas, que era motivo de espanto e medo para as almas que por lá passavam. Caronte era responsávelpor atravessar as almas até as fronteiras Hades.

Só que, se o morto, ao chegar aos limites de Hades, às margens do rio sem vida, não dispusesse de uma moeda para pagar o barqueiro, este não atravessaria. É como se fosse uma taxa, um imposto, assim como pagamosa balsa para atravessar o Rio Tocantins, aqui em Imperatriz. Quem mandava no rio era Caronte, o capataz do capeta. 

Calculista por destino e sorrateiro, Caronte representava o caminho mais curto para o inferno.Daí a importância que os gregos davam ao morto, a ponto de colocarem debaixo da sua língua uma moeda para pagar o barqueiro na travessia do rio.

Mas também o barqueiro não atravessava ninguém que não tivesse recebido as cerimonias fúnebres, ou seja, aqueles mortos que não tiveram o velório, que não houve nenhuma reunião de despedida ou mesmo os que não foram sepultados, esses, Caronte não os atravessava. Em tempos de Covid-19, onde muitos estão sendo cremados, velórios evitados, certamente esses mortos teriam sérios problemas com o barqueiro da morte,pois o velhonojento não atravessaria nenhum morto nessas condições. É uma pena que ele não soube do corona!
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