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09/11/2022 às 16h37min - Atualizada em 10/11/2022 às 00h06min

Como funciona o controle biológico do carrapato-do-boi?

Serviço pioneiro da Decoy consolida tecnologia que simboliza menos riscos ao gado e economia aos produtores do meio pecuário

SALA DA NOTÍCIA Wesley Henrique Colpani
Banco de imagens

Segundo dados divulgados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a pecuária brasileira soma prejuízos anuais na casa dos US$ 2 bilhões graças à infestação do carrapato-do-boi, que causa doenças e problemas graves ao animal. Diante desse cenário, o mercado vem consolidando o controle biológico como a resposta mais assertiva e menos danosa de combate ao parasita.

De acordo com Marcus Vinícius Jordão, Analista de Pesquisa e Desenvolvimento da Decoy Smart Control, AgTech de biotecnologia que oferece soluções sustentáveis no controle de pragas para o mercado de saúde animal, o controle biológico baseia a sua proteção a partir do uso de organismos vivos para controlar a população de uma praga, fazendo com que a densidade populacional desse parasita em questão se mantenha abaixo do chamado “nível de dano econômico”, isso é, abaixo do nível de prejuízos para os produtores.

“Na Decoy, esse controle é feito a partir dos fungos acaropatogênicos, que infectam ácaros, se tratando assim de inimigos naturais do carrapato. Do ponto de vista da ecologia de populações, não há um extermínio da população da praga, mas um controle que leva à redução da densidade populacional de carrapatos para abaixo do limiar de prejuízo econômico e desequilíbrio ecológico, consequentemente, garantindo a manutenção do bem-estar dos bovinos”, explica o especialista.

Esse tipo de controle conta com a ação de esporos dos fungos que, quando entram em contato com os carrapatos, eles se aderem e começam o processo de germinação, que dá origem ao chamado tubo germinativo. Esse tubo, por sua vez, exerce uma pressão mecânica e produz enzimas para penetrar no interior do carrapato. No interior dos parasitas, os fungos começam a consumir os nutrientes da praga por meio da liberação de enzimas e toxinas, causando a morte dos mesmos. Nas condições ambientais favoráveis, após a morte do carrapato, os fungos podem externalizar e liberar novos esporos no ambiente, sendo assim capazes de reiniciar esse ciclo infeccioso.

Além de garantir o controle eficaz da população de carrapatos adultos com aplicação da tecnologia sobre os bovinos, a Decoy oferece a aplicação da tecnologia também sobre a pastagem - onde estão 95% dos carrapatos - resultando assim numa redução expressiva do número de larvas na pastagem, acarretando, posteriormente, na queda do número de indivíduos adultos e, consequentemente, na diminuição do número de ovos que serão depositados no ambiente. “Com isso, há uma quebra do ciclo de crescimento populacional desenfreado da praga”, reforça Jordão.

“Todos esses fatores simbolizam vantagens comerciais ao controle biológico numa comparação com os pesticidas químicos. Isso porque, além de oferecer bem menos riscos ao gado e aplicador, esse tipo de tecnologia protetiva se beneficia ainda pelo fato de não contar com o perigo de enfrentar uma resistência adquirida, como acontece comumente no caso dos produtos químicos”, complementa o Analista de Pesquisa e Desenvolvimento.

Mercado forte e promissor
Por mais que esteja consolidado no mercado nacional agrícola - o Brasil é líder mundial na utilização dessa ferramenta no campo com mais de 23 milhões de hectares utilizando a tecnologia segundo o Embrapa -, o controle biológico ainda é considerado uma estratégia relativamente nova, principalmente no setor pecuarista. Segundo o CEO da Decoy, Lucas von Zuben, essa realidade só tem começado a mudar graças a entrada da startup no mercado, já que foi a primeira a conseguir replicar o sucesso do setor agrícola também na pecuária.

“O controle biológico de pragas na pecuária, principalmente quando falamos do controle de carrapatos, traz diversos desafios. Isso é evidenciado quando observamos a quantidade elevada de pesquisas acadêmicas na área de controle biológico para artrópodes da pecuária, porém poucos resultados foram realmente eficientes no campo. A Decoy atingiu o posto de pioneira para esse tipo de controle, conseguindo levar ao produtor uma tecnologia realmente eficaz contra os carrapatos e seguro para os animais e para o ambiente”, ressalta.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) revelam que o uso de bioinsumos no controle biológico de pragas nas plantas pode trazer uma economia de US$ 13 bilhões por ano ao setor agrícola do país. O empreendedor acredita que o trabalho pioneiro da Decoy também trará benefícios ao segmento pecuário nos próximos anos.

“A tecnologia da empresa vem abrindo muitas portas para os biopesticidas de maneira geral na pecuária, mostrando que é possível, não apenas de forma científica, mas também na prática, obter um controle eficaz de pragas, que tenha um manejo viável para os produtores e que seja 100% natural, não causando qualquer tipo de danos aos aplicadores, aos animais domésticos e ao meio ambiente”, finaliza o CEO.

Sobre a Decoy
A Decoy é uma startup brasileira de biotecnologia focada na pesquisa e no desenvolvimento de produtos para o controle de pragas em animais de produção. A partir do conhecimento adquirido no universo acadêmico, a empresa encontrou uma forma muito mais eficaz de controlar pragas, de forma biológica, precisamente estratégica e natural. A Decoy é a primeira empresa a levar a inteligência do controle biológico para a área de saúde animal. Suas soluções utilizam conceitos de equilíbrio e manejo integrados, dispensando o uso de agrotóxicos, proporcionando um controle mais efetivo e ecologicamente adequado. Localizada em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, polo de inovação para o setor agropecuário, a startup conta com um ambiente extremamente favorável à geração de novas descobertas e soluções inteligentes para o mercado.


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