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17/02/2023 às 11h01min - Atualizada em 17/02/2023 às 11h01min

Livre da doença, Brasil tem laboratório de referência para a detecção

Diante da recente confirmação de casos da doença em aves silvestres na Argentina e no Uruguai, o Ministério da Agricultura e Pecuária anunciou um Plano de Contingência para desenvolver ações no caso da entrada da Influenza Aviária no país.

Evelin Mendes
Brasil 61
Foto: Divulgação Ministério da Agricultura e Pecuária

   
Argentina e Uruguai, países vizinhos do Brasil, entraram para a lista de surtos confirmados de casos de Influenza Aviária em aves silvestres. Diante do avanço da doença na América do Sul, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reforçou nesta quarta-feira (15) que o Brasil continua livre da doença, mas que irá aumentar seu status de vigilância. 

“Estamos tomando providências preventivas, reforçando nosso sistema de vigilância nas fronteiras, mas por agora, garantimos que o Brasil continua com status livre da gripe aviária”, afirmou Fávaro.

O ministro também destacou a eficiência do sistema de vigilância do Brasil. “Temos um bom sistema, que previne muito. Estamos preparados para enfrentar e continuar garantindo as nossas exportações e o status de um país que tem liderança regional na vigilância sanitária”.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Ricardo Santin destacou a necessidade da manutenção e reforço das medidas de biosseguridade.  Ele ressaltou ainda que a doença não é transmitida pela carne de aves e nem pelo consumo de ovos. 

“Nós devemos redobrar os cuidados e não deixar estranhos entrar na granja usando os as medidas de procedimentos de biosseguridade que protegem nossos plantéis até agora. Importante lembrar que essa doença só afeta as aves, não se transmite pela carne, não traz nenhum prejuízo ao ser humano que consome a carne das aves que são saudáveis. Mas a gente tem que preservar, porque essa doença pode sim dizimar os plantéis dos países que são atacados. Por isso o Brasil e o governo estão trabalhando muito forte para prevenir.” 

O presidente da ABPA reforçou que a entidade está monitorando a situação em conjunto com a Asociación de Productores Avícolas Sur (APAS) e outras organizações da América Latina. Santin destacou ainda que a situação no Uruguai não afeta o comércio e exportações de produtos avícolas. “Lembrando que, segundo as recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), episódios de Influência Aviária em aves de fundo de quintal ou aves silvestres como é o caso da Argentina e do Uruguai não desestabiliza o comércio”. 

Além do aumento das medidas de vigilância, que inclui o fortalecimento da fiscalização, Fávaro destacou a importância da vigilância passiva, que é a comunicação da doença por produtores e pelos cidadãos que percebam sintomas em aves caseiras ou silvestres. Ao perceber aves com sinais respiratórios, nervosos, digestivos ou alta mortalidade, inclusive em aves de vida livre, a informação deve ser feita imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial municipal ou pela internet na plataforma e-Sisbravet.

O Mapa está realizando também encontros com todo o Sistema Brasileiro de Defesa Agropecuária, que reúne órgãos públicos e representantes da iniciativa privada, para estabelecer a cadeia de comando e ação para os casos de detecção ou sintoma de Influenza Aviária. O Departamento de Saúde Animal também está em contato em tempo real com as autoridades sanitárias dos países vizinhos, segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart.

O Ministério também já tem um plano de contingência elaborado para desenvolver ações no caso da entrada da doença no país. “Se por acaso entrar a doença no país, o serviço veterinário oficial dos estados já entra com ações de bloqueio da área e outras ações previstas dentro do plano são executadas em um raio de dez quilômetros da detecção. É uma série de ações que vão sendo desencadeadas à medida da necessidade”, explica a coordenadora de Assuntos Estratégicos do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Anderlise Borsoi. 

Influenza Aviária

A Influenza Aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves domésticas e silvestres. O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa Carlos Goulart informou que o risco mais alto e agudo da doença no país acontece até abril e maio, pois o risco está relacionado à migração das aves. “Estamos passando pela fase aguda de risco de ocorrência, até elas voltarem à sua migração natural, que ocorre todos os anos para o hemisfério norte”. 

Até o momento, nenhum caso de gripe aviária foi confirmado no Brasil. Recentemente, foram encontradas duas aves com sintomas no Rio Grande do Sul e uma no Amazonas, mas após a coleta e análises de amostras foi descartada a hipótese de H5N5. As amostras de supostos casos são enviadas ao laboratório de referência em Influenza Aviária, o LFDA-SP, em Campinas (SP). O LFDA é referência para a detecção da Influenza Aviária na América Latina, tendo confirmado casos em países vizinhos do Brasil.

O Uruguai não é o primeiro país sul-americano a enfrentar diretamente a Influenza Aviária. Desde o fim do ano passado, Bolívia, Chile, Equador, Peru e Venezuela relataram surtos da doença. Além disso, países como Estados Unidos e França também têm sofrido com casos da doença.

Pedido de cuidado contra o avanço da doença

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) reforça o pedido para que os produtores rurais do estado e de todo o país reforcem as medidas de prevenção, a fim de evitar ocorrências relacionadas ao vírus da gripe aviária. 

Segundo o presidente da Faesp, Fábio Salles Meirelles, autoridades e produtores rurais devem seguir vigilantes contra a doença. Conforme defende, a prevenção e, eventualmente, a detecção precoce dos casos suspeitos irão ajudar o Brasil a ser um exemplo no combate à doença. 

"Quanto antes a autoridade veterinária chegar ao local, rapidamente uma resposta para contenção do foco poderá ser dada, reduzindo as chances de disseminação da doença. A campanha deve alcançar também a população urbana, pois manter o status sanitário do Brasil como livre da enfermidade é uma responsabilidade a ser compartilhada por toda a sociedade”. 
  


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