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23/10/2020 às 00h00min - Atualizada em 23/10/2020 às 00h00min

Eleição para escolha do novo Procurador Geral no MP no Tocantins tem um voto a mais que o número de votantes

Procurador sugere anulação de eleição para evitar desmoralização do órgão

Com informações do MP - TO
Promotor Ricardo Vicente afirmou que realizar um novo pleito seria a melhor solução - Foto: Divulgação
A eleição que definiu os nomes que integram a lista tríplice para escolha do novo Procurador-Geral de Justiça no Tocantins tem sido alvo de vários questionamentos por parte dos próprios membros do órgão.

A votação ocorreu na última sexta-feira (17) e pode ter sido fraudada. Os membros do Ministério Público descobriram que foram computados 108 votos quando eram somente 107 eleitores aptos a votar no pleito.

Em um vídeo que circulou nas redes sociais nesta terça-feira (21), os procuradores de Justiça discutem a possibilidade de anulação da eleição alegando que o processo foi falho desde o início.

O voto excedente teria sido registrado por engano por uma servidora voluntária no município de Colinas do Tocantins, mas ainda não foi explicado como ela teve acesso ao documento de votação. Poderiam votar apenas procuradores e promotores de Justiça.

A disputa para formação da lista tríplice ao cargo de Procurador-Geral teve cinco candidatos. Foram escolhidos os três mais votados: os promotores de Justiça Luciano Casaroti [67 votos], Abel Andrade [62] e Marcelo Sampaio [57].

Os três nomes foram enviados ao governador Mauro Carlesse, a quem cabe fazer a escolha de um deles e a nomeação para o cargo máximo do Ministério Público do Tocantins.

Discussão 
Durante a sessão virtual do Ministério Público, o Procurador de Justiça Ricardo Vicente sugere a anulação do pleito.

“Como apareceu um voto a mais? Será que nós não estamos diante da teoria dos frutos podres? Quem garante que um colega não foi desabilitado para que outro votasse em seu lugar?”, questionou o procurador.

“A pessoa que votou não é nem servidora. Ela não pertence aos quadros do Ministério Público, ela é apenas uma voluntária de Colinas que acesso ao sistema e para ela foi oferecida uma cédula de votação, e ela inadvertidamente teria feito a votação. Por isso o sistema captou 108 votantes, com apenas 107 membros aptos”, explicou outro procurador.

“Pela experiência que a gente tem, vemos que essa eleição começou errada, ela não se realizou adequadamente. Nós vamos abrir uma porta para o governador questionar essa lista, baseada em uma eleição que não reflete o posicionamento da classe. Não podemos dizer que nós sabemos quem votou. Ai surgiu uma dúvida enorme: quem foram os habilitados?”, questionou outro procurador.

“Isso vai ganhar uma dimensão nacional e nós estamos sujeitos a qualquer juiz de direito de primeiro grau desmanchar todo esse pleito, desmoralizando o Ministério Público. Façamos novas eleições com os cuidados necessários. Porque não fazemos também uma eleição, para festejar a segurança jurídica, com o voto em papel? Entendo que um novo pleito seria melhor para todos”, ponderou Ricardo Vicente.

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