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12/12/2020 às 00h00min - Atualizada em 12/12/2020 às 00h00min

UM SONHO DE RESPEITO

Phelippe Duarte
Em mais um dos célebres clássicos literários geniais de Stephen King, Rita Hayworth and Shawshank Redemption, que originou o estupendo filme Um Sonho de Liberdade, de 1994, o reflexo tratado do homem prisioneiro de si mesmo e livre dentro de uma prisão, é retratado com maestria por King.   Absoluto em suas tramas, dono da condução verbal mais contundente, por vezes prolixa, mas absurdamente perfeitas, o autor conta uma história da qual nós vivemos o tempo inteiro: somos prisioneiros de nós mesmos e livres, dentro de nosso mundo particular. Assim, o conto segue, narrado por um dos prisioneiros, Red, que está há mais de 30 anos em Shawshank. No livro, Red é um irlandês, de cabelos ruivos. No filme, o personagem caiu como uma luva no colo do ator Morgan Freeman, um dos maiores artistas e atores da história do cinema. Ali, Morgan Freeman fez todos os leitores esquecerem a imagem ruiva, branca e irlandesa da novela de Stephen: nos voltamos para a PESSOA. Na cadeia, Red faz amizade com Andy Dufresne, um banqueiro acusado de matar a esposa e o amante, mas que nunca pegou numa arma. Dufresne através de Red, consegue um martelinho de geólogo, por onde cava um túnel durante 20 anos, e consegue fugir sem ninguém perceber. Red se destaca do livro para as telas, numa atuação monstruosa de Freeman, atuação essa gigante, não por ter interpretado um prisioneiro, não amigos. Mas sim, por mostrar que o caráter de um homem e sua intelectualidade ou bom senso racional, não são definidos pela cor da pele. E é aí aonde quero chegar. Um Sonho de Liberdade, cabe muito nos casos de racismos recentes e sim, da história antiga, moderna, contemporânea, arcaica, chame do que quiser. Eu já sou contra as determinações de cor: denominar uma PESSOA, por branco, negro, pardo, ruivo, amarelo, nunca me agradou, ainda mais quando usado de forma pejorativa e humilhante, obviamente. No jogo entre PSG e Istanbul, pela Liga dos Campeões da Europa, o quarto árbitro dirigiu-se a um membro da comissão técnica do time de Istanbul e o identificou ao árbitro como: aquele cara preto ali. Jogadores dos dois times, se recusaram a iniciar a partida após o ocorrido. O árbitro quis reiniciar o jogo, mas os jogadores em um ato de consciência total do fato, retiraram-se de campo. O jogo foi adiado e jogado no outro dia, com vitória do PSG. Mas não é do jogo que se trata. O dia 08 de dezembro será uma data que ficará marcada na história do futebol mundial como o maior jogo de todos os tempos que nunca aconteceu por respeito a uma PESSOA. Ao ver aquela cena, eu me senti novamente em Um Sonho de Liberdade. Um negro sendo ofendido por ser negro, vive cercado por muros, preso em seus pensamentos e ciente, de que aquilo que acabou de sofrer, o joga em um buraco pessoal único e intransferível. Mas desta vez ele não estava só. Ele teve vários Andys, que deram para a situação, um contorno esplêndido. Os Andys devolveram ao coração daquela PESSOA agredida, um sonho de liberdade. Liberdade total contra a prisão medíocre dos racistas espalhados pelo mundo afora, que enquanto não tiverem pelo menos dentro do esporte, punições severas e definidas, continuarão calados, mesmo que com os olhos sedentos, condenando a cor da pele de uma PESSOA ou condenando uma PESSOA pela cor da pele. Mas vejo os racistas, como o líder do grupo as Irmãs, do livro e do filme, de nome Bogs, que tentava estuprar Andy o tempo todo com seus lacaios. Bogs, apanhou severamente na cadeia por policiais, e nunca mais voltou a andar. O mínimo que poderia acontecer, para quem ainda ofende uma PESSOA pela cor da pele em pleno 2020. O quarto árbitro do jogo, que proferiu a cagada, faz parte de um seleto grupo de pessoas que aos poucos, vão percebendo que o mundo não tolerará mais atos ofensivos como este. O jogo contra o racismo está perto de acabar? Não. Mas aos poucos, não teremos mais jogadores para continuar esse escárnio de partida. Um Sonho de Liberdade, mental e emocional para todos nós, um dia, será nos livrarmos da diferenciação de pessoas, pela cor da pele. Acordei. 

De repente, tive Um Sonho de Respeito.
Phelippe Duarte- administrador e publicitário
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