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21/11/2020 às 00h00min - Atualizada em 21/11/2020 às 00h00min

ATÉ A ÚLTIMA PÁ DE TERRA

Phelippe Duarte
Gostaria muito de falar da reeleição de Assis Ramos e a prospecção para os próximos anos em Imperatriz. Mas, nem sempre o que pensamos escrever vai de encontro a realidade dos fatos. Os fatos mudam a história como também podem mudar um texto, e de repente, tudo o que achamos ser correto em nossas vidas. Este ano veio como fogo queimando nossos corações. Uma queimação de angústia, de medo, de incertezas. No meio de tanta escuridão não se vê uma luz, uma escada para subir, ou simplesmente algo que nos faça ter conforto e paz. Mas o que é exatamente conforto e paz em uma época de tantos fins e recomeços? Existe alguém que possa sacudir o mundo de volta para seu lugar? Tudo o que acontece ao nosso redor, hoje, mostra que somos reféns das diretrizes divinas. O amanhã não nos pertence, por que nós não temos o poder de nada. Descansa em nossa cabeça a ideia de que temos tudo sob controle. E o controle da nossa vida, é humanamente impossível de equilibrar. Somos uma tv de um controle sem pilhas. Podemos ter escolhas. Fazer escolhas. Mas no final das nossas decisões, tudo pode mudar. Este ano de 2020, exatamente  no dia 14 de março, como em um filme de ficção, sem pipoca e refrigerante, todos nós sentimos o impacto da única verdade nessa terra: não somos nada e não levamos nada. Homens, mulheres e crianças, sucumbindo a um inimigo invisível, que tem como única cor, o barro do chão e o cristalino das lágrimas.

Homens que fazem o mundo girar, que fazem parte da engrenagem que gira a roda gigante da vida. Mulheres que comandam com sabedoria e luz a sua casa e seus sonhos... crianças, que são a exatidão de um sonho de amor. Homens como Seu Nicolau, pai de um irmão que Deus me deu. Mulheres como Dona Noemia, mãe deste irmão, que no silêncio da sua força, tem a sua mente firme e assegurada pela fé, quando vê Seu Nicolau dar adeus por simplesmente não aguentar mais lutar pela vida. Perdeu somente esta luta em toda sua trajetória, e com isso, Seu Nicolau mudou os fatos. E os fatos, ascenderam em mim o que antes eu havia perdido: a vontade de chorar por algo que vale a pena. Choro hoje pelo mundo que perde para si mesmo e por nós não podermos fazer nada, a não ser colocarmos uma máscara e usarmos álcool em gel. Mas não podemos nos esconder da vida. Como Seu Nicolau, devemos ir até o último suspiro, deixando a morte pensar que venceu, quando na verdade, o velho Lau saiu vencedor. Por que durante toda sua existência, trabalhou, guerreou suas batalhas, criou seus filhos, viu os netos nascerem e crescerem. Fez parte, da engrenagem que move esse mundo. Por isso neste ano estranho e misterioso, eu aplaudo Seu Nicolau em pé. Por que ele me fez acreditar, que por mais difícil que seja a situação, a vida pode até nos deixar de joelhos, mas será para orar e agradecer, e não desistir do próximo round.

Vendo o choro de despedida dos familiares, e as flores fincadas no alto da terra, senti a emoção de que juntos, podemos passar por qualquer tristeza, já que na alegria, o sorriso aberto não vê que os olhos podem chorar. Pois quando sorrimos, os olhos brilham. E quando os olhos choram, a boca murmura. Seu Nicolau, obrigado.

Nós por aqui, vamos seguindo juntos, sorrindo ou chorando, e passaremos por mais esta batalha, até que a última pá de terra, caia sobre nós.
 Phelippe Duarte  é administrador e publicitário
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