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12/11/2020 às 00h00min - Atualizada em 12/11/2020 às 00h00min

ENTREVISTA COM O CANDIDATO SANDRO RICARDO (PCB)

Da Redação de O PROGRESSO
SANDRO RICARDO - Foto: Divulgação

Sabemos que a administração pública é muito complicada, com a burocracia emperrando os trabalhos e, às vezes, causando problemas jurídicos ao gestor, mesmo não havendo a intenção de dolo. O que lhe leva a entrar nessa disputa ferrenha pela prefeitura de Imperatriz?
Uma elite política representada pelos mais endinheirados se apoderam do poder político e se apropriam também dos recursos públicos, governando em favor desta minoria e desprestigiando a maioria que são trabalhadores, jovens e parcelas majoritárias da população que não participam do poder econômico e político. Lutamos contra esta desigualdade. Para romper com esta lógica é necessário a unidade das trabalhadoras, dos trabalhadores, da juventude e dos seguimentos populares, tanto do campo quanto da cidade.

Imperatriz tem mais de 150 bairros, a maioria sem infraestrutura. Faltam esgoto, pavimentação e até água. Mesmo sabendo que alguns desses serviços ainda são de obrigação do Estado, qual a sua proposta para este setor?
As administrações que tivemos até nossos dias em campanhas eleitorais sempre afirmam que irão resolver o problema da precariedade urbana, que irão drenar as ruas que alagam e revitalizar os córregos. Entretanto em suas gestões não tocam no assunto e quando cobradas só afirma que não há recursos. Precisamos reverter esta visão que na verdade é de uma elite política que não se preocupa com a vida dos trabalhadores. Precisamos sim iniciar um trabalho com os recursos que possuímos para ao longo dos anos transformarmos Imperatriz em uma cidade urbanizada de maneira adequada.

E especificamente sobre os alagamentos de bairros, principalmente provocados pelos riachos, já que a cidade é cortada por vários, como o Bacuri, Capivara, Cacau, Riacho do Meio e Santa Teresa. O que fazer? Não haveria a possibilidade de uma canalização?
A canalização dos córregos e riachos não devem ser obra de gambiarras e sim de execução de um projeto bem estruturado de engenharia e arquitetura que resolva por definitivo o problema. Será uma das grandes tarefas de nossa administração.

Percebemos que o sistema de saúde pública vem, aos poucos, melhorando. O quer poderá ser feito para chegar a um nível satisfatório?
Percebemos que o sistema de saúde está sendo sucateado. Para melhorar o atendimento da saúde pública de Imperatriz é necessário estabelecer uma rede própria de laboratórios para realização de exames de baixa, média e alta complexidade, construir postos de saúde em todos os bairros, construir um moderno hospital que atenda a realidade do município. Aumentar substancialmente a quantidade de leitos públicos de UTI em Imperatriz. Fazer concurso público para todos os cargos dos serviços de saúde. Os serviços de saúde pública têm que ser 100% público. O Programa de Saúde da Família – PSF está precarizado. Vamos fortalecer este programa e colocar em funcionamento em todos os bairros de Imperatriz.

A pandemia do Corona Vírus dificultou mais ainda as administrações, não apenas as municipais, como as estaduais e a federal. Na sua avaliação, a pandemia serviu como um alerta para as autoridades sobre a necessidade de uma melhoria mais acentuada do sistema de saúde?
Com certeza. Apesar da visão privatista do governo entreguista e genocida Bolsonaro/Mourão, o SUS mostrou o quanto é um sistema importante para o povo brasileiro. Devemos exigir que o governo federal invista vultuosos recursos no SUS para que garanta qualidade de atendimento gratuito na área de saúde para todos os brasileiros. Infelizmente o famigerado governo Bolsonaro publicou um decreto em que propôs a privatização das Unidades Básicas de Saúde. Por conta do artigo 196 da constituição federal teve que revogar este absurdo.

