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27/09/2022 às 20h55min - Atualizada em 27/09/2022 às 20h55min

“Os carboidratos mandam lembranças”

Ludmila Pereira de Araujo Souza *
Lembro-me bem de quando eu ainda fazia faculdade e um dos primeiros nutrientes que estudei foi sobre os carboidratos. E todos os professores, de maneira unânime, sempre diziam: “o carboidrato é o macronutriente mais importante, pois nos gera energia rápida e deve representar mais de 50% da nossa dieta”. É possível acreditar em tal fala nesse mundo altamente “carbofóbico” em que vivemos hoje?
 
Atualmente, quando se fala nos carboidratos, ouve-se que eles “engordam, “causam diabetes”, “não são saudáveis” e até que “causam vício semelhante à cocaína”. Quanta desinformação! De fato, o conhecimento atualiza o tempo inteiro, mas o que eu estudei há mais de uma década segue correto.
 
Antes que você se (me) pergunte quem são os carboidratos e em quais alimentos eles estão presentes, eu já me antecipo em lhe contar.
 
Sabe aquele pãozinho que você adora? É um alimento fonte de carboidrato.

E o nosso arroz com feijão? Combinação diária altamente cara do brasileiro. É, eles também são carboidratos.
 
Ah, tem mais... A tapioca, o açúcar, a macaxeira, os cereais, o macarrão, a farinha, os legumes, as frutas... Grande parte dos alimentos que consumimos no nosso dia a dia tem esse nutriente presente.
 
Então, mais uma vez, você deve estar se questionando qual o problema desse bendito carboidrato.
 
A verdade é que com o aumento exagerado e crescente dele ao longo dos anos, associado ao maior consumo de industrializados (em que há grande quantidade de açúcar) e menor consumo de “carbos” de melhor qualidade – como os cereais integrais, frutas e legumes – tem havido um crescimento expressivo de casos de sobrepeso e obesidade, bem como ainda de casos de diabetes, no Brasil e no mundo.
 
E, atualmente, uma estratégia nutricional eficiente e bastante utilizada para emagrecimento e controle da diabetes é a dieta low carb, que significa “baixo carboidrato”. Ou seja, o indivíduo passa a ter o consumo desse macronutriente diminuído (limitando-se a no máximo 40% da dieta), aumentando então o consumo de proteínas e gorduras, presente nas carnes, ovos, leite, azeite e castanhas.
 
De fato, reconhece-se a eficiência de tal planejamento nutricional, mas é importante ressaltar que quando falamos de indivíduos saudáveis, ainda serve a máxima que diz “o básico que funciona”. Ou seja, o arroz com feijão de todo almoço; a variedade de frutas do dia a dia; a macarronada do domingo; e até o café adoçado com açúcar ou o docinho de vez em quando, entram tranquilamente na dieta. Sem neura e com a consciência de uma alimentação saudável, seguimos com saúde e de mãos dadas com os carboidratos. 

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* Ludmila Pereira de Araujo Souza é Nutricionista, especialista em Nutrição Clínica com ênfase nas enfermidades renais
Instagram: ludmilapasouza.nutri - Email: [email protected] 

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