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05/11/2020 às 00h00min - Atualizada em 05/11/2020 às 00h00min

A HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE!

ITAMAR DIAS FERNANDES
Seria injusto que este espaço, ora por mim utilizado, dissesse que, atualmente, a CRIATURA HUMANA esteja vivendo em nível social ao da era medieval. Não seria, portanto, injusto, mas ignorante e, concomitantemente, estúpido. Pois, na Era Medieval, muitas conquistas sociais, em prol do Ser Humano, continuavam na estaca zero. Se, até hoje, após tantas conquistas sociais, mediante, o derramamento de sangue de milhões de vidas humanas, em todo globo terrestre, ainda, temos resquícios de leis pautadas no interesse de grupos dominantes financeiramente, etnicamente, religiosamente, politicamente e, às vezes, cientificamente, imaginemos, na referida Idade Média.

Nem mesmo a criança, até meados do Século XVII, era digna do respeito a que tem direito. Inclusive o infanticídio foi praticado em grande escala, mesmo considerado HEDIONDO pelo Império Romano, por imposição do Santo Padre o PAPA INOCÊNCIO III, até a segunda metade do Século XVIII – PHILIPS ARIÈS – História Social da Criança. Indiscutivelmente, a história da humanidade é entremeada de feridas sociais tão profundas que, certamente, não cicatrizarão ao longo do tempo.

Sabemos todos nós, que, inegavelmente, obtivemos avanços importantes, quanto as conquistas que precisamos para sobrevivermos as intempéries da vida quotidiana com mais dignidade. E, portanto, temos avançado cientificamente, em muitas áreas do conhecimento humano sem os quais muitos recursos no campo da Medicina, por exemplo, têm sido motivo de melhorar a longevidade humana, por meio do combate eficaz a diversas patologias orgânicas que, ao longo dos séculos, deixaram milhões de vítimas fatais. Como destaque, vale lembrar: a Primeira PANDEMIA causada pela PESTE NEGRA, nos anos de 1346-1353, GRIPE ESPANHOLA – 1918-1920, além de outras EPIDEMIAS: SARAMPO, GRIPE ASIATICA, CÓLERA, POLIOMIELITE, VARIOLA, COQUELUCHE, além de muitas outras enfermidades, as quais, por meio de vacinas específicas muitas entres tantas enfermidades infecciosas, a exemplo da VARIOLA, já não se tem notícia nos dias atuais, há várias décadas.

Todas essas conquistas são frutos do conjunto de forças, humanas focadas no bem estar da população mundial. A ONU, responsável pela criação da OMS e da UNICEF, apesar das críticas de teor grotesco, muito tem feito para a melhoria da Saúde no Planeta.

Em se tratando de nós brasileiros, muitos avanços científicos tempos conquistados na área da Medicina, indiscutivelmente. Temos o SUS, o qual teoricamente, seria um modelo de Saúde Pública ideal para qualquer país. Felizmente, não sei até quando, mas, por pouco não foi colocado à venda, recentemente, pelo governo que aí está. A Lei 8080, portanto, a Lei que o criou, é, simplesmente, um ideal de HUMANIZAÇÃO NA SAÚDE DA NAÇÃO BRASILEIRA.

Neste momento, embora seja redundante, a expressão – HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE HUMANA, você meu amigo, já percebeu que a nossa Saúde Pública vem sendo desumanizada em nome da TERCEIRIZAÇÃO? Tornando-se, um balcão de negócios, com o dinheiro da saúde. É uma tristeza que a tão sonhada MUNICIPALIZAÇÃO DA SAÚDE tenha se tornado, em PREFEITURIZAÇÃO DA SAÚDE! Tudo isso, em decorrência da enorme quantidade de recursos liberados pelo governo Federal, de qualquer tendência partidária. Mesmo o atual Governo não ficou sem liberar recursos financeiros aos Estados e Municípios.

Essa temática é muito ampla a sua discussão. No entanto, considerando o momento eleitoral, não me daria por satisfeito, deixar de lado a minha obrigação de falar a nossa comunidade, que uma Saúde Humanizada deveria ser o ALVO maior dos que se propõem a sentar no Palácio Renato Moreira. Temos, urgentemente, que encontrar o espaço adequado, respeitoso, qualificado para o atendimento da população de ZERO AOS 21 ANOS, ou, até 18 anos, conforme, o maravilhoso ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE preconiza. 

Está na hora, de lutarmos para que o ATENDIMENTO MATERNO INFANTIL, no Hospital Regional, não fique limitado somente a gestante, neonatos, crianças até 5 anos. Pois o Programa Materno Infantil compreende o atendimento ao adolescente dos diferentes gêneros. E, de natureza, multidisciplinar.

Finalmente, é hora, de tornar todas as UTIS de nosso Estado em nível público ou privado, em UTIS, verdadeiramente humanizadas. Eu não tenho a menor dúvida, que não tivesse ficado numa UTI humanizada em São Paulo, quando estive quase a morrer, em que pude ser visitado, acariciado por meus familiares, amigos, muitos entre eles de diferentes ideologias religiosas, lá estiveram e sobre mim oraram, rezaram, não haveria sobrevivido. Desde a minha época de acadêmico de Medicina, sempre condenei separar um ser humano de seus entes queridos no momento de doença. Principalmente, crianças e adolescentes.

Como se vê, a história do Ser Humano melhorou, mas ficará melhor quando, de fato, nos tornarmos verdadeiramente humanos e livres da negligência dos nossos governantes em todos os níveis. Precisamos combater, urgentemente, a COISIFICAÇÃO da criatura humana. É preciso resgatar-se a subjetividade de qualquer cidadão desde o ventre materno. Não é justo continuarmos vítimas de falsas promessas eleitoreiras de cima pra baixo e de baixo pra cima. Urge, entendermos: Nós, indistintamente, não somos coisa. Somos, sim, Gente!

Dedico esse texto a toda nossa comunidade de Imperatriz.
Itamar Dias Fernandes é médico mediatra  Sbp e membro da Ail
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