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02/02/2021 às 00h00min - Atualizada em 02/02/2021 às 00h00min

Mobilidade estudantil na UFMA: as redes ampliando horizontes

Marcos Fábio
No último dia 29 de janeiro, em cerimônia remota, a UFMA participou, juntamente com mais três universidades federais (UFG, UFSB e FURG), do lançamento do programa de mobilidade acadêmica dos cursos de graduação. O título é muito sugestivo: PROMOVER (que entendo como “pró-mover”, estimular a mobilidade, a dinâmica do conhecimento, o desenraizamento e a postura e pensamento globais, enfim: sair do lugar...).

Como símbolo de prestígio institucional, estavam presentes (com falas e atitudes), os três reitores das IFES e a reitora da UFSB. E representantes de outras federais, pró-reitores(as) e mais o público diretamente interessado: estudantes que podem se beneficiar desta ação. A cerimônia teve transmissão pelo Google Meet e pelo canal do Youtube da UFG.

Em síntese, o programa efetiva uma ideia simples, que já vem sendo testada no formato presencial pela Andifes (Associação que reúne os reitores das universidades federais), mas de forma muito tímida e que, com este novo formato, pode crescer muito e se transformar numa coisa realmente grande e importante: fazer com que se crie, efetivamente, uma rede de instituições de ensino. Na prática: um estudante de Geografia da UFMA pode cursar, de forma totalmente remota, disciplinas e componentes curriculares, por exemplo, na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), ou vice-versa.

Por enquanto, o Promover será realizado, na forma de experiência-piloto, nas 4 IFES - o programa abriu, neste primeiro momento, 340 disciplinas e ofertou 2.130 vagas. Mas já existe indicação para, em futuro bem próximo, diversas outras universidades se integrarem à ideia. Em um sistema federal que, somente em termos de universidades, conta com 69 instituições, pode-se imaginar a maravilha que será se tivermos, em alguns anos, muitas (ou todas!) nesta rede.

A ideia é simples, mas o que ela causa é uma transformação imensa, imensa. Esta inter-relação possibilita, por exemplo, que os estudantes façam disciplinas em universidades onde têm interesse de cursar uma pós-graduação; ou estudem com aquele(a) professor(a) que admira pelos textos que leu dele(a); ou que se integre em grupos de pesquisa; ou que troque com colegas de outros lugares conhecimentos e isso lhe amplie o repertório acadêmico; ou que, de fato, se integre a uma rede de ensino, pesquisa e extensão para além do seu campus. 

É uma mudança de cultura institucional. E bancada, de forma inovadora, pelos dirigentes máximos dessas federais. E efetivada pelas pró-reitorias de ensino das 4 universidades, que fizeram um trabalho de estruturação vigoroso. 

Outro ponto não menos importante: trata-se de um programa, em essência, de baixo custo. Em tempos de orçamento escasso, iniciativas assim são sempre muito bem-vindas.

Tenho grandes esperanças de que este programa, devagarzinho, vá se consolidando e transformando, de maneira gradual, as mentes de aluno(a)s e professore(a)s. E possamos, muitos anos depois, materializar a ideia de Fernando Pessoa, no seu profético “Mar Português”: “Valeu a pena? Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena. / Quem quer passar além do Bojador/ Tem que passar além da dor/ Deus ao mar o perigo e o abismo deu,/Mas nele é que espelhou o céu”.
Marcos Fábio Belo Matos - Jornalista, professor e escritor. Diretor de Comunicação e Vice-Reitor da UFMA
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