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17/10/2022 às 20h43min - Atualizada em 17/10/2022 às 20h43min

Fagner reverencia Dibell: “Maranhense fantástico”

Carlos Gaby
Erasmo Dibell, gravação e parceria com o ídolo Fagner - Foto: Socorro Marques
 
De fã a parceiro. E do ídolo/parceiro, agora a admiração. Os dois nunca se viram pessoalmente, mas são parceiros e têm trabalho registrado, graças aos recursos digitais das novas plataformas de música na internet.  Aos 58 anos, quase três décadas de carreira, o cantor e compositor nascido em Carolina, imperatrizense de coração e adoção, vive sua fase criativa mais madura, que ampliou e consolidou seu repertório já consagrado pelo público. “Estou muito feliz”, me disse Dibell na última sexta-feira (14), após uma apresentação no Madame Bistrô, quando comentou sobre a declaração do ídolo Fagner. E me contou o motivo.    

Mas antes, um fato do destino, conhecido por alguns mais chegados dele: o ano era 1979 e Erasmo Dibell era apenas Erasmo Rocha Torres, com 15 anos de idade. Numa tarde, ele matava a fome de bola no campinho de terra do antigo Projeto Rondon, quando um carro de propaganda volante, como se falava na época, passou tocando ‘Noturno’, tema de abertura da novela Coração Alado, da TV Globo. A música estava estourada na voz de Raimundo Fagner - o cearense e conterrâneos, como Belchior e Ednardo, eram reconhecidos pela crítica e público como a nata da nova geração de nordestinos, incluindo Djavan, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Alceu Valença, Quinteto Violado, Xangai.

‘Naquela hora eu pensei:’É isso que quero fazer. Quero fazer música, quero ser artista”, relembra. E Fagner virou seu ídolo.

Em recente reportagem produzida e distribuída pela Agência Estado - reproduzida entre outros veículos de comunicação pelo Correio Braziliense -, Fagner fala sobre o projeto de gravar um novo disco com músicas feitas com o amigo Belchior. Fagner, que grava e lança compositores não tão bem conhecidos do grande público e da mídia supremacista, lembra de passagem de outro projeto, este inédito: “Eu tenho, praticamente, um disco inédito pronto. São músicas em parceria com Fausto Nilo, Caio Silva, alguma com Renato Teixeira, certamente. E tem Erasmo Dibell, que me foi apresentado pelo Baleiro, é um maranhense fantástico. Ele está vindo morar em São Paulo. E também estou me empolgando muito com Caio Silva, o autor de Noturno (Coração Alado).”

“Fomos apresentados virtualmente quando Baleiro [Zeca Baleiro] o convidou para participar do lançamento do ‘Sarará’, cantando comigo ‘Reclame’, que é de minha autoria. Ainda não tivemos esse contato pessoal, tudo rolou durante a pandemia”, revela Dibel. (Na verdade, uma espécie de relançamento do primeiro disco solo do maranhense, ‘Sarará’, de 1993, produzido pelo percussionista Papete, com arranjos de Marcelo Carvalho, de Papete e do próprio Dibell, considerado pelo Correio Braziliense como um dos melhores cds lançados naquele ano).

Em parceria com Fagner e o amigo Zeca Baleiro, Dibell tem duas inéditas:’Besta Fera’ e ‘E ela não me deixou’. “Mas por enquanto, nada definido sobre gravação”, ressalta ele, que está agora no catálogo da Saravá Discos, gravadora de Baleiro.

‘O sarará sou eu’ - Após ‘Sarará’, Dibell gravou mais dois discos: ‘O amor é azul’ (1995), e ‘Tudo de Bom’(2008). Participou de gravações em álbuns de outros artistas e coletâneas - Santo de Casa (1987), Segunda de Arte (1992) e Canta Imperatriz (1995). Tem parcerias com outros conhecidos no cenário nacional, como Carlinhos Veloz, Beto Pereira e Ronald Pinheiro. Entre seus sucessos mais conhecidos, ‘Sarará’, ‘Filhos da Precisão’, ‘Minha Cidade’, ‘Tudo de bom’, ‘Beijo na boca’, ‘Primícias’, ‘Reclame’, ‘Mãezinha’.

Já foi gravado por nomes de peso da MPB, como Alcione e Rita Ribeiro.
Dibell é violonista dos bons, cantor de grave suave; arranjador com suingue, de melodia refinada, tudo misturado em seu estilo bem marcante; letrista de jogo poético, de fundos cristalinos de baladas de bom gosto e de abstrato romantismo, mas também um atirador social, um cronista das coisas e da gente mais pura.

É da linha genealógica de Mestre Carica e dona Raimunda, os avós paternos, dos negros altivos das matas, das águas, do místico e lendário território do cerrado carolinense, das terras fortes do Piauí.
”Que até sarará deu/e o sarará sou eu”. O sarará é ele, Erasmo Dibell. 

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