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30/01/2021 às 00h00min - Atualizada em 30/01/2021 às 00h00min

Igual a morte

Ricardo Coelho
A covid-19, tal qual a morte, vai até a pessoa. E não importa se no campo ou na cidade.

Ela chega. Nos últimos dias,todos nós observamos os casos de aumento de infectados. Boa parte desse número foi em função das festanças que, em regra, causam aglomerações. E a outra parte foi daqueles que no início da pandemia decidiram se isolar, ficar em casa. Mas agora começaram a sair e o vírus os encontrou.

Outros, a verdade seja dita, nem saíram ainda de casa - e mesmo assim o vírus foi até onde estavam. E por quê? Porque ele vai em todos os lugares: ele vai no restaurante mais requintado da cidade à banca de panelada das Quatro Bocas. É igual a morte. Ninguém escapa.

Cedo ou tarde. Nesse encontro, infelizmente, nem todos serão agradáveis. Uns sofrerão mais, outros, menos. Uns continuarão a viver, outros, não. isso não vai mudar. Podemos até fazer igual ao personagem mitológico Sísifo, que tentou, inutilmente, enganar a morte. Mas ela o encontrou tranquilo em seus afazeres diário.

Mesmo que alguém decida não sair de casa e usar de todos os protocolos de segurança sanitária – mesmo assim o vírus chegará por lá. Pode até não sofrer / como já se sabe de alguns casos. Quantas pessoas estão contaminadas nas feiras da vida, nos supermercados do destino?

Muitas, certamente. São essas pessoas que pegam o alimento que você e eu compramos. A massa do pão que o padeiro prepara, lá pelas madrugadas da vida, alguns com sintomas fortes, assuando o nariz com as mãos, sendo as mesmas que amassam o pão...que às 6h da manhã estão todos quentinhos, esperando por todos nós. Seja no açougue, quando o magarefe é obrigado a trabalhar, mesmo doente, pega o bife, a costela e a picanha que você e eu comemos.

É muito difícil se esconder disso!

Mas pode ser a camisa, a blusa ou sapato que você compra na loja; o tomate, o cheiro verde que compramos na feira, a encomenda que recebemos em casa, a caneta que você assina um documento, o celular que você empresta ao colega, a tecla dos bancos 24h, a maçaneta de uma porta ou mesmo na devolução de seu cartão de débito ou crédito ao atendente .... a covid, tal qual a morte, está em todos os lugares e objetos.

É muito difícil se livrar disso. Mas você pode decidir morar no campo, na chácara, se afastar da vila – longe de tudo e de todos - mesmo assim – o corona vai até onde você. E por que isso? Porque ele se utiliza de múltiplos transportes e de múltiplas ferramentas. Aliás, ninguém é tão rápido quanto a ele. É uma guerra desigual e desleal. Onde nós,  pobres mortais, tal qual o personagem mítico já citado, podemos alimentarapenas a sombria ilusão de que ele não conseguirá nos alcançar algum dia.
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