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10/02/2021 às 00h00min - Atualizada em 10/02/2021 às 00h00min

Lavrador reaparece e afirma que foi torturado por PMs ‘velados’: ‘Implorei para não morrer’

O caso custou o cargo do comandante do 15º BPM em Bacabal, Major Duarte, que foi substituído pelo também Major Berredo

Dema de Oliveira
Lavrador José de Ribamar está sendo escoltado por policiais civis - Foto: Divulgação
José de Ribamar Neves reapareceu nesta segunda-feira (8) e diz ter sido levado por policiais militares que investigavam um furto em Bacabal, cidade a 450 KM de Imperatriz. Em entrevista, ele afirmou que testemunhou os últimos momentos do comerciante Marcos Santos, morto por PMs ‘velados’.

Uma semana após ter sido levado por policiais militares, o lavrador José de Ribamar Neves Leitão, de 25 anos, reapareceu nesta segunda-feira (8) e relatou que sofreu tortura por PMs à paisana, conhecido como ‘velados’, em Bacabal. O grupo é o mesmo suspeito de participar da morte do comerciante Marcos Santos.

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Jefferson Portela, as denúncias estão sendo apuradas. 

O lavrador relatou o caso em uma transmissão ao vivo na internet. José de Ribamar afirma que foi levado pelo grupo no mesmo dia em que Marcos Santos foi capturado e que presenciou a morte do comerciante. Segundo o lavrador, os policiais queriam que ele confessasse que havia praticado um furto e, em seguida, seria morto pelos PMs.

José de Ribamar conta que os PMs foram até o seu local de trabalho e o atraíram para uma emboscada. Ao chegar ao local, os policiais o pressionaram para confessar que havia furtado carneiros. Ele negou o crime. Em seguida, o lavrador diz que foi espancado, teve as pernas e os braços amarrados e foi jogado no porta-malas do carro onde estavam os policiais.

Em relato, o lavrador disse que implorou aos policiais para não morrer e só conseguiu escapar porque a arma não disparou. Após conseguir fugir, José de Ribamar diz que passou uma semana andando pelo mato, sem comida e bebida. O lavrador relatou também que chegou a ser perseguido por diversas vezes e sempre que tentava ir embora, se deparava com barreiras policiais nas estradas.

“Estava uns dois palmos da minha cabeça [a arma], quando ele apertou o dedo, a arma não disparou. Nessa hora que a arma não disparou, eu corri. Eu criei força nas minhas pernas e corri. Eles de lá mesmo começaram a atirar, deram ao menos 10 tiros em mim, e eu passei a noite toda correndo e eles atrás de mim. Quando eu chego na estrada, mais ou menos 00h, tinha uma barreira me esperando. Quando eu vejo aquela moto com o farol ligado no meio do caminho e aquelas luzes piscando. Quando eu notei logo, eu vi que era polícia me esperando. E ali mesmo eu fiquei, a noite esperando”, disse.

Troca de comando - Por não ter cumprido o dever de dar voz de prisão aos policiais militares do Serviço Velado do 15º BPM, tenente Pinho, sargento Custódio e os cabos Robson, Rogério e Henrique, suspeitos de envolvimento na morte do comerciante Marcos Santos e de torturas e ameaças contra o lavrador José de Ribamar, o comandante, Major Duarte, foi exonerado do cargo. Quem deu voz de prisão aos suspeitos foi o Coronel Markus Lima, ex-comandante do 3º BPM, comandante da CPI da região de Bacabal. Agora o comando do 15º BPM está a cargo do também Major Berredo. 

O secretário de Segurança, Jefferson Portela, foi pessoalmente em Bacabal para dar posse ao novo comandante e com ele foi o delegado Jefrey Furtado, que vai investigar o caso. Jefferson Portela anunciou que o lavrador José de Ribamar, está sendo escoltado por policiais civis. Os policiais suspeitos do caso foram levados para o presídio Militar em São Luís. 

O Caso - O comerciante Marcos Santos foi encontrado morto em 2 de fevereiro, às margens de um riacho, no povoado Fazenda Cancelar, em São Luís Gonzaga do Maranhão. O corpo dele havia marcas de tiro e sinais de violência.
Ele havia desparecido após ter sido abordado por homens e ser colocado à forças em um veículo. As investigações apontaram que os homens que colocaram o comerciante no carro são policiais militares do 15º BPM que estavam trabalhando sem fardamento, os chamados ‘velados’.

O comerciante Marcos Santos estava sendo acusado de furtar carneiros em uma fazenda da região, junto com José de Ribamar, que presenciou a execução da vítima.

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