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18/11/2022 às 22h13min - Atualizada em 18/11/2022 às 22h13min

Opinião pública e poder

Originalmente escrito em janeiro de 2014

Elson Araújo
 
Mesmo sem aquele rigor científico é possível perceber as tendências, ou reações positivas/negativas das pessoas diante de um fato, um acontecimento presente, do passado, ou daquele que ainda nem aconteceu. Essa perceptiva capacidade humana ganha mais força com a velocidade impressa hoje na veiculação da informação. Fator que faz com que as opiniões rapidamente se colecionem, e formem, o que aprendemos a chamar opinião pública, no meu entender, o “dínamo” das sociedades livres.

Deparamo-nos com a força da opinião pública, do amanhecer ao anoitecer. Sendo essa considerada um importante vetor do dito controle social. Não é forçoso, nem redundante, falar que a Constituição de 1988 garante que utilizemos livremente a manifestação do pensamento, seja nas praças, reuniões públicas e privadas; ou por intermédio dos livros, revistas, jornais, redes sociais. Sem dúvida, ainda um saudável privilégio da nossa Democracia.

Em que pese a importância e a influência do fenômeno da opinião pública na sociedade, verificamos no processo de sua formação o que chamo de frágeis, porém, perigosas, “opiniões fast food”; que são aquelas que embora de consumo rápido, são capazes de, em questão de minutos, transformarem heróis em bandidos, e bandidos em heróis. Com o detalhe real que nem sempre o bandido é um herói, nem o herói é um bandido. É para tal fenômeno que na coluna de hoje chamo a atenção: “as cascas de banana” que nos são impostas todos os dias pela opinião pública.

Poderosa a opinião pública nos joga contra a parede quase o tempo todo, por conta do vasto cardápio de coisas e loisas que apresenta ao nosso, nem sempre preparado julgamento.

Sobre uma marca de carro ou carne, o escândalo da hora, ou mesmo o assunto mais presente na vida nacional, as eleições, a opinião pública se manifesta com força dentro, e fora dos nossos domicílios. Chega como uma onda avassaladora sem que, às vezes, tenhamos tempo de recepcioná-la criticamente.

Para continuar o assunto, aqui peço socorro a algumas personalidades históricas que em algum momento se manifestaram sobre o fenômeno da opinião pública, termo que teria sido inaugurado pelo francês Jean Jacques Rousseau, no século XVIII. Sobre o tema teria ele escrito certa vez que quem quer que se dedique à tarefa de legislar para um povo deve saber como manejar as opiniões, e através delas governar as paixões dos homens. Jeremy Bentham, citado num artigo do jornalista Harwood L. Childs, ( O que é opinião pública ?) teria sido o primeiro a sublinhar a importância da opinião  pública como meio de controle social, a discutir sua relação com a legislação, e a examinar o papel desempenhado pela imprensa na sua formação. Afirmava ele que a opinião pública era necessariamente parte integrante de qualquer teoria democrática do Estado. O problema fundamental, raciocinava o autor, era “salientar a retidão das decisões por ela tomadas”

Também citado por Harwood L. Childs, James Bryce, de forma simples define opinião pública como qualquer ponto de vista ou conjunto de pontos de vista aceitos por uma aparente maioria dos cidadãos.

E de fato, em algumas situações, é a pouca ou falta de retidão da opinião pública, (facilmente induzida a erro e manipulada pelas notícias falsas, as “opiniões fast food”, ou pelo que ouso chamar de verdades engarrafadas) o grande problema. Um simples e calculado boato depositado no grande “banco da opinião pública” é capaz de mudar o rumo de uma história, de um negócio, destruir reputações, gerar conflitos, e até mesmo quebrar um País.

O assunto é amplo e polêmico e não deve ser “jogado para debaixo do tapete”, já que a situação parece impor a cada dia a necessidade de a sociedade aprender a lidar com esse “dragão” que a rodeia chamado opinião pública.

Pode se dizer até que diante do aspecto mais nocivo da opinião pública é exigido um cidadão, e consequentemente uma sociedade, mais crítica, atenta e mais perceptível ao jogo por trás da sua formação, uma vez que nem sempre, essa tem razão, e que por isso pode gerar injustos irreparáveis.
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