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04/11/2022 às 17h17min - Atualizada em 04/11/2022 às 17h17min

“Temos um bom cenário para que Imperatriz volte a ser governada pelo campo democrático e popular”, diz presidente do PT

Carlos Leen
Jonas Alves - Foto: Divulgação
 
“A vitória de Bolsonaro em Imperatriz não representa exatamente o ‘bolsonarismo’, mas sim uma parcela da sociedade que construiu um pensamento ideológico diferente do pensamento mais democrático e popular”. Quem faz estas afirmações não é um analista político qualquer. Concordando ou discordando, não há como ignorá-lo.

Aos 43 anos e com uma trajetória política e social com importantes experiências, Jonas Alves iniciou sua caminhada na juventude da Igreja Católica, foi coordenador de projetos do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia, coordenador de capacitação profissional do SINE, foi secretário adjunto de Administração de Imperatriz, secretário adjunto no governo Jackson Lago, secretário adjunto de Administração e Finanças da SINFRA, suplente de vereador em Imperatriz.

Hoje é o presidente do PT, em Imperatriz, segunda cidade do Maranhão, foi ex-subsecretário de Estado da Infraestrutura no Governo Flávio Dino, junto com o secretário Clayton Noleto. E atualmente é presidente da AGEMSUL - Agência Metropolitana Executiva do Sudoeste Maranhense.

Confira a entrevista:

Carlos Leen: Como você avalia os resultados eleitorais, comparando Imperatriz com o restante do Maranhão?


Jonas Alves: Imperatriz é constituída por pessoas de várias regiões do país, somos cortados aqui pela Belém-Brasília, portanto a cidade recebe influências de outros estados brasileiros e é natural que o comportamento de Imperatriz seja assim. Historicamente o campo democrático popular sempre teve um conjunto de forças em Imperatriz. Já tivemos um governo do PT na cidade, que foi eleito com uma parcela significativa - acima dos 30% do eleitorado - as últimas eleições para prefeito também representaram uma parcela significativa deste campo democrático e popular e essa eleição de presidente da república na verdade ampliou esta parcela. Perceba que nos terminamos com 45% dos votos. Isso significa dizer que este campo melhorou sua atuação e, portanto, eu considero que o resultado em Imperatriz está dentro de uma normalidade.

Pode haver movimentos e renovação, então?

Este ambiente em Imperatriz já é historicamente conhecido o que significa dizer que sempre tivemos um bom cenário para que Imperatriz volte a ser governada pelo campo democrático e popular que é uma composição da esquerda para o centro e com isso construir possibilidades já que o conjunto do Estado deu uma votação expressiva para o presidente Lula. Imperatriz mesmo dando ao Bolsonaro uma votação maior, não está fora do conjunto de forças lideradas por Brandão e Dino, que acreditam em mudanças neste campo.

Você acha que a vitória do bolsonarismo na cidade é em decorrência de algum fator específico?

Eu acho que é exatamente o que eu disse sobre esta construção da cidade. Tivemos em Imperatriz várias gerações que passaram em vários momentos econômicos tais como do ciclo da borracha, do garimpo, da madeira e agora do comércio ligado ao atacado e varejo. Então essa construção da sociedade imperatrizense traz diversas influências da economia, da política e do agronegócio. Somos de uma região em que o “agro” é muito forte e a gente sabe qual é comportamento do “agro” em relação a este debate político e sociológico, então eu acho que a vitória de Bolsonaro por aqui não representa exatamente o “bolsonarismo”, mas sim uma parcela da sociedade que construiu um pensamento ideológico diferente do pensamento mais “democrático e popular”.

Quais são as dificuldades que você vislumbra para este terceiro mandato do Governo Lula. Terá condições de governar?

Serão enormes. O presidente Lula receberá o país sem planejamento - de um mandatário que não conseguiu enfrentar crises importantes (crise internacional, insegurança sanitária, pandemia, não conseguiu fortalecer o salário mínimo, sem planejamento econômico). Eu acredito que Lula com sua experiência de Presidente da República, e experiência social, com o apoio internacional, certamente conseguirá estabelecer metas para enfrentar estes problemas. O diálogo com o Congresso Nacional será determinante. Nós sabemos que é fundamental as reformas no Brasil (sobretudo a reforma tributária) para garantir que as pessoas que mais precisam – como ele mesmo diz - estejam no orçamento da união. Para isso Lula precisará de um quadro de ministros com responsabilidade, competência técnica e política. Eu acho sim que ele terá condições de governar, mas é claro que isso exigira muita habilidade política e composição de governo que atenda os anseios ditos na campanha. Eu estou confiante nisso.

Existe a possibilidade de alguma força política do campo de Bolsonaro mudar de lado?

A votação de Bolsonaro não representa o “bolsonarismo”. Claro que parte deste eleitorado é o “ideológico bolsonarista”, mas não representa o quantitativo eleitoral que ele recebeu, Então como essa composição do campo que apoiou Bolsonaro é em grande parte do Centrão, esses partidos, essas forças políticas dialogarão com o governo Lula. A democracia permite que esse diálogo aconteça. Eu acredito muito que o presidente Lula terá o apoio da maioria no Congresso Nacional e do povo brasileiro na medida em que ele fortaleça o salário mínimo, baixe o preço da cesta básica, garanta um auxílio (bolsa família) consistente sobretudo para aqueles mais pobres, para que estes enfrentem a fome. Tudo isso trará apoio político para Lula, mas o mais importante é o apoio popular, e isso virá na medida que as políticas sociais cheguem aos que mais precisam.   

Sobre a AGEMSUL, quais mudanças poderão ocorrer no curto prazo?  

Todo novo governo tem mudanças naturais da conjuntura. O governador Carlos Brandão tem dito que só tratará disso em fevereiro. É uma decisão que cabe exclusivamente ao governador Brandão e eu acredito que ele só fortalecerá mais ainda sua equipe que já vem demonstrado sinergia e resultados para o povo do Maranhão.

Você acha que nesta nova gestão existe a possibilidade de surgirem novas atribuições, ou na pior das hipóteses, de se perder um certo protagonismo da Agência?

O Governador Carlos Brandão é um homem hoje de muita experiência. Já ocupou cargos importantes, sobretudo foi vice-governador na gestão exitosa do governador Flávio Dino durante sete anos e três meses. Então saberá certamente coordenar um planejamento que possa dar continuidade com avanços em todo o Estado para garantir ao Maranhão resultados concretos na vida do povo. Nós da AGEMSUL estaremos prontos para dar continuidade ao planejamento sempre determinado pelo governador Carlos Brandão. 

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