E na área educacional, qual a sua proposta para, também, chegarmos a um nível mais elevado?
Uma área que está sendo terceirizada em Imperatriz é a educação. Muitas escolas em Imperatriz são municipalizadas, isto significa dizer que os prédios são particulares e adaptados para serem escolas. As estruturas desses prédios são precárias, com ambientes inadequados para os estudantes e professores, o que prejudica a qualidade do ensino e da aprendizagem em sala de aula. O resultado tem sido o baixo IDEB de Imperatriz. O objetivo não é fechar escolas como já ocorreu e ainda ocorre. Defendemos a construção adequada de escolas públicas de tempo integral. O objetivo é construir escolas e disponibilizar mais aulas, atividades culturais e esportivas aos estudantes, inclusive disponibilizar aulas de computação, Inteligência Artificial, música e outras áreas do conhecimento. O ensino fundamental em tempo integral é decisivo para o desenvolvimento da aprendizagem de nossas crianças e adolescentes.
A melhoria da educação também perpassa pela valorização dos profissionais da educação.


Ruas, praças e outras áreas públicas estão tomadas por vendedores ambulantes causando transtorno a quem precisa circular nestes locais. Além do mais, competem com lojistas que pagam seus impostos. Por que os gestores temem retirá-los desses locais?
O espaço público a beleza da cidade não pode estar acima da sobrevivência das pessoas. Trabalhadores informais não podem ser criminalizados, com 14,4 milhões de desempregados, segundo dados do IBGE, muitos buscam opções diversas de sobrevivência. Esta realidade é um problema gerado pelo capitalismo, só garantido trabalho para todos iremos solucionar esta situação. Para isso defendemos a unidade dos trabalhadores. Para construir o Poder Popular, rumo ao socialismo.

O trânsito de Imperatriz, assim como da maioria das cidades brasileiras, ainda precisa melhorar. A falta de estacionamento é um dos principais problemas. O senhor é a favor da Faixa Azul, pelo menos no Centro Comercial?
A faixa azul é uma maneira de taxar os trabalhadores do comércio uma vez que não tem outro meio a não ser se locomover por transporte particular até o trabalho. Essa é uma consequência da ausência de um transporte público com eficiência que aí sim é uma responsabilidade da administração municipal. A própria precariedade do trânsito é reflexo da deficiência do transporte público. Não aceitamos que as vias públicas sejam privatizadas colocando para multar e taxar os trabalhadores empresas particulares. A maior parte dos valores arrecadados com as multas ficam com a empresa privada.

Imperatriz cresceu desordenadamente, especialmente por causa do surgimento de bairros por meio de invasões. O senhor é favorável a invasão?
O que temos são ocupações de áreas devolutas. Essas terras devolutas são apossadas por especuladores que pretendiam se apoderarem indevidamente do patrimônio público. Tanto isto é verdade que mesmo quando seus fictícios proprietários recorrem à justiça não conseguem provar que são donos. Não tem sentido o trabalhador não ter onde morar e a união ter um monte de terras que são dos brasileiros. Nada mais justo que cada um possa ter seu lote para construir sua casa.
Os administradores não tomam iniciativa de organizar a distribuição das áreas. O povo se rebela faz aquilo que lhes é de direito. Combatem os grileiros que usam do poder econômico e político para se apoderarem das terras da união.


Com o advento das redes sociais, as eleições, em geral, estão tendo um processo sob um nível baixo. São as “fakes News” imperando e, o que é pior, em boa parte atacando a vida pessoal do candidato e, o que é pior, envolvendo a sua família. Já vimos criança sendo exposta criminosamente. Como o senhor ver isso?
Tanto nestas eleições como nas anteriores isto vem ocorrendo. São as dificuldades e contradições da democracia com as quais nós temos que conviver. É bom lembrar que mesmo quando não existia redes sociais, panfleto apócrifo acusando de maneira mentirosa adversários políticos, boatos com todo tipo de falsidade já circulavam no decorrer das campanhas eleitorais. As redes sociais só deram agilidade e ampliaram esta situação. É claro que informação falsa deve ser combatida e se provar que alguém está disseminando informação falsa este deve ser responsabilizado. Defendemos que a imprensa e as redes sociais continuem livres e sem amordaças.

