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24/10/2020 às 00h00min - Atualizada em 24/10/2020 às 00h00min

A HORA DE DAR O TROCO

Raimundo Primeiro
Edmilson Sanches em entrevista para Raimundo Primeiro, de O PROGRESSO - Foto: Divulgação
O jornalista Raimundo Primeiro pede-me “algumas palavras”, informações, opinião, acerca de crônica falta de troco que sua pesquisa jornalística teria verificado nas últimas semanas em Imperatriz (e, por extensão, creio-o eu, em muitos pontos do País).

Trabalhei por mais de duas décadas em bancos federais e por anos fui assessor da presidência de um deles em Brasília (DF). Em tese, penso que, com a ampliação dos meios de pagamento digitais, como os cartões de crédito e débito, o uso de aplicativos em ‘smartphones’ e, daqui a menos de um mês, com o PIX, do Banco Central, a falta de troco é algo a ser reduzido ou eliminado.

Vejo pelo menos três razões para a falta de moeda que a pesquisa jornalística verificou:

— as perdas, como queima em incêndios, o derretimento, a imprestabilidade por danos físicos irreversíveis, o esquecimento sem volta em diversos ambientes, o escapamento sem retorno em águas e terra, o uso decorativo, a destruição, desfazimento ou dispensação conscientes etc.;

— o incremento (aumento) da quantidade de compras em dinheiro, alavancadas pelos auxílios emergenciais em razão da pandemia; e 

— o motivo clássico: o entesouramento, que é o ato de guardar moedas e até cédulas de menor valor para formar poupança (são os casos simbólicos dos cofrinhos de barro ou cerâmica e outros cofrinhos. Neste caso, recomendo que, de tempo em tempo e até mais amiudemente, esses pequenos poupadores devem trocar no comércio ou depositar em conta na rede bancária o valor acumulado, com isso reduzindo a desvalorização do capital acumulado, oportunizando a circulação das moedas e cédulas menores e facilitando o troco.

O Banco Central do Brasil, até o dia 13/10/2020, já somava, em dinheiro circulante, R$ 357 bilhões 491 milhões 532 mil 605 reais e 88 centavos. Esse é o “meio circulante”, ou seja, o tanto de dinheiro brasileiro que existe, que foi impresso e cunhado e que, em regra, estaria espalhado por aí  —  ou circulando ou guardado ou perdido ou destruído.

Desse total, R$ 352 bilhões 245 milhões 623 mil 876 reais são dinheiro em cédulas, em um total de quase 8,5 bilhões de cotas (exatamente 8.444.596.637 notas). 

Quanto às moedas, o valor total em circulação são R$ 7 bilhões 242 milhões 358 mil 255 reais e 88 centavos, correspondendo a 27,6 bilhões de unidades metálicas (ou exatamente 27.606.209.644 moedas). Há ainda R$ 3 milhões 550 mil 474 relativos a 967.363 moedas comemorativas com valor de face que varia de dois a vinte reais. São 81 tipos diferentes de moedas comemorativas, cunhadas, por exemplo, em homenagem a personalidades e eventos esportivos e aniversários de cidades  —  entre estas, a capital maranhense, São Luís. Ressalvo que, embora legalmente tenham valor de compra, essas moedas, como já se percebe pela pequena quantidade, são feitas em tiragem limitada, de duas mil a vinte mil unidades cada uma, e será muito difícil ver qualquer uma delas em circulação, pois tornam-se objeto de colecionadores e negociantes/revendedores de itens colecionáveis, neste caso, para numismatas (estudiosos e colecionadores de dinheiro  — em grego, “nómisma” e “nómismatos”).

Lembro que o Banco do Brasil é a instituição custodiante (guardadora) do dinheiro produzido pelo Banco Central e mantém 134 agências espalhadas em todos os Estados brasileiros, inclusive Brasília, responsáveis pelo fornecimento de moedas e notas de 2 e 5 reais para pessoas físicas, no horário de expediente bancário do respectivo município, sem necessidade de agendamento prévio. Serão fornecidas até 100 unidades de cada moeda ou cédula solicitada.

Para aquele comerciante ou outro empreendedor que sente falta de dinheiro para troco e não o consegue na rede bancária, o Banco Central sugere os seguintes procedimentos, a serem adotados, gradativamente, pelos comerciantes em dificuldade para obter troco junto aos bancos comerciais: 

a) registrar pedido junto à gerência da agência do banco onde mantém conta; 

b) contatar o Serviço de Atendimento aos Clientes do banco de relacionamento, caso não tenha sido atendido; e 

c) comunicar-se com a associação de classe  – em Imperatriz, a Associação Comercial e Industrial, ou a Câmara de Dirigentes Lojistas, ou a Associação de Bares e Restaurantes (Asbares), ou outra –  da qual o empresário participa”. 

Com as reclamações em mão, cada associação comunicará ao Banco Central as dificuldades enfrentadas. O Banco Central estimula os bancos e as empresas a solicitarem aos clientes a recirculação das moedas, com o que será evitado mais gasto público com a produção de novas moedas e cédulas. 

E nesse assunto de produção de dinheiro, vale detalhar que quatro das sete moedas metálicas  — as de um, dois, vinte e cinco e cinquenta centavos e de um real –  foram produzidas em quantidade acima de três bilhões de unidades, cada uma. Já as moedas de cinco e dez centavos, foram produzidas em quantidade acima de 7 bilhões de unidades, cada uma. Também existem cerca de 2,3 bilhões de cédulas de pequeno valor (um, dois e cinco reais). 

Tenho para mim que a tendência que se verifica é a gradual e quase completa substituição do meio circulante  —  moedas e cédulas —  pelo chamado ‘dinheiro eletrônico’ ou ‘moeda digital’, que não terão valor de face, mas corresponderão ao valor de produtos ou serviços pagos. Nesse momento, o telefone, com seu mundo de aplicativos, terá mais uma entre tantas funções: será também carteira de dinheiro.

E aí acabará  —  pelo menos nas relações de compra e venda —  a hora de dar o troco...

EDMILSON SANCHES
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