Um grave crime ambiental que se verifica há décadas em Imperatriz é o esgoto in natura jogado no rio Tocantins. Por que a prefeitura não age com pulso forte contra a CAEMA, responsável pela rede de esgoto da cidade?
Defendemos que a prefeitura acompanhe com rigor os serviços de água e tratamento de esgoto fornecido pelo Estado através da CAEMA, atendendo 100% da população, com qualidade. Somos radicalmente contra qualquer forma de precarização. Somos contra qualquer forma de privatização dos serviços de água e esgoto e que a CAEMA continue a oferecer integralmente os seus serviços em Imperatriz. Em articulação com a CAEMA nossa administração conseguirá estabelecer um plano de tratamento do esgoto de acordo com as normas internacionais para que nosso esgoto seja 100% tratado e o rio Tocantins continue seu percurso com as águas cristalinas.

 A CAEMA cobra dos moradores pelo uso do esgoto o mesmo valor da água. Ou seja, se o consumidor paga 100 reais pelo consumo mensal da água, também paga 100 reais de esgoto. Elevando a conta para 200 reais. Isso não é um absurdo, principalmente por que o serviço é precário e, além do mais, o esgoto não é tratado está poluindo o rio?
A solução é a administração municipal em articulação com CAEMA executar um programa de tratamento de 100% do esgoto. Com relação a taxa defendemos que as populações de poder aquisitivo mais baixo paguem de forma proporcional ao seu consumo e tenha uma taxa reduzida. A água não é mercadoria e, portanto, não pode ser privatizada. O único objetivo da privatização é dar lucro para os grandes empresários.

Deixe a sua mensagem para o povo de Imperatriz.
Deixamos claro que é possível termos uma educação e uma saúde pública gratuita e de qualidade. Chegaremos a essa meta tendo uma administração colocando isto cotidianamente como objetivo. É inadmissível que ainda hoje mais de 77% das vias pública de Imperatriz não sejam urbanizadas de forma adequada. Mais de 50% das residências não tem esgotamento sanitário. Boa parte das escolas e postos de saúde são espaços improvisados. Não temos um prédio próprio e adequado para funcionamento do nosso hospital. Isto prova o descaso de todas as administrações anteriores, inclusive a atual. Lutamos por um transporte público de qualidade, pela constituição da Empresa Municipal de Transporte Público, pela disponibilização do passe livre estudantil, pela implantação do Ensino Fundamental em tempo integral e valorização dos professores. Sabemos que não podemos confiar nas elites políticas que só tem compromisso com o grande empresariado, o agronegócio e com o grande capital. Ficam defendendo Bolsonaro que na verdade é um governo privatista, entreguista, antipovo e genocida que corta os recursos da educação, da saúde e os benefícios sociais. O Poder Popular é um processo progressivo de organização dos trabalhadores com independência de classe, com radicalidade, com um programa teórico que busca progressivamente unificar as lutas cada vez mais numa perspectiva de contrapor o atual sistema, até se criar uma hegemonia dos trabalhadores que coloque na ordem do dia a criação do Poder Popular, a possibilidade de uma sociedade socialista. Trata-se do fortalecimento da organização política, da formação teórica e a independência da classe dos trabalhadores e compreender que até nas lutas que parecem menores como conseguir um posto de saúde para uma comunidade, um passe livre para os estudantes ou espaço de cultura no bairro, que é fundamental fazer sempre os esclarecimentos sobre os limites do capitalismo e do Estado burguês. É possível ter pequenas conquistas dentro do capitalismo, mas não é possível a classe trabalhadora se libertar do ponto de vista econômico e do ponto de vista político e cultural com as amarras imposta pelo Estado burguês. É por esta razão que acreditamos na construção do Poder Popular, em direção ao socialismo.

PERFIL

Sandro Ricardo de Oliveira Sousa, 44 anos, casado, trabalhou como lanterneiro, camelô, comerciário, hoje é professor e tem formação nas áreas de computação e filosofia. Há anos milita nos movimentos sociais defendendo os interesses da classe trabalhadora, atuando para desencadear uma consciência de classe na sociedade, acreditando que é possível a construção de uma sociedade comunista. Sandro Ricardo é candidato pelo PCB 21 a prefeito de Imperatriz – MA. Lutar, criar, Poder Popular!